Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir
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On-line
Ano 6 , n.215
De 03/10 à 09/10/05
Sumário de Matérias
-A hora e a vez da educação a distância, Revista
Melhor Gestão de Pessoas. Edição 215, out./2005
-É permitido tentar, Revista HSM Management, Ano 9,
n.52, set./out.2005
-Médico alerta para
problemas de coluna, A Tarde, 09/10/2005
-Vacina contra HPV
mostra eficácia, A Tarde, 08/10/2005
-Nordeste concentra o maior índice de hipertensos do país,
Correio da Bahia, 06/10/2005
-Planos de saúde
ainda sem índice, A Tarde, 06/10/2005
-Remédio de uso
contínuo tem controle, A Tarde,
06/10/2005
-Anemia falciforme atinge cerca de quatro mil pessoas na cidade,
Correio da Bahia, 04/10/2005
-Laboratório
reduzirá em 46% preço de remédio antiaids, A Tarde, 04/10/2005
-Falta de equipamento pode ser causa da morte de paciente em
posto de saúde, Correio da Bahia, 03/10/2005
-Brasil será pioneiro no uso da vacina contra rotavírus, Correio da
Bahia, 03/10/2005
-Médicos mantêm
boicotes aos planos de saúde, A Tarde, 03/10/2005
-Consumo diário de até
6 gramas de sal reduz pressão arterial, A Tarde, 03/10/2005
Revista Melhor Gestão de Pessoas. Edição 215, out./2005
A hora e a vez
da educação a distância
Por Fabíola Lago e Cláudia Santos
Num cenário em que as
empresas buscam reduzir custos e aumentar a qualidade de seu capital humano, a
educação a distância ganha cada vez mais destaque no mundo corporativo.
Economia de tempo e de dinheiro são duas das principais razões que fazem com
que muitas organizações busquem o e-Learning como uma grande aliada nos
processos de treinamento e desenvolvimento. Como reflexo, o ritmo de
crescimento dessa modalidade de aprendizado, que começou um tanto tímido em
meados dos anos 90, hoje está acelerado e chega a 40% ao ano. E tudo indica que
o e-Learning tende a continuar nesse caminho, com investimentos chegando a 2,7 bilhões
de reais em 2010.
A distância e cada vez maior
Estima-se que o
ensino pela web no mercado corporativo cresce 40% ao ano, graças a vantagens
como economia de tempo e dinheiro para as empresas
O mercado corporativo
rendeu-se às inovações e facilidades do e-Learning. Com o uso cada vez mais
disseminado da web, as empresas perceberam que os cursos virtuais são uma
maneira eficiente de capacitar seus funcionários. Em termos gerais, o ritmo de
crescimento do e-Learning no Brasil, que começou um tanto tímido em meados dos
anos 90, hoje está acelerado. Porém, o desempenho do ensino a distância
apresenta melhor performance entre as organizações de grande porte do que entre
as instituições de ensino. Isso porque o avanço da informática ainda esbarra
nas dificuldades sociais do País, onde grande parte da população sofre com a
exclusão digital.
"Houve uma maior
oferta de cursos on-line e o mercado corporativo é o grande responsável
por esse crescimento", destaca Carlos Longo, diretor da FGV On-line,
programa nacional de educação a distância (EAD) da Fundação Getúlio Vargas. E
os números comprovam esse desempenho. Segundo dados do Portal e-Learning
Brasil, o ensino pela web no mercado corporativo vem crescendo 40% ao ano.
"Esse índice é um pouco superior aos verificados nos EUA e Reino Unido,
que já adotaram o EAD há mais tempo", informa o presidente da MicroPower e
do Portal e-Learning Brasil Francisco Soeltl.
Qual o motivo de
tamanho fascínio pelos cursos virtuais? As vantagens e facilidades oferecidas
pelo ensino via internet nos treinamentos. "A receptividade ao EAD tem
aumentado por ser uma alternativa que reduz os custos e dispensa o deslocamento
dos funcionários para participar dos cursos", analisa Márcia Maria Deotto,
gerente de EAD do Ibmec. Trata-se de uma vantagem a ser considerada, ainda mais
num país de dimensões continentais como o nosso. Não por acaso, as grandes
corporações, que têm atuação em vários estados do Brasil, são as mais
entusiasmadas com o e-Learning.
É o caso, por exemplo,
do Banco do Brasil que, numa parceria com a Fundação Getúlio Vargas, oferece a
seus funcionários um curso de MBA. "São 20 turmas compostas por mil alunos
que residem em diferentes partes do país. Os que trabalham na fronteira do
Uruguai e em Belém têm acesso ao mesmo conhecimento de quem mora nos grandes
centros", explica Longo, da FGV On-line.
Outro banco que usufrui
as vantagens do EAD é o Bradesco, que conta com 73 mil colaboradores em três
mil agências espalhadas por todo o território nacional. "Alguns cursos levariam
anos para atingir a todos os funcionários. Com o ensino a distância, oferecemos
a mesma informação a todos com a mesma qualidade", diz Júlio Alves
Marques, superintendente executivo do departamento de treinamento do Bradesco.
Desde janeiro de 2000,
o TreiNet, programa de e-Learning do Bradesco, já registrou 570 mil
participações nos seus cursos, uma média de oito por funcionário. São
treinamentos técnicos (como matemática financeira, comunicação escrita),
operacionais (que ensinam como preencher um cadastro de crédito e aberturas de
contas) e comportamentais (liderança, coaching). O TreiNet também atenderá
profissionais autônomos de corretoras e concessionárias que vendem Seguro
Bradesco. Outra novidade é que os clientes universitários do banco também
poderão ter acesso a alguns dos cursos oferecidos, como matemática financeira
ou redação comercial, via web.
Outra vantagem do
e-Learning é a possibilidade de o funcionário manter a freqüência nas aulas,
mesmo estando em viagens. "O EAD permite a conclusão do curso sem
interrupções. Isso é especialmente importante para alunos que antes perderiam
um semestre devido a viagens e deslocamentos", enfatiza o professor
Vicente Nogueira Filho, fundador da Associação Internacional de Educação
Continuada (AIEC). Ele ressalta que a internet tornou a educação a distância
uma opção viável e muito procurada por executivos, oferecendo informação e
aprendizado a quem necessita otimizar o tempo. "Por não ter de cumprir
horários, nem se deslocar todos os dias, o aluno aproveita melhor seu tempo,
ganha em qualidade de vida e mantém suas responsabilidade de estudante, mas com
maior aproveitamento do curso", considera o professor da AIEC.
O ensino a distância
proporciona, ainda, vantagens econômicas para as corporações, pois seus custos
são menores do que os dos cursos presenciais. Essa economia já foi
contabilizada pela Datasul, que desde 2002 utiliza a tecnologia por meio da sua
universidade corporativa. Dois mil profissionais da empresa tiveram mais de
32,5 mil participações em treinamentos on-line. A economia gerada por esses
cursos virtuais, quando comparada aos presenciais, foi de mais de 7 milhões de
reais no ano passado, e a acumulada no período de agosto de 2002 a dezembro de
2004 alcançou os 12,6 milhões de reais.
A empresa também ganhou
em agilidade, tempo e qualidade do treinamento. "Antes do EAD, para
treinar uma força de vendas de 200 profissionais, 2,5 mil consultores e 80 mil
usuários, era necessário um esforço muito grande para se obter resultados questionáveis",
compara Júlio Cunha, gerente de aprendizagem e conhecimento da Datasul Educação
Corporativa. "Com o e-Learning, esses públicos passaram a aprender a
vender, implementar e utilizar os produtos Datasul em questão de dias, em vez
de meses. Somam-se a esses ganhos, as vantagens intangíveis de ter um catálogo
de conhecimento com mais de dois mil cursos on-line prontos para serem
acessados a qualquer momento, de qualquer lugar", ressalta Cunha. Ele
acrescenta, ainda, que com o treinamento on-line, os indicadores de qualidade
de atendimento melhoraram e os erros em função da falta de conhecimento do
produto foram reduzidos sensivelmente.
Outra empresa que tem
obtido bons resultados com o e-Learning é a SulAmérica, que criou recentemente
a Universidade Corporativa Universas, portal educativo que tem como objetivo
centralizar os conteúdos e treinamento de seus 5,6 mil funcionários. "Até
o momento, quatro mil pessoas já acessaram a Universas e 3,5 mil estão
inscritas em cursos", informa Carmem Sílvia Pereira, superintendente de
treinamento e desenvolvimento da SulAmérica.
Apesar de todo esse
sucesso, o EAD ainda enfrenta certa resistência no Brasil, pois muitas pessoas
ainda crêem que a qualidade de um curso depende da presença física do
professor. "A cultura latina gosta de estar perto, do olho-no-olho, de ver
e contatar as pessoas", acredita Marques, do Bradesco. Por sua vez, Júlio
Cunha, da Datasul, lembra que na história educacional do país, por vários
motivos, criou-se uma imagem pejorativa para os cursos a distância.
"Quando um profissional é considerado incompetente, costuma-se dizer que
ele 'tirou diploma por correspondência'. Isso influencia negativamente a
primeira experiência de aprendizagem a distância dos alunos", analisa.
Para combater tais
preconceitos, empresas e governo investem em ações que avalizem a qualidade dos
cursos on-line. Um passo importante nesse sentido foi dado pelo Ministério da
Educação (MEC), que encaminhou à Casa Civil um projeto que, entre outras
medidas, estabelece equivalência geral e irrestrita entre diplomas de cursos
presenciais e a distância. "A EAD possui, em princípio, os recursos
necessários para atender qualquer situação com a qualidade e o grau de sucesso
desejado", assegura o secretário de EAD do MEC, Ronaldo Mota.
O projeto propõe,
também, maior explicitação de critérios para o credenciamento dos cursos junto
ao Ministério e cuida de coibir abusos como a oferta desmesurada do número de
vagas na educação superior sem condições adequadas. Para a elaboração do
documento, o MEC contou com o auxílio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes) para estabelecer critério de credenciamento
nos cursos de mestrado e doutorado a distância. "Como de praxe na Capes, a
exigência de extrema qualidade no processo avaliação será garantia adicionai de
alto nível", salienta Mota. Ele ressalta que a regulamentação do decreto,
cuja discussão está em curso, permitirá definir padrões de qualidade e níveis
mínimos de exigência para credenciamento do EAD.
Para o secretário do
MEC, a melhor forma de garantir qualidade nos cursos na modalidade a distância
é o estabelecimento de um padrão mínimo, tomando como referência as ações das
melhores universidades, sejam públicas ou privadas, que utilizam recursos como
material impresso, internet, televisão, DVDs etc. Atualmente, para serem
credenciados pelo MEC, os cursos superiores a distância passam por uma
avaliação, sendo que o credenciamento é periódico (no máximo por cinco anos) e
sujeito a novas avaliações.
Muitos dos que
desconfiam da qualidade dos cursos a distância desconhecem os esforços que a
tecnologia on-line impõe ao participante. O ensino virtual, por exemplo, exige
mais a participação do aluno, o que nem sempre acontece nas salas de aula.
"No e-Learning, o professor só percebe o entendimento do estudante com a
sua participação nos fóruns, nas dúvidas e nos trabalhos apresentados",
explica Teresa Jordão, coordenadora de EAD do Senac-SP.
Na verdade, os
estudantes de EAD envolvem-se mais com os cursos, fato comprovado em pesquisas
realizadas pelo MIT (Massachusetts Institute of Tecnology) e pela Harvard
University. "Enquanto no [curso] presencial o aproveitamento é de
65%, no EAD é de 80%. Isso ocorre porque os cursos virtuais exigem mais
dedicação, mais responsabilidade. O estudante passa a ser gerenciador do
próprio aprendizado", justifica Marta Campos Maia, coordenadora acadêmica
do Centro de EAD da Fundação Getúlio Vargas (SP).
Por essa razão, Marta
faz um alerta aos desavisados que querem fazer um curso a distância por acharem
ser essa uma maneira mais fácil para se obter um diploma. "Explicamos que
o fato de ser a distância não quer dizer que será fácil. Ao contrário, a
demanda é grande, os prazos para entrega de trabalho são respeitados e há
exigência de que ele participe de no mínimo 80% das tarefas propostas",
adverte Marta.
O fato de instituições
como a FGV e outras de renome nacional oferecerem cursos pela web também tem
contribuído para quebrar preconceitos. "As empresas ainda têm resistência
em contratar alguém graduado, ou pós-graduado totalmente por EAD. Mas isso deve
acabar por conta da credibilidade da instituição onde o executivo
estudou", acredita Júlio Marques, do Bradesco. "O próprio Bradesco
criou um MBA com a FGV On-line do Rio de Janeiro, com disciplinas
customizadas", exemplifica Marques.
O coordenador de
projetos da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED) Marcos Telles,
no entanto, já vislumbra uma redução nessa barreira. "Os profissionais
estão percebendo que esses cursos dão empregabilidade. A universidade perdeu o
receio porque as empresas estão adotando o e-Learning e, por isso mesmo,
algumas já aceitam bem o profissional que tenha se formado a distância",
avalia.
Enquanto a resistência
ao e-Learning não é de todo vencida, empresas e universidades buscam
alternativas para eliminar o preconceito. Uma das maneiras encontradas é
elaborar o curso, alternando aulas on-line e presenciais. "Em conversas
com diversos professores da área, estabelecemos que o melhor resultado é sempre
um mix do presencial com o EAD", afirma Mairlos Barra Navarro, coordenador
geral de pós-graduação da Faculdade IBTA.
Mercado não pára de investir
Total de recursos
destinados ao e-Learning devem somar cerca de 2,7 bilhões de reais em 2010
Estimulados pelo
crescimento do e-Learging no ambiente corporativo, que chega aos 40% anuais, as
empresas do setor investem para suprir a demanda por treinamentos on-line. Para
se ter uma idéia do aquecimento desse mercado, somente as 64 organizações que
participaram das quatro edições do Prêmio e-Learnig Brasil - concedido pelo
portal de mesmo nome - investiram 340 milhões de reais até 2004. "E o
retorno desse investimento aconteceu em menos de sete meses, resultando em mais
de 636 milhões de reais em benefícios", informa Francisco Soeltl,
presidente da MicroPower e do portal e-Learning Brasil. Soeltl ressalta, porém,
que esses dados ainda são conservadores, pois não refletem a totalidade das
organizações que investem na educação pela internet. "Sabemos que, no Brasil,
mais de 450 empresas já adotaram o e-Learning", informa.
E tudo indica que o
desempenho do setor manterá o mesmo ritmo. Segundo Soeltl, o e-Learning
continuará crescendo uma média de 40% ao ano no País e os investimentos devem
atingir 2,7 bilhões de reais em 2010. Empresas como a Brasil Educação Sem
Fronteiras (Besf), fornecedora do setor de e-Learning, demonstram o mesmo
otimismo. "O mercado tem grande potencial porque, até o momento, somente
119 instituições de ensino se credenciaram junto ao MEC. Dessas, somente 30% já
implementaram cursos EAD. Sem falar que são mais de duas mil no Brasil",
contabiliza Eduardo Desiderati Alves, diretor da Besf. O portal
Englishtown é outro exemplo de como o mercado de e-learning está aquecido. A
empresa, que está há cinco anos no Brasil, deve fechar o ano fiscal de 2005 com
72% de crescimento.
Para crescer nesse
mercado, as empresas armam-se de diferentes estratégias. A Besf, por exemplo,
respalda-se no fato de integrar o Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação
(Ipae), que possui 32 anos no mercado de educação a distância. "Crescemos
60% em 2004. O fato de sermos do Ipae nos abre portas", explica Alves,
diretor da Besf. Há também os que procuram se aproximar cada vez mais do grande
mercado consumidor de e-Learning que é São Paulo.
É o caso da QuickMind,
empresa que oferece soluções de educação a distância. Para alcançar a meta de
expandir sua atuação em 2005 e crescer de 60% em relação a 2004, a empresa
abriu escritório na capital paulista, onde estão alguns de seus principais
clientes. Também contratou seis funcionários para as áreas de desenho
instrucional, gerência de projetos e de vendas, formando uma equipe de 30
profissionais. "Percebemos o aquecimento no mercado de educação
corporativa no ano passado, principalmente em e-Learning", diz Fábio
Barcellos, diretor da Quick Mind.
Outra que acaba de
abrir um escritório na cidade de São Paulo é a Norsul. A empresa quer aumentar
suas vendas, nesse primeiro momento, entre 30% a 40% e espera que sua nova
unidade paulistana participe com, no mínimo, 60% do faturamento global.
"Nos próximos 12 meses, nosso objetivo é atingir a meta de 7,5 milhões de
reais", planeja Airton Pinto, diretor comercial da Norsul. Para atingir
esse objetivo, a companhia está investindo em infra-estrutura, pessoal e
divulgação de seus produtos no mercado local e de toda a região Sul.
"Queremos responder a todos os segmentos, principalmente o mercado
financeiro, telecom, e indústria e empresa de tecnologia" informa o
diretor da Norsul.
O "boom" nas faculdades
Pesquisa revela que
a oferta de cursos a distância mais do que triplicou nos últimos três anos
|
Teresa, do Senac SP: cursos específicos e adaptação
para o cliente |
Levantamento da Abed (Associação Brasileira de Educação a
Distância) e do Instituto Monitor revelam um verdadeiro "boom" do
ensino a distância oferecido pelas faculdades no Brasil. De acordo com dados do
Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e à Distância (Abread 2005),
elaborado pelas duas entidades, o número de estudantes na modalidade EAD nos
níveis de graduação e pós-graduação cresceu nada menos do que 100% de 2003 para
2004. A pesquisa foi realizada entre as instituições de ensino oficialmente
credenciadas a dar diplomas e certificados no país.
A oferta nesse período
também aumentou, passando de 278 cursos, em 2003, para 382 em 2004. Os dados do
anuário mostram que o crescimento do número de programas oferecidos teve início
em 1995, tornou-se ininterrupto e a tendência é de crescimento exponencial. Nos
últimos três anos esse número mais que triplicou.
A educação corporativa
é um dos fatores que tem alavancado o EAD em cursos de graduação. Atentas às
necessidades das organizações em capacitar seus colaboradores, as faculdades
passaram a oferecer uma gama variada de aulas pela web. Hoje, os funcionários
podem assistir, por meio de seus computadores, cursos de aperfeiçoamento, de
graduação, pós e até MBA.
A estratégia das
instituições de ensino é dispor de conteúdos integrados com os negócios das
organizações. Exemplo disso é a parceria firmada entre o Instituto Brasileiro
de Tecnologia Avançada (IBTA) e a Datasul, fornecedora de soluções de
tecnologia da informação, que lançou o primeiro curso de pós-graduação a
distância sobre Sistemas de Gestão Empresarial.
A iniciativa surgiu a
partir de uma experiência prática da Datasul: detectou-se uma deficiência nos
profissionais que utilizavam softwares de ERP e daqueles que implantavam esses
programas, os quais, muitas vezes, não tinham conhecimento do negócio do cliente.
"Havia um desgaste. O cliente não ficava satisfeito com a implantação do
sistema, porque achava que a cultura do seu negócio e a forma como realizava os
processos não haviam sido contempladas. E a empresa que implantou o software
ficava descontente porque gastava muito mais horas do que o previsto com o
cliente", explica Mairlos Barra Navarro, coordenador geral da
pós-graduação da IBTA.
Foi a partir dessa
constatação que as duas organizações desenvolveram o curso on-line para
melhorar o aproveitamento de seus funcionários (que teriam melhor conhecimento
do negócio do cliente para aplicá-lo no ERP) e dos funcionários dos clientes
(que passariam a utilizar os softwares em sua plenitude). "O
desenvolvimento e a aplicação do curso para profissionais da Datasul e de seus
clientes foi tão bem sucedido que se transformou num EAD de pós-graduação da
Faculdade IBTA", conta Navarro. O público alvo do curso são os líderes de
processo de negócios, que atuam nos departamentos de compras, RH, entre outras
áreas nas corporações.
A Associação
Internacional de Educação Continuada (AIEC) também investe no pioneirismo ao
lançar em setembro o primeiro curso superior de Administração pela internet
reconhecido pelo MEC. O curso possui grade curricular de quatro anos e a admissão
requer os trâmites normais para o nível superior de ensino, como o exame
vestibular presencial. Para garantir qualidade aos alunos, além do aval do MEC,
o curso da AIEC possui certificação ISO 9001 e utiliza metodologias da Harvard
University e do Massachusetts Institute of Technology.
O foco no mercado
corporativo também é a estratégia utilizada pelo Ibmec, que oferece cursos
on-line de curta duração de, no máximo 24 horas como matemática financeira,
métodos de estatística e IOMF (instrumentos de operação no mercado financeiro).
A novidade de 2005 recebe o nome de "Pílulas do Conhecimento".
"São cursos de oito horas de duração, que trabalham com competências
críticas dos funcionários das empresas, como, por exemplo, gestão do tempo",
informa a gerente comercial do Ibmec Camila Du Plessis.
Este mês, a faculdade
lança outro curso sobre reuniões eficazes. "É o calcanhar de Aquiles das
empresas", constata Du Plessis. "Nesse curso, aprende-se que a
reunião tem uma ata, um coordenador, um 'fazedor' e ensina a como ter feedback
das atividades propostas", esclarece a gerente. Ela afirma que
receptividade a esses cursos pelo mercado tem sido boa pela atualidade dos
temas e pela metodologia de ensino, que é desenvolvida para o público adulto,
focado no mercado corporativo.
Outro fator que também
tem atraído os alunos é a estrutura de acompanhamento e evolução dos
participantes. "Caso um aluno não acesse o curso por dois dias, por
exemplo, é enviado um e-mail perguntado se ele está com alguma dúvida, se
precisa de ajuda", informa Camila. Desde 2002, quando o Ibmec lançou seu
primeiro curso, os números triplicaram. Até o momento, foram ofertados 2.360
cursos, assistidos por mais de 950 pessoas.
A Fundação Getúlio
Vargas também tem obtido sucesso na área de educação continuada. A instituição
desenvolveu cursos para um público qualificado com necessidades sofisticadas
como o MBA Executivo para Administração de Empresas. Por meio de seu programa
GVNet, criado em 2000, a fundação já formou mais de 2 mil alunos no sistema de
educação a distância.
"Os cursos da
GVNet são híbridos, cerca de 30% a 40% é presencial e o restante EAD",
informa Marta Campos Maia, coordenadora acadêmica do GV Net, do Centro EAD da
Fundação Getúlio Vargas (SP). "A presença é muito importante porque marca
um vínculo que vai se refletir, depois, na formação de uma comunidade de
aprendizagem virtual", justifica. A instituição também mantém parcerias
com empresas, nas quais oferece cursos customizados, por meio do FGV Online, da
FGV do Rio de Janeiro.
Outra instituição que
também tem obtido grande sucesso em seus cursos on-line é o Senac, que conta em
seu portfólio 20 cursos, entre livres e de extensão, em sete áreas do
conhecimento: administração e negócios, educação ambiental, saúde, design, idiomas,
educação e artes. O curso mais procurado é justamente o de Certificação em
Educação Virtual, que forma profissionais para o setor de e-Learning. "É
um mercado muito novo e existe boa procura por profissionais da área",
afirma Teresa Jordão, coordenadora de EAD da instituição. O Senac também
oferece cursos específicos para o mercado corporativo. "Em alguns casos, a
empresa já traz o conteúdo que era realizado presencialmente para transformá-lo
em on-line. Ás vezes, o conteúdo também é solicitado ao Senac", esclarece
Teresa.
Para elaborar os cursos
on-line, as faculdades investem não só em tecnologia, mas também em capacitação
do corpo docente. Na Fundação Getúlio Vargas, todos os professores passam por
treinamento, conhecem a metodologia e fazem workshops específicos. A Faculdade
Sumaré, de São Paulo, que oferece 20% dos cursos a distância, treinou seus
professores em oficinas pedagógicas e técnicas. "O mais importante é
mostrar a eles que a EAD não é só colocar material na web. Tem de haver interação",
alerta Manuel Araújo Filho, supervisor de EAD da Faculdade Sumaré. Ele
acrescenta que a instituição oferece um bom suporte para os docentes.
"Atendemos em tempo integral os professores e coordenadores, presencial ou
virtualmente, para sanar dúvidas, dar idéias, orientar", afirma.
Assim como ocorre com o
profissional de RH, o docente na era da web está aprendendo a trabalhar com uma
nova equipe de colegas, especializados no desenvolvimento dos cursos virtuais.
Tudo para dar maior dinâmica às aulas a partir dos vários recursos que a
informática proporciona. "Na verdade, com o e-Learning surgiram ao menos
três novas profissões: o desenhista instrucional, nova área de especialização
para pedagogos; desenhista web, especialização para aqueles que têm bom domínio
do traço: e analistas e consultores em e-Learning, especializados em planejar e
implantar projetos", informa Francisco Soeltl, presidente da MicroPower.
Por parte do governo
federal, o incentivo às universidades veio da resolução que estabelece que 20%
do conteúdo dos cursos de graduação podem ser aplicados virtualmente. "É
uma maneira de afirmar a importância de tecnologias de informação e
comunicação, inclusive nos cursos chamados presenciais", considera o
secretário de EAD do Ministério da Educação Ronaldo Mota. "Se bem adotada,
pode contribuir e muito para que todos os formandos tenham ao longo de seu
percurso acadêmico se familiarizado com essas novas ferramentas, que farão
parte de suas atividades profissionais, sejam quais forem as profissões",
prevê o secretário do MEC.
Inovações tecnológicas
Conceito de rapid training domina o mercado
de soluções por permitir que a própria empresa comunique e dissemine a
informação
As empresas
fornecedoras de soluções tecnológicas para e-Learning lançam no mercado
brasileiro uma série de inovações que facilitam o desenvolvimento de cursos
on-line e prometem tornar o conteúdo mais atraente. Muitos produtos seguem o
conceito Rapid Training, muito em voga no mercado internacional de
educação a distância, que já começa a ganhar adeptos no Brasil. Trata-se de um
processo que permite que a própria organização comunique e dissemine uma
informação de forma ágil e eficiente, tornando disponível idéias e estratégias
ao alcance de seus funcionários.
Uma das novidades na área do Rapid Training é o Macromedia Breeze,
lançado pela Norsul em parceria com a Macromedia. "O produto possibilita
que um professor ou funcionário de uma companhia, em questão de minutos,
produza uma apresentação no Power Point, acrescente sua própria locução, insira
um vídeo ou animação, podendo deixá-la acessível na internet ou intranet para
alunos ou colaboradores", explica Ricardo Degenszejs, diretor da Norsul. A
solução também inclui um completo sistema de treinamento on-line que inclui
enquetes, rastreamento, análise, administração e gerenciamento.
Ainda no segmento de Rapid
Training, a QuickMind lançou a solução Quicklessons. "É ideal para as
demandas mais urgentes das organizações como lançamento de produtos ou mudanças
de políticas e normas externas ou internas que possam impactar o negócio da
empresa", informa Fábio Barcellos, diretor da QuikMind. Outra
novidade da empresa é o software LMS (learning management system) desenvolvido
pela empresa IntraLearn e distribuído no Brasil pela QuicMind.
O programa já é
utilizado em mais de 1,3 mil organizações em 40 países. "O diferencial é
que o LMS não limita o número de usuários", conta Barcelos. "Dessa
forma, a organização adquire a licença e inclui quantos participantes desejar
no projeto", completa. O software também não restringe a quantidade de
cursos criados. A primeira empresa a adquirir o programa no Brasil foi a
SulAmérica para criação da sua universidade corporativa, a Universas.
Já a MicroPower lançou
neste ano a segunda geração do MicroPower learning Suíte (MPLS), que permite o
gerenciamento das atividades de aprendizado presenciais e virtuais. Ainda este
mês, ela pretende lançar a sua Sala Virtual, que utiliza tecnologia nacional e
possibilita a realização de conferência, com áudio e vídeo, via conexão pela
web. "O lançamento trará às empresas instaladas no Brasil grande
economia", prevê o presidente da empresa, Francisco Soeltl.
Dicas para usar o e-learning
Empresas precisam
estar atentas a dois fatores fundamentais: público alvo e conteúdo
Uma das primeiras
decisões a serem tomadas pela empresa que deseja implantar treinamentos on-line
é saber quando optar por um programa de educação a distância e quando decidir
por um curso presencial. A decisão, segundo Júlio Cunha, gerente de
aprendizagem e conhecimento da Datasul Educação Corporativa, deve basear-se em
vários fatores, como o público alvo. "Qual o nível de proficiência
tecnológica dos alunos? Eles possuem computadores e são conectados à
web?", sugere Cunha como principais questões. Caso as respostas sejam
positivas, a empresa já conta com condições para implantar os cursos on-line.
Outro fator importante
é o conteúdo. "Conteúdos técnicos, treinamentos com escopos bem
delimitados, focados em procedimentos ou normas são fortes candidatos para se
tornarem cursos on-line", recomenda Cunha, acrescentando que qualquer
assunto expositivo, de uma maneira geral, é facilmente transportado para a web.
O mesmo, porém, não ocorre com conteúdos comportamentais, que exigem simulações
e interações. "Estes têm um alto custo de desenvolvimento e demoram meses
para ficar prontos", adverte o gerente da Datasul.
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A empresa pode montar sua própria equipe de EAD ou fazer
parceria com outras que desenvolvam soluções para treinamentos virtuais. Uma dessas
empresas é a Webaula, que já treinou 800 mil alunos e ganhou quatro prêmios do
Portal e-Learning Brasil. "Muitas vezes, o próprio RH desenvolve o curso
presencial e a Webaula faz a sua migração para o sistema on-line. Em outros
casos, nós desenvolvemos o conteúdo", informa Marcos Resende, diretor da
Webaula. Entre os clientes da empresa estão a Brasil Telecom, onde 20 mil
funcionários foram treinados, e a Bolsa Mercantil e de Futuros (BMF).
A Besf é outra empresa que atua no mercado. Sua equipe de especialistas levanta
necessidades, estrutura informações, define linguagens, cria storyboards,
personaliza design. A empresa cliente participa de todo o processo, validando
cada uma das etapas. Havendo também necessidade de um professor para acompanhar
o grupo de alunos, é elaborado um plano de tutoria para atender às
especificidades do cliente. "A demanda tem sido maior por cursos de curta
duração e de educação continuada", conta Eduardo Desiderati Alves, diretor
da
Besf. "Os mais procurados são o de atendimento ao cliente, produtos e
serviços da empresa, informações sobre o negócio, e, na área de RH, cursos de
ambientação voltados para terceirizados que trabalham em filiais para que
conheçam a estrutura e a cultura da empresa", informa o diretor da Besf,
que conta com clientes como a Petrobrás.
Ao contratar os
serviços para desenvolver cursos EAD, a empresa deve pesquisar no mercado a
experiência dessas companhias de e-Learning. "Como já temos no Brasil
fornecedores com experiência acumulada desde 1999, é fundamental consultar os
clientes desses fornecedores para saber se estão satisfeitos com a solução e se
a solução está atendendo os requerimentos de seu negócio", orienta
Francisco Soeltl, presidente da Micropower.
Revista
HSM Management, Ano 9, n.52, set./out.2005
É permitido tentar
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Temas | Avaliação de desempenho, Inovação, Aprendizagem,
Gestão de pessoas, Experiência |
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Fonte
| Rotman Magazine
Autor/es | Edmondson, Amy
Publicado | Set/Out 2005
A experimentação é crucial para a
inovação. Ao colocá-la em prática, é inevitável que haja fracassos, porque o
resultado de todo e qualquer ensaio é, em princípio, incerto. Portanto, quando
as pessoas são carentes de “segurança psicológica” e temem que seus erros se
voltem contra elas, não há ambiente propício à experimentação.
O que infunde esse temor nas pessoas? Para começar, a pressão exercida pelos
sistemas de avaliação de desempenho. Em segundo lugar, sistemas de remuneração
e incentivos que premiam apenas o sucesso. Em terceiro lugar, mensagens
incoerentes, do tipo “seja inovador, mas não erre”, muito comuns nas empresas.
Contudo a situação pode ser revertida.Há maneiras de desenvolver um ambiente de
segurança psicológica dentro de sua organização. A forma de conseguir isso é
por meio de estruturas de apoio adequadas, como os sistemas de informação e
remuneração, além das próprias atitudes da alta gerência.
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A Tarde, 09/10/2005 Local Saúde ·
Conforto visual – mantenha o monitor entre 45 e 70 cm de distância e
altura até a linha de visão. ·
O teclado deve ficar numa posição mais baixa e a digitação deve ser
feita com os braços suspensos ou com apoio para o punho. ·
Trabalhe com os pés apoiados no chão, evitando problemas de coluna. ·
As cadeiras devem ter encosto com superfície de apoio que garanta
distribuição do peso e relaxamento da musculatura, revestimento macio e
forração em tecido rugoso. |
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A Tarde, 08/10/2005
Internacional
Saúde
Vacina contra HPV mostra eficácia
Estudo feito com 12 mil mulheres mostrou que substância impediu em 100% o
surgimento de lesões no colo do útero
REUTERS e AGÊNCIA ESTADO
NOVA IORQUE – O primeiro estudo em grande escala de uma vacina contra o
câncer cervical descobriu que, a curto prazo, a substância é efetiva em 100% na
tarefa de impedir o carcinoma e as lesões que pudessem se tornar cancerosas. A
pesquisa, financiada pela Merck Sharp & Dohme, foi apresentada ontem, numa
conferência da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas.
A vacina, chamada Gardasil, produto de um processo de engenharia genética,
bloqueia a infecção de dois tipos do vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em
português), o 16 e o 18. Em conjunto, estes vírus, transmitidos em relações
sexuais, causam 70% dos carcinomas cervicais. Em todo o mundo, cerca de 300 mil
mulheres morrem anualmente em conseqüência de câncer cervical.
– Esse ensaio confirma que a vacina pode oferecer às mulheres jovens um alto
nível de proteção contra o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e do câncer
de colo do útero em fase inicial – disse Laura Koutsky, professora de
epidemiologia da Universidade de Washington, que comandou o estudo.
A capacidade de impedir o aparecimento de câncer no colo do útero, pelo menos a
curto prazo, foi demonstrada num ensaio nos estágios finais do estudo sobre a
vacina. O ensaio envolveu mais de 12 mil mulheres de 13 países, com idades
entre 16 e 26 anos, que não estavam infectadas com nenhum dos dois tipos de
vírus.
A Merck, que adquiriu os direitos da tecnologia da vacina da empresa
australiana CSL Ltd., pretende pedir sua aprovação ao FDA (órgão que fiscaliza
medicamentos nos EUA). A vacina também protege contra verrugas genitais.
O laboratório, que foi prejudicado no ano passado com a retirada do mercado de
seu antiinflamatório Vioxx, está desenvolvendo a vacina na Europa em parceria
com a Sanofi-Aventis.
Metade das mulheres do ensaio de fase 3 do Gardasil recebeu três doses da
vacina durante um período de seis meses, enquanto as outras mulheres receberam
placebos. Depois, as mulheres foram observadas por uma média de um ano e cinco
meses.
RESULTADOS – A Merck afirmou que o Gardasil foi 100% eficaz na prevenção
de lesões pré-cancerosas e cânceres de colo do útero em estágio inicial
associados aos tipos 16 e 18 do HPV, nas mulheres que ficaram protegidas de
infecção até tomarem a dose final da vacina.
Já entre as mulheres que receberam placebos, afirmou o laboratório, houve 21
casos de lesões e cânceres em estágio inicial associados aos dois tipos do
vírus.
Embora a vacina tenha sido eficaz contra os dois tipos de vírus, Koutsky disse
esperar que ela seja aperfeiçoada para proteger contra os outros tipos de vírus
que também causam o câncer de colo do útero, que são cerca de cinco. “Nesse
caso, estaríamos bloqueando os vírus que causam 87% dos cânceres de colo do
útero, em vez de 70%”, afirmou.
Analistas da indústria disseram que o Gardasil pode gerar vendas anuais de mais
de US$ 2 bilhões, que podem ressuscitar a saúde financeira do laboratório.
A Merck, cuja sede fica em Whitehouse Station, Nova Jersey, enfrenta milhares
de processos judiciais movidos por ex-usuários do Vioxx e suas famílias, que
alegam que a droga causou problemas cardíacos.
O Gardasil deve competir contra a vacina experimental da GlaxoSmithKline Plc
contra o câncer de colo do útero, o Cervarix, cujos alvos são os mesmos dois
tipos de vírus.
Correio da Bahia, 06/10/2005
Nordeste
concentra o maior índice de hipertensos do país
Pesquisa aponta sedentarismo como grande responsável
pelo problema na região
Daniel Freitas
Menos de 10% dos nordestinos praticam atividade física,
segundo a pesquisa Corações do Brasil
Uma projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) estima
que, se não forem adotadas medidas urgentes de prevenção às doenças
cardiovasculares, a mortalidade em decorrência de patologias desse tipo deverá
apresentar um aumento de 250% entre 2030 e 2040 em todo o planeta,
principalmente no Brasil, na China e na Índia. A gravidade da situação também é
apontada pela pesquisa Corações do Brasil, realizada pela Sociedade Brasileira
de Cardiologia (SBC), cujos dados mostram que a saúde da população brasileira
não anda bem. Basta dizer que as mortes por doenças cardiovasculares no Brasil
alcançam hoje a marca de 300 mil por ano. Entre as concentrações dos fatores de
risco por região do país, verifica-se que o Nordeste tem o maior percentual de
indivíduos com hipertensão arterial - 31,8% das pessoas com pressão arterial
média acima de 140x90.
O estudo da SBC durou dois anos e, entre as 77 cidades
brasileiras consultadas, estavam Salvador e Feira de Santana. No cômputo geral,
o Nordeste do país também registrou a mais alta taxa de sedentarismo: 92% dos
nordestinos não praticam atividade física, enquanto a média nacional é de 86%.
"O índice de sendentarismo como fator de risco é altíssimo no Nordeste,
apesar do pensamento que se tem de que morar perto do litoral é sinônimo de uma
vida mais saudável", comenta o médico cardiologista Raimundo Marques
Nascimento Neto, coordenador nacional da pesquisa. Na região Nordeste, também
constatou-se o segundo maior percentual de indivíduos com colesterol elevado
(21,5%). O primeiro lugar coube à região Sul (24,3%). O estudo envolveu cerca
de 800 profissionais e entrevistas com 1.239 pessoas.
A exposição aos fatores de risco (colesterol, hipertensão,
diabetes, sedentarismo, tabagismo, hereditariedade, alcoolismo, uso de drogas
ilícitas, estresse e obesidade) costuma ser maior na faixa etária que vai dos
25 aos 45 anos. O médico Raimundo Marques Neto explica que é nesse intervalo
que se concentra a maior parte de indivíduos com três ou mais fatores de riscos
de doenças cardiovasculares, aumentando as chances de mortalidade. "Nesse
contexto, a obesidade abdominal é preocupante, principalmente nas mulheres, em
associação a quadros de hipertensão e diabetes", completa o cardiologista.
Na região Nordeste, os dados da pesquisa mostram que a circunferência abdominal
é acima de 88cm em 31,8% das mulheres e acima de 102cm em 8,2% dos homens.
Considera-se ideal o limite de 80cm para a ala feminina e de 90 para a ala
masculina.
As possíveis explicações para tão elevados níveis de
colesterol e sedentarismo podem estar nas conseqüências do atual modelo de vida
adotado pelo homem moderno. "A transição do meio rural para os grandes
centros urbanos levou o homem a uma certa comodidade, em que ele vive muito
para o trabalho e dispõe de pouco tempo para o lazer e para as atividades
físicas", acredita o médico. Mesmo em casa, o uso do controle remoto é
cada vez mais recorrente em todos os aparelhos eletrônicos, poupando as pessoas
de esforços físicos. A questão também passa pelas políticas públicas de saúde
no país, que são bastante centradas nos atendimentos de urgência e emergência,
mas dispensam pouca atenção ao tratamento e prevenção de doenças crônicas. Os
dados do estudo Corações do Brasil, então, servem como uma radiografia dos
principais fatores de risco para o coração e se mostram importantes para a
definição de novas políticas públicas para a saúde.
***
INIMIGOS DO CORAÇÃO
Além do sedentarismo, também são inimigos do coração o
tabagismo (com influência no entupimento das artérias) e a ingestão excessiva
de álcool, responsável por elevar a pressão arterial. Enquanto 13% da população
brasileira estudada faz uso diário de bebida alcoólica, esse percentual é de
5,1% entre os nordestinos, em particular. Ainda no Nordeste, 89% das pessoas
bebem de uma a três vezes por semana, 2,5% bebem de quatro a seis vezes e 3,4%
se embriagam ao menos uma vez por mês. Já em relação ao tabagismo, 24,3% da
população nordestina já fumou no passado e 16,6% é formada por fumantes. Na
população total avaliada, a faixa etária de 35 a 44 anos apresentou a maior
exposição ao tabaco: 28,1% são fumantes e 22,6% já fumaram.
A Tarde, 06/10/2005
Economia
Justiça
Planos de saúde ainda sem índice
O STJ voltou a autorizar aumento maior que 11,69% para contrato anterior a
1999. Mas a decisão não é definitiva
Carolina Brígido
Agência Globo
Brasília – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) escreveu ontem novo e
confuso capítulo na guerra de liminares e decisões que marca o reajuste dos
planos de saúde de 2005, que virou dor-de-cabeça para milhões de consumidores
em todo o País. No terceiro entendimento produzido em menos de um mês, o STJ
resolveu permitir que as operadoras de planos de saúde antigos – anteriores à
legislação de 1999 – reajustem em mais de 11,69% o valor dos contratos. A
decisão foi tomada pela Corte Especial do tribunal, no julgamento de um recurso
proposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Mas tudo pode mudar nas próximas semanas e meses, já que o reajuste dos planos
terá de passar por pelo menos mais três crivos antes de ser considerado assunto
encerrado.
A guerra judicial começou quando a ANS permitiu que as operadoras Bradesco e
Sul América reajustassem, respectivamente, em 25,80% e 26,10% os contratos
firmados antes de janeiro de 1999. Os contratos com data posterior sofreriam um
aumento linear menor, de 11,69%, porque já se enquadravam em novos parâmetros
definidos pelo órgão regulador. Entidades de defesa de consumidores, porém,
conseguiram uma liminar no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ªRegião, em
Recife, que uniformizou os reajustes no percentual mais baixo em todo o
território nacional.
A ANS entrou logo em seguida com um recurso ao STJ contra a liminar. Em caráter
também temporário, Vidigal modificou no dia 14 de setembro a decisão do TRF e,
por conseqüência, permitiu os reajustes diferenciados. Em seu despacho, o
ministro fazia um alerta sobre a interferência do Judiciário em atos das
agências reguladoras e advertia para o impacto de medidas como estas sobre o
equilíbrio econômico-financeiro das empresas para não atrapalhar a prestação
dos serviços.
Foi então a vez da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas
de Saúde (Aduseps) e a Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor
(Adecon) – que propuseram a ação que deu início à disputa em Recife –
recorrerem da decisão.
Uma semana depois, Vidigal mudou de idéia. Não só derrubou sua própria decisão
– mantendo o teto de reajuste em 11,69% – como enviou o caso para o Supremo
Tribunal Federal (STF) sob o argumento de que havia questões constitucionais no
embate. No entanto, o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, discordou da
tese e devolveu a ação ao STJ.
DECISÃO RESTITUÍDA – No julgamento de ontem, o ministro Nilson Naves
pediu vista dos autos para analisar melhor a discussão. Como foi decidido que
não há assunto constitucional, resolveu-se restituir a primeira decisão de
Vidigal – aquela em que ele autorizou reajustes de até 26,10%. Ela terá
validade até que a Corte Especial do STJ retome o julgamento, marcado
previamente para o dia 19.
Mas a saga dos consumidores que dependem do fim desta batalha estará longe do
ponto final. O que está em discussão no STJ é uma apreciação da validade de uma
liminar (decisão temporária). Uma vez solucionada esta questão na Corte
Especial, o caso retornará ao TRF da 5ªregião para que o mérito do assunto seja
discutido. A deliberação do tribunal regional poderá ser questionada ì e a
parte que sair derrotada poderá recorrer ao STJ.
A Tarde,
06/10/2005
Município
Saúde
Remédio de uso contínuo tem controle
A Secretaria Municipal da Saúde de Vitória da Conquista publicou portaria
restringindo
a liberação de medicamentos de uso contínuo (saúde mental e anti-hipertensivos)
aos moradores do município. Segundo a secretaria, a decisão foi tomada com base
na lei que considera responsabilidade dos municípios a compra e distribuição de
remédios somente para uso de seus cidadãos. Além disso, a portaria ressalta que
é necessário um controle efetivo na dispensação desses medicamentos devido ao
seu alto custo. Desde a publicação da Portaria 028/2005, em setembro deste ano,
os moradores de Conquista que fazem uso contínuo de medicamentos deverão
apresentar o cartão SUS no momento da aquisição nas Unidades Básicas de Saúde e
nas Unidades de Saúde da Família. A assessoria de comunicação da Prefeitura
informou que, até o momento, já foram entregues 125 mil cartões no município.
Correio da Bahia, 04/10/2005
Aqui Salvador
Anemia
falciforme atinge cerca de quatro mil pessoas na cidade
Profissionais do PSF são treinados para identificar
doença e acompanhar pacientes
Profissionais de saúde estão sendo capacitados para atender
melhor os portadores de anemia falciforme
Por Mariana Rios
Uma em cada 650 crianças nascidas em Salvador é portadora da
anemia falciforme, doença com prevalência sobre a população afrodescendente. De
17 nascimentos, um indivíduo tem a hemoglobina defeituosa em forma de foice,
mas não apresenta os sintomas caraterísticos da enfermidade - é o chamado
traço-falciforme. Filhos de casais com traço-falciforme têm uma chance em
quatro de desenvolverem a doença. A estimativa é que existam, na capital
baiana, quatro mil pessoas com anemia falciforme - doença hereditária causada
por uma anormalidade na hemoglobina, pigmento responsável por transportar nos
glóbulos vermelhos oxigênio para os tecidos do corpo.
Para operacionalizar o Programa Municipal de Anemia
Falciforme - que prevê triagem neonatal, assistência médica e orientação às
famílias - acontece até sexta-feira uma semana de capacitação de profissionais
das unidades básicas de referência do Programa de Saúde na Família (PSF) e
ondontólogos da rede municipal. A pessoa portadora da anemia falciforme possui
glóbulos vermelhos deformados que dificultam a circulação sangüínea. Por isso,
sem tratamento, podem ocorrer a formação de úlceras e feridas nos membros
inferiores, principalmente nos tornozelos. Um teste simples, como o do pezinho,
identifica a doença, que segundo o hematologista do Núcleo de Oncologia da
Bahia, Marinho Marques Neto, precisa de acompanhamento constante. Na rede
municipal, apenas a triagem neo-natal está em operação.
"As crianças estão sendo diagnosticadas, mas é
necessário acompanhamento médico, liberação dos medicamentos, exames
necessários, vacinas. Então, estamos mobilizados para capacitar os
profissionais de saúde e dar prosseguimento ao programa, atendendo toda a
população", explicou a coordenadora do programa, Maria Cândida Queirós. Na
Semana Municipal de Capacitação sobre Anemia Falciforme, que teve abertura
ontem na antiga Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba),
no Terreiro de Jesus, serão realizados seminários e debates abertos à
população.
Controle - Os sintomas mais comuns da anemia falciforme são:
crise de dor nos pequenos vasos das mãos, ossos, tórax, abdômen, icterícia (cor
amarela nos olhos), infecções freqüentes na garganta, pulmões e ossos, úlcera
de perna, geralmente próxima aos tornozelos, além de seqüestro do sangue no
baço, causando palidez e dor no orgão. Neto explica que não existe cura, mas
uma série de medidas de controle da doença, como acompanhamento médico
constante, avaliações e exames periódicos. "É necessário um acompanhamento
periódico do paciente e um suporte. É ministrado ácido fólico que ajuda na
produção de células do sangue melhores e medicamentos para minimizar a dor e a
anemia", afirma Neto.
Hoje, das 8h30 às 18h, acontece no mesmo local, a
capacitação de cerca de 80 profissionais das unidades básicas de referência.
Nos 12 distritos sanitários soteropolitanos foi escolhida uma unidade, que
contará com uma equipe multidisciplinar para atuar especificamente com anemia
falciforme. Na quarta-feira, o seminário Anemia falciforme: questões
etnico-raciais e importância de políticas públicas será voltado também para a
população e profissionais de saúde. Foram convidados representantes de
associações de bairro, terreiros e escolas. Participam do debate profissionais
da Secretaria Municipal da Reparação, do grupo de trabalho Saúde da População
Negra, Associação Baiana de Doenças Falciformes e outras Hemoglobinopatias
(Abdfal), Ministério da Saúde e Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Ufba.
Durante a quinta e sexta-feira, serão capacitados cerca de 400 agentes do PSF e
120 odontólogos.
A Tarde,
04/10/2005
Nacional
Saúde
Laboratório reduzirá em 46% preço de remédio antiaids
Demétrio Weber
Agência Globo
BRASÍLIA – O Ministério da Saúde e o laboratório norte-americano Abbott
chegaram a um acordo para reduzir em 46% o preço do remédio antiaids Kaletra,
anunciou ontem o ministro da Saúde, Saraiva Felipe. O acerto deve ser
formalizado até amanhã, pondo fim à queda-de-braço em que o governo ameaçava
quebrar a patente do medicamento.
O acordo permitirá economia de US$ 339,5 milhões (R$ 757 milhões) entre 2006 e
2011, segundo estimativa do Ministério da Saúde. O preço por cápsula do Kaletra
cairá de US$ 1,17 para US$ 0,63. Além da redução, o laboratório deverá doar ao
governo um lote de outros remédios no valor total de US$ 3 milhões, como é
praxe nas renovações de contrato. Por conta disso, Saraiva Felipe considerou
que o preço final do Kaletra ficaria em US$ 0,59 por cápsula.
O Abbott não comentou as declarações de Saraiva Felipe, uma vez que o acordo
ainda não foi assinado. O laboratório informou apenas que o preços do Kaletra
no Brasil – tanto o valor atual quanto o reduzido – são os menores no mercado
mundial.
A ameaça de quebrar a patente do Kaletra foi feita, em junho deste ano, pelo
então Ministro da Saúde, Humberto Costa. O governo chegou a dar o primeiro
passo nesse sentido, declarando o medicamento como de utilidade pública e
anunciando que seria produzido no laboratório Farmanguinhos, da Fundação
Oswaldo Cruz, a partir do próximo ano para consumo exclusivo do SUS (Sistema
Único de Saúde).
ALTO CUSTO – Dias depois, no auge da negociação, Costa perdeu o cargo na
reforma ministerial feita para ampliar a participação do PMDB no governo, mas
tanto a ameaça de licenciamento compulsório, como as negociações, continuaram
com o sucessor, Saraiva Felipe. A medida não chegaria a ser novidade, pois Os
Estados Unidos já quebraram a patente de medicamento contra Antraz, após os
ataques terroristas de 2001, e a China contra o Viagra.
O Kaletra é um dos 17 remédios do coquetel antiaids distribuído gratuitamente
pelo governo na rede pública de saúde. Estão em tratamento 163 mil pacientes,
dos quais cerca de 23 mil consomem o Kaletra. A aquisição de todos os
medicamentos do coquetel para tratar 163 mil pacientes custará este ano R$ 1
bilhão.
Correio da Bahia, 03/10/2005
Aqui Salvador
Falta de
equipamento pode ser causa da morte de paciente em posto de saúde
Família denuncia que unidade de Itapuã possuía apenas
um balão de oxigênio
Fernanda Carvalho
Aparelhagem insuficiente nos postos municipais de
emergência, únicos a funcionar durante os finais de semana, tem obrigado
pacientes a brigar pelo direito de viver. No Centro de Saúde Dr. Hélio Machado,
em Itapuã, duas pacientes necessitaram, na manhã de ontem, de respiração assistida
por balões de oxigênio, mas a unidade só dispunha de um equipamento. Vítima de
afogamento, Rafaela da Silva, 7 anos, conseguiu sobreviver. A doméstica Adriana
de Jesus Lopes, 31 anos, não teve a mesma sorte. "Minha irmã morreu porque
na sala de reanimação só tinha um balão de oxigênio para salvar duas vidas. A
opção foi de salvar a criança", lamentou André Lopes.
Indignado com a falta do equipamento, Lopes narrou que a
irmã deu entrada na unidade de saúde às 7h sofrendo de crise asmática e hipertensão.
O quadro clínico da paciente vinha sendo controlado com medicações, mas, ao
presenciar a entrada da menina vítima de afogamento que chegou desacordada ao
centro, Adriana Lopes teve uma nova crise. "O médico disse que chegou a
tentar tirar o balão de oxigênio da menina e passar para minha irmã, mas a
família reivindicou o equipamento, como ninguém da nossa família estava lá, deu
no que deu", conta André.
A comoção era grande no centro de saúde. Enquanto familiares
de Adriana choravam sua morte, parentes da pequena Rafaela não conseguiam
conter as lágrimas de felicidade por ter a vida da menina salva. Rafaela foi
retirada do mar por salva-vidas e conduzida ao centro de saúde desacordada pelo
Salvar. "Graças a Deus, o atendimento foi 100%", agradeceu emocionado
o pai Mozaniel Carvalho Santos, que, do lado de fora, aguardava a recuperação
de Rafaela com a outra filha Rebeca Lisboa da Silva, 10 anos, que também estava
se afogando na Praia de Jaguaribe quando o analista de sistema Gildo Ribeiro
tentou salvá-las. "Estava caminhando na praia e vi as crianças gritando
por socorro no raso. Fui lá para dar um carão de que isso não era brincadeira,
mas chegando lá também não dei pé. Mandei elas se abraçarem em mim e tentei
voltar. Quase me afogo também. Só consegui tirar do mar Rebeca", conta o
homem, que recebeu o título de herói e um abraço emocionado de Rebeca.
A emoção da família foi ainda maior ao tomar conhecimento de
que a sobrevivência de Rafaela custou a vida de uma outra jovem. "Estou
chocado, não sabia que isso tinha acontecido. Um posto médico desse ter só um
balão de oxigênio é um absurdo", considerou Mozaniel Carvalho, que negou
aos familiares de Adriana a versão de que a família teria reivindicado o
equipamento. "Isso não aconteceu. Estava na sala, mas em momento nenhum
soube que outra paciente precisava do balão. Se isso tivesse acontecido, teria
cedido porque minha filha já estava até melhor, falando".
Negativa - O responsável pelo posto de saúde nega que duas
vidas disputassem um único balão de oxigênio. "Temos dois pontos de
oxigênio na sala de reanimação. Falhas no sistema existem, mas não foi o caso
de hoje", garante o gerente Eduardo Florentino, que fez questão de mostrar
à reportagem toda a infra-estrutura do centro de saúde. A unidade de atendimento
24 horas, que registra, em média, a entrada de 200 pacientes adultos e crianças
por dia, conta com consultórios, leitos de observação, sala de raios-X, de
sutura e até laboratório. Na sala de reanimação, uma única maca estava equipada
com balão de oxigênio, aspirador, oxímetro de pulso e cardioversor, aparelho
utilizado na reanimação de pacientes.
No meio de tantas versões desencontradas, o médico
Bartolomeu Santos, que atendeu as duas pacientes, confirma a insuficiência de
equipamentos. "Realmente só temos um ponto de oxigênio, por isso tivemos
que priorizar quem mais precisava", justifica, dizendo ter convencido a
família de Rafaela, em poucos instantes, a ceder o balão para a paciente que
teve nova crise após a chegada da menina. "Estávamos tentando estabilizar
o quadro dela com medicamentos, mas a crise reacendeu com a chegada da menina.
Quando voltamos a colocá-la no balão já foi tarde", conta o médico,
atribuindo a morte ao fato da paciente com histórico de hipertensão ter
utilizado em casa medicamentos que elevam a pressão arterial.
Informada do ocorrido, a assessoria de imprensa da
Secretaria Municipal da Saúde disse que o caso será devidamente investigado,
mas, em nota ao Correio da Bahia, adiantou que o Centro de Saúde Hélio Machado
não é uma unidade hospitalar e sim um serviço de pronto atendimento, com
capacidade para prestar assistência médica de urgência. Os casos mais graves,
diz a nota, devem ser encaminhados à rede hospitalar. A assessoria acrescenta
que uma checagem realizada ontem, à tarde, confirmou não haver qualquer
problema com o serviço de oxigênio do centro. O estado de saúde da paciente
também foi destacado na nota: "A paciente chegou ao centro com graves
problemas por hipertensão e o óbito decorreu da gravidade do seu estado e não porque
tenha faltado oxigênio para atendê-la". A assessoria conclui afirmando que
a paciente recebeu da equipe médica do centro "toda assistência
possível".
***
Número de postos reduzido
A população que já sofre com a precariedade do atendimento
prestado pelos 120 postos de saúde de segunda a sexta-feira enfrenta maior
dificuldade aos finais de semana, quando apenas 11 deles, que prestam
atendimento de emergência 24 horas, funcionam. "Acho que os postos
deveriam funcionar normalmente porque a gente não tem dia para adoecer",
comenta o aposentado Edalo Mioni, 67 anos, que apesar de morar em Itapuã há
cinco anos não sabia que o 7º Centro de Saúde Professor José Mariane só
funciona durante a semana.
Além do menor número de unidades de saúde e, por
conseqüência, de menor números de profissionais disponíveis, há que se destacar
a complexidade dos casos, geralmente associados a afogamentos ou ocorrências de
igual gravidade como tiros, facadas e acidentes automobilísticos.
"Geralmente a demanda é enorme. A gente não pára", conta Valdirene
Cordeiro, enfermeira chefe do 12º Centro de Saúde Alfredo Bureau, que apesar de
não prestar atendimento ambulatorial aos sábados e domingos permanece aberto
apenas para os atendimentos de emergência.
Na unidade, cinco auxiliares de enfermagem, dois
enfermeiros, dois clínicos, um ortopedista e um pediatra estão sempre se
revezando em esquema de plantão. "Temos equipe e todos equipamentos
necessários para garantir uma assistência de qualidade. Além do balão de
oxigênio nas duas macas disponíveis na sala de parada, todos os leitos de
observação também são equipados com balões", garante.
***
PLANTÃO MÉDICO
Postos Municipais que prestam atendimento médico 24 horas:
01 - Centro de Saúde São Marcos (Rua Coroado de São Marcos)
02 - Centro de Saúde Hélio Machado (Rua da Cacimba, Itapuã)
03 - Centro de Saúde César Vaz de Carvalho (Valéria)
04 - Centro de Saúde Rodrigo Argolo (Tancredo Neves)
05 - Centro de Saúde Adroaldo Albergaria (Periperi)
06 - Centro de Saúde Edison Barbosa (Pernambués)
07 - 5º Centro de Saúde (Vale dos Barris)
08 - 12º Centro de Saúde (Boca do Rio)
09 - 16º Centro de Saúde (Pau Miúdo)
Correio da Bahia, 03/10/2005
Aqui Salvador
Brasil será
pioneiro no uso da vacina contra rotavírus
Imunização contra a causa de 30% dos casos de diarréia
grave será oferecida no sistema público
Fernanda Carvalho
O vírus considerado principal agente causador de diarréia
infantil vai ser combatido no Brasil com doses de vacina. Por representar grave
ameaça à saúde, principalmente de crianças menores de 5 anos, provocando cerca
de 30% dos casos de diarréia grave, o rotavírus está na mira do Ministério da
Saúde. O Brasil será o primeiro país do mundo a incluir a vacina contra o
Rotavírus em seu sistema público de saúde. A previsão do Ministério da Saúde é
de oferecer, a partir do ano que vem, a vacina contra o rotavírus a pacientes
do Sistema Único de Saúde (SUS). A intenção é reduzir em até 42% as internações
hospitalares causadas por quadro de diarréia.
A novidade na imunização infantil deve estar disponível na
rede privada ainda no mês de outubro. "Até o dia 15, já devemos ter a
vacina disponível aqui em Salvador", adianta a enfermeira licenciada em saúde
pública Leir Burke, responsável pelo Datalab, o centro de apoio ao diagnóstico
da Promédica, que comercializará a vacina no país. O valor da dose de
imunização que poderá reduzir as chances de contaminação e o sofrimento das
crianças ainda não está sendo divulgado. "Não temos esta definição ainda.
Isso depende da taxação de impostos", explica a enfermeira.
A vacina, no entanto, só será recomendada exclusivamente
para crianças menores de 6 meses. "Esta é a recomendação do laboratório
fabricante porque é nesta faixa etária que se concentra o maior número de
casos", explica a especialista, acrescentando não haver reação adversa na
vacina, a não ser as manifestações corriqueiras a toda de imunização. Quando
passar a integrar o calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI), a
vacina que teve registro este ano no Brasil da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e já foi testada em todos os continentes em mais de 60 mil
crianças, será administrada apenas em recém-nascidos. O governo disponibilizará
oito milhões de dose da vacina por ano. Os recém-nascidos terão direito à
imunização gratuita aos dois meses e aos quatro meses.
"Na rede particular, a vacina vai poder ser
administrada a partir das seis semanas de vida. A primeira dose poderá ser tomada
a partir da sexta semana de vida com intervalo de quatro semanas entre as
doses", acrescenta Leir Burke. De acordo com o Datalab, estudos realizados
em 72.116 pacientes, sendo 65 mil na América Latina, constatou que a eficácia
da vacina foi de 74% de proteção, mesmo em crianças mal nutridas.
O rotavírus é um vírus com aspecto de roda responsável por
36,7% das gastroenterites agudas que acometem crianças menores de 5 anos.
Estatísticas apontam que, no Brasil, mais de 120 mil internações e cerca de
duas mil pessoas morrem em decorrência da doença. Mas nem os adultos estão
livres do contrair um dos cinco tipos de agente causador do Rotavírus. Como os
vírus são eliminados em grande quantidade nas fezes de pessoas infectadas, a
transmissão acontece via fecal-oral. Por isso, a prevenção está associada a
hábitos de higiene adotados em casa, como lavar as mãos antes de ir e depois de
ir ao banheiro e depois das refeições. Adultos que trocam fraldas de
recém-nascidos também não devem descuidar da higiene para evitar a proliferação
da doença cujo período de incubação varia de um a três dias. Os principais
sintomas são vômito, febre e diarréia líquida e constante, que pode evoluir
para desidratação.
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Tarde, 03/10/2005 Local Saúde |
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A Tarde, 03/10/2005
Internacional
Saúde
Consumo diário de até 6 gramas de sal reduz pressão arterial
Da Reuters
As pessoas devem reduzir o consumo diário de sal para no máximo seis gramas --
uma colher de chá, cheia -- a fim de reduzir sua pressão arterial e o risco de
doenças cardíacas e derrames, disseram especialistas na segunda-feira.
Um novo relatório do Conselho Pesquisas Médicas (MRC, na sigla em inglês) da
Grã-Bretanha, que reúne as evidências científicas sobre a ligação entre o sal e
as doenças, disse que reduzir a média de consumo de 9,5 para 6 gramas por dia
diminui em 13 por cento o risco de derrames e em 10 por cento o de doenças
cardíacas.
"Sentiu-se [que os 6 gramas] são um nível que traz benefícios
significativos para a saúde", disse Susan Jebb, diretora da pesquisa
médica e nutricional do MRC em entrevista coletiva. "E isso é possível de
se obter."
A Grã-Bretanha estabeleceu como meta que os adultos ingiram no máximo 6 gramas
de sal até 2010. Jebb disse que a União Européia e outros países estão
examinando o modelo britânico para estabelecer suas prioridades.
O sal é composto por 40 por cento de sódio e 60 por cento de cloro. As pessoas
precisam de sódio porque ele regula a água e transmite impulsos elétricos pelo
corpo. Mas bastaria um grama de sal por dia para que essas funções sejam
realizadas.
O sal em excesso eleva a pressão arterial, o que é um importante fator de risco
para doenças cárdio-vasculares, um dos principais fatores de morte no mundo. O
sódio faz o corpo reter mais água, e esse excesso de água aumenta a pressão
dentro dos vasos e artérias.
Paul Lincoln, executivo-chefe do Fórum Nacional do Coração, disse a jornalistas
que o sal é um importante fator, facilmente alterável, da hipertensão. Cerca de
75 por cento do sal consumido está oculto em comidas pré-processadas, segundo
ele.
"Comemos mais fritas do que todo o resto da Europa junto", disse
Lincoln. Cada pacote de batatas fritas contém cerca de 1 grama de sal. Carnes
processadas, queixo, cereais, pão e refeições prontas também contêm excesso de
sal.
O MRC pediu às indústrias de alimentos que reduzam o conteúdo de sal nos seus
produtos. Também recomendou aos consumidores que reduzam a quantidade de sal
usada no fogão e à mesa.
As pessoas também deveriam ler o rótulo dos alimentos para escolher os produtos
menos salgados. "Precisamos que os consumidores reconheçam a importância
de reduzir a ingestão de sal", disse Jebb.
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O Clipping
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