Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir Pessini

 

  Clipping On-line

Ano 6 , n.217

De 17/10 à 23/10/05  

 

Sumário de Matérias

 


-Um sistema de recompensas que realmente funcione, Revista HSM Management. Ano 9, n.52, set./out.2005

-Planejar é essencial para o sucesso, A Tarde, 23/10/2005

-Investigação no Roberto Santos, A Tarde, 21/10/2005

-Droga revela eficácia contra câncer de mama, A Tarde, 21/10/2005

-Programa Saúde da Família já atende 44% da população baiana, Correio da Bahia, 21/10/2005

-Universidade,Invenção ocidental, Revista Ensino Superior. Edição 85, out./2005

-Pesquisa revê probabilidade do risco em cirurgias de estômago, A Tarde, 20/10/2005

-Pesquisas científicas com seres humanos ainda causam polêmica, Correio da Bahia, 19/10/2005

-Hospitais devem elaborar plano de gerenciamento dos resíduos, Correio da Bahia, 18/10/2005

-O que é a gripe das aves?, A Tarde, 17/10/2005


Revista HSM Management. Ano 9, n.52, set./out.2005

 

ACESSE UPDATE
Um sistema de recompensas que realmente funcione

Temas | Recompensas, Gestão de pessoas, Incentivos

 

Publicado | Setembro/Outubro

Isso é possível? Sim. Basta que esteja alinhado com a estratégia da empresa. Quando esse alinhamento não acontece, você pode estar estimulando comportamentos indesejáveis. Artigo Harvard.

 

Leia o artigo na íntegra


A Tarde, 23/10/2005

Empregos

 

Empresas
Planejar é essencial para o sucesso

Empresas brasileiras ainda negligenciam o processo, enquanto multinacionais prevêem ações por até 15 anos

GERALDO BASTOS


A importância do planejamento estratégico como ferramenta decisiva do desenvolvimento institucional encontra hoje grande reconhecimento, seja no âmbito empresarial ou entre órgãos públicos e entidades da sociedade civil.

Para os administradores e consultores de empresas, a organização sem planejamento é como um barco à deriva, sem rumo, que não age, apenas reage às marés e ao vento. Em outras palavras: as mudanças são constantes e aceleradas e as empresas que não forem capazes de se planejar, com uma visão muito clara de como diferenciar-se de seus concorrentes, serão facilmente aniquiladas por eles.

“Planejar é o exercício de fazer escolhas. É a construção de um caminho que possibilita sair da situação atual para a desejada”, diz Paulo Manso Cabral, diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ele explica que o planejamento estratégico determina o rumo da organização nos próximos anos, como ela vai chegar lá e como ela vai saber se chegou lá ou não.

Manso Cabral conta que o empreendedor que utiliza o planejamento terá uma série de diferenciais em relação ao seu concorrente. “Somente um bom planejamento permite que o empresário corrija rumos e se ajuste aos novos tempos”, observa.

TEMPO – O diretor do Sebrae ressalta que as pequenas e microempresas brasileiras ainda negligenciam a arte de planejar. “Muitas vezes, o empresário tem que dar conta de uma série de atividades. Cuidar do negócio, da relação com fornecedores, clientes, governo, família, que acaba abrindo mão do planejamento”, enfatiza Manso Cabral. “Mas é preciso reservar um determinado momento do dia para ter a tranqüilidade para planejar, pensar, criar e recriar”, recomenda.

É o que faz o empresário Luciano Mandelli, proprietário da Tidelli – especializada na produção de móveis para áreas externas. Ele conta que a empresa que deseja crescer e se consolidar no mercado precisa ter um plano de negócios, onde possa tirar o máximo proveito dos seus diferenciais competitivos.

Na Tidelli – conta o empresário – cada setor tem suas metas. Existem ainda as metas individuais para cada funcionário e para cada loja que revende os produtos da empresa. “Sem metas não há planejamento”, frisa Mandelli.

AMEAÇAS – Cristina Maslowsky, gerente de marketing da Claro, diz que o planejamento estratégico na empresa é feito pelo menos uma vez ao ano, entre os meses de novembro e dezembro. Com isso busca-se traçar objetivos e metas para o ano seguinte, definindo um projeto consistente para a organização. “Ao adotar essa ferramenta de gestão, a empresa visa conhecer suas forças, identificar as ameaças e oportunidades do mercado e, a partir daí, definir prioridades e planejar ações”, afirma Cristina.

Para o consultor Eduardo Ramos Mota, da empresa paulista Mota & Company, quem não planeja o seu futuro torna-se mais vulnerável às oscilações e mudanças no mercado. Planejamento, diz ele, é uma ferramenta de gestão que tem como propósitos ajudar a empresa a realizar um trabalho melhor, focar sua energia e garantir que os membros da organização estejam trabalhando em direção aos mesmos objetivos. “É o esforço disciplinado para que sejam tomadas decisões fundamentais e que sejam colocadas em prática as ações que modelem e guiem a empresa para que ela saiba o que é, o que faz e por que faz, com foco no futuro”, assinalou.

FUTURO – Jayme Nigri, sócio-diretor da consultoria New Marketing, explica que, nas grandes empresas, o planejamento estratégico é desenvolvido com a assistência de profissionais experientes que, após a análise do cenário atual, “constroem” o cenário futuro procurando antecipar todas as variáveis, definindo as ações a serem implementadas para atingir a vantagem competitiva desejada. As multinacionais trabalham com planejamentos para 10 ou até 15 anos. “Mas pensar a empresa de forma estratégica para os próximos dois ou três anos é mais do que suficiente”, conta Nigri.

Ele diz ainda que o planejamento é uma das maiores armas para se atingir o sucesso. Planejar, acrescenta o consultor, é estudar o mercado, analisar a concorrência, elaborar um plano de ação baseado em estatísticas, dados, expectativas, e muitas outras informações. Porém – ressalta ele – as empresas brasileiras não têm a cultura do planejamento.

“O planejamento ainda é algo novo e desconhecido para as organizações”, garante Nigri. “As equipes não buscam estudar o mercado e analisar a concorrência para criar o seu próprio planejamento; elas apenas recebem as metas e executam as atividades conforme as necessidades imediatas”, enfatiza.

Etapas a seguir

Não há um modelo fechado, mas o planejamento estratégico usualmente passa por quatro fases:

Avaliação estratégica

·  Identificação dos principais aspectos facilitadores (oportunidades) e dificultadores (ameaças) encontrados no ambiente externo. E também a identificação dos aspectos facilitadores (forças) e dificultadores (fraquezas) encontrados no ambiente interno da empresa.

Definição das prioridades

·  Consiste basicamente em responder à pergunta: o que não pode deixar de ser feito pela empresa para fazer frente às ameaças e às fraquezas e para potencializar as oportunidades e as forças?

Programação das ações

·  Deve-se definir como fazer (as ações necessárias), quem vai fazer (os responsáveis por sua realização), quando vai ser feito (os prazos de realização) e quanto vai custar (os recursos financeiros necessários).

Monitoração

·  O acompanhamento permanente das etapas anteriores é que vai garantir os bons resultados.

Fonte: Eduardo Ramos Mota (Mota & Company)


A Tarde, 21/10/2005

Local

 

Saúde
Investigação no Roberto Santos

Quatro mortes na mesma enfermaria em menos de 40 dias motivaram denúncias contra o hospital levadas ao MP

Cláudia Oliveira


O Ministério Público foi acionado ontem pelo representante comercial Jânio Barreto para apurar denúncias de negligência médica no Hospital Geral Roberto Santos. A denúncia teve como base o fato de quatro pacientes internadas na mesma enfermaria (Ala B, 4º andar) terem morrido em menos de 40 dias.

Uma das pacientes era a sogra de Barreto, Margarida de Araújo Aragão, 75 anos, que morreu na última quarta-feira no Roberto Santos e foi enterrada ontem à tarde no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo.

É mais um dos processos em apuração no Ministério Público contra o Hospital Roberto Santos. A promotora de justiça da área criminal Wanda Valbiraci disse que não podia precisar o número de casos em andamento ontem porque precisava de tempo para fazer o levantamento. Mas certificou que há várias denúncias contra o Roberto Santos e outros hospitais da capital, por motivos como erro de profissionais na área de saúde como imperícia, imprudência e negligência.

A promotora falou que ainda não tinha tomado conhecimento da denúncia formulada pelo representante comercial, mas falou que será iniciada a investigação. O denunciante será notificado para prestar declarações e, depois de pegar com ele a autorização para o acesso ao prontuário médico da paciente, a promotoria vai solicitar o laudo pericial para tomar as decisões sobre o encaminhamento do caso.

Três das pacientes que morreram, inclusive dona Margarida, foram citadas em reportagem publicada em A TARDE no dia 14 de setembro deste ano, que mostrou o contraste entre a alta tecnologia e a precariedade no atendimento em enfermarias do Roberto Santos. Na Ala B, do 4º andar, além de dona Margarida estavam as pacientes Eneldina Francisca Silva, 75 anos, e Iracema Araújo dos Santos, 33 anos.

Com problemas vasculares, as pacientes estavam em um quarto com camas enferrujadas. O mesmo acontecia com armários onde eram guardados os pertences das doentes. Nos banheiros que usavam, não havia tampa para o vaso nem chuveiro elétrico. A maioria das pacientes tinham lençóis, travesseiros e cobertores levados por parentes.

Quando entrevistada por A TARDE no mês passado, Iracema Araújo, que aparece com nome fictício de Joana, disse que ficava com a fralda suja de fezes e urina até que o marido fizesse a limpeza. Dona Eneldina gritava de dor e ficou por mais de uma hora (tempo de observação da repórter no local), sem atendimento.

Indignado com o tratamento recebido pela sogra durante internamento no Roberto Santos, Jânio Barreto disse que além do Ministério Público, vai acionar o Conselho Regional de Medicina. O Cremeb, por meio da Corregedoria, informou que também apura denúncias contra esse e outros hospitais, mas o teor das denúncias não podia ser revelado porque não houve julgamento e sentença.

Barreto contou que a sogra foi internada no Roberto Santos com o dedo do pé necrosado, devido a diabetes; precisava fazer uma angioplastia e um cateterismo. “Ela morreu, o exame não foi feito, diziam que ela tinha que esperar porque havia quatro ou cinco pacientes na frente para fazer a arteriografia, enquanto isso ela ficou tomando uma bateria de antibiótico”, atestou.

O quadro de dona Margarida, segundo sua filha Marúzia Cristina de Almeida, foi se agravando. No dia 25, a diretoria do hospital informou que ela não podia fazer a angioplastia porque apresentava quadro de insuficiência renal. “Ela não tinha problema renal antes de entrar no hospital, foi aqui que começou a piorar”, comentou revoltada.

“Minha mãe ficou desidratada, não estavam mais achando as veias dela para aplicar o soro, ela ficou toda ferida”. Marúzia disse que a mãe começou a ficar nervosa, cheia de hematomas e sofreu assédio moral por parte de um médico. Segundo ela, o médico teria dito que o coração de dona Margarida estava inchado, que ela só tinha 30% do funcionamento dos rins. Por conta disso, a auto-estima da paciente baixou e ela teria ficado depressiva.

Devido a esses problemas, Marúzia disse que resolveu tirar a mãe do hospital, pedindo alta no dia 6 de outubro. Ela atestou que pediu um relatório médico sobre a situação da mãe, mas apenas informaram os procedimentos que foram feitos e quais remédios dona Margarida teria tomado. “Mas tenho certeza que ela saiu daqui com quadro infeccioso e a gente não sabia”.

No dia 8, dona Margarida piorou, foi internada na Unidade de Saúde Maria Conceição Imbassahy e no dia 10, transferida para a UTI do Roberto Santos. “A médica do Maria Conceição Imbassahy concluiu que ela estava com quadro de infecção generalizado desde o tempo que esteve internada no Roberto Santos”, acrescentou Marúzia.

Higiene de paciente era feita pelo marido

O marido da paciente Iracema Araújo, que tinha aneurisma abdominal, Cosme dos Santos, 30 anos, disse que o quadro da mulher era “gravíssimo” e mesmo assim ela ficou na enfermaria junto com outras pacientes e expostas à infecção. Iracema esteve internada no Hospital Roberto Santos há cinco meses, passou por uma cirurgia e teve alta. Voltou a ser internada com aortite (inflamação da aorta) no Hospital Santo Antônio e transferida para o Roberto Santos novamente.

Emocionado e chorando muito a perda da mulher, que morreu no dia 27 de setembro, Cosme dos Santos disse que Iracema teve hemorragia e infecção no hospital. “Nos últimos três dias, vi que ela estava inchando demais, chamei o médico e eles diziam que era gazes e efeito do remédio, até que ela ficou mal e fizeram a cirurgia às pressas”. Ele certificou que houve morosidade na assistência.

Cosme falou que a mulher foi bem-tratada por membros da equipe médica, mas que isso não foi regra. Alegou que presenciou descaso de alugns profissionais com ela e outros pacientes, bem como a falta de higiene. “O banheiro que era usado pelas pacientes era o mesmo que a gente usava. Achava isso errado, tanto que limpava o banheiro toda vez que Iracema precisava”.

Era Cosme dos Santos quem trocava a fralda de Iracema e dava banho, além de colocar pomadas nas feridas que ela contraiu durante a internação. Ele disse que o colchão que ela dormia estava fundo, pegando no lastro da cama.

Cosme dos Santos falou que não vai procurar a Justiça. “Não sei se vai adiantar alguma coisa. Mas o que queria era que quando ela começasse a inchar, que eles tomassem logo uma providência, só fizeram isso quando não tinha mais jeito”, destacou o viúvo que era casado com Iracema há 11 anos e teve duas filhas. “A gente cuidava um do outro, agora tenho que cuidar de mim e das minhas filhas, sem ela”.

Não temos curso de Deus, diz coordenadora

O diretor-geral do Hospital Roberto Santos, José Carlos Pitangueira, recebeu a equipe de reportagem na última quarta-feira, mas não quis falar sobre as pacientes. “Para mim elas estão vivas, estou sabendo que dona Margarida morreu agora”, disse, surpreso, enquanto acompanhava a equipe até a portaria.

Pitangueiras não permitiu o acesso à enfermaria. Disse que estava ocupado com a inauguração, ontem, do Laboratório de Educação Continuada em Terapia Intensiva do hospital.

A Secretaria de Saúde do Estado respondeu às acusações por meio de Maria Nita Ferraz, da Superintendência de Regulação, Promoção e Assistência à Saúde. A princípio, Maria Nita destacou que o Roberto Santos, nas duas últimas avaliações de qualidade com foco no controle de infecção, apresentou níveis acima do esperado, de 70% de qualidade.

Acrescentou que o índice de infecção hospitalar é de 3%, abaixo do aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que segundo atestou, é de 5%. Falou ainda que o índice de morte é 7% do total de internações. São duas mil internações por mês em média. “Um número excelente para um hospital do porte do Roberto Santos, abaixo do que aceitável pela OMS, que é de 10%”, afirmou.

Quanto ao caso de dona Margarida, falou que a paciente era idosa, diabética, foi internada com esquemia dos membros inferiores e não fez a arteriografia por contra-indicação, uma vez que apresentava insuficiência renal, problema apresentado mesmo antes de ela ter sido internada, segundo a superintendente. Ela disse ainda que não é preciso entrar na fila de espera para realizar o procedimento, tido como prioridade para pacientes internados.

A superintendente Maria Nita atestou que a alta solicitada pela família foi a contragosto da equipe médica e foi em casa que a paciente teria se debilitado e enfartado.

A causa da morte apontada pelos médicos foi insuficiência vascular, e as doenças pregressas foram a diabetes e a hipertensão arterial. “Tudo que podia ser feito pela paciente foi feito”, afirmou, garantindo que não acredita nas denúncias de que algum médico teria humilhado a paciente.

Sobre Iracema Araújo, a representante da Sesab, Maria Nita Ferraz, destacou que a paciente morreu por ruptura do segundo aneurisma de aorta. No tratamento, segundo Maria Nita, Iracema apresentou seroma abdominal (uma espécie de acúmulo do líquido no abdômen), que foi drenada e não resistiu à cirurgia do segundo aneurisma.

Falou que a paciente não teve infecção e que o fato de estar em uma cama com ferrugem, ou usando lençóis e toalhas que eram trazidos de casa, não apresentava risco de infecção hospitalar.

A outra paciente que dividia o quarto com dona Margarida e Iracema, Eneldina Francisca Silva, 75, morreu por infarto agudo no miocárdio e segundo a Sesab também não teve quadro de infecção.

A coordenadora de gestão da qualidade da Sesab, Márcia Aparecida Feistauer Gomes, atestou que os pacientes idosos chegam ao hospital apresentando vários problemas de saúde. “Não temos curso de Deus, por isso que as pacientes de 75 anos morrem”, atestou.

A Vigilância Sanitária do Estado, por meio da diretora Raylene Logrado Barreto, informou que, no segundo semestre do ano, foi feita uma inspeção no Hospital Roberto Santos. Ela disse que o relatório está sendo concluído e que o hospital foi orientado a fazer algumas adequações a exemplo da manutenção de alguns equipamentos como armários, camas e suportes de soro.

Ela atestou, no entanto, que não foi identificada nenhuma situação de risco para os pacientes nem funcionários.

Dados do hospital

A unidade, com 700 leitos, tem 2.382 funcionários, sendo 400 médicos

·  Atendimentos: 20 mil, sendo 12 mil pela emergência e 8 mil pelo ambulatório
Revascularização - 30

·  Cirurgias vasculares - 600

·  Procedimento invasivos (eventos cirúrgicos) - 1.200

·  Ressonância Magnética - 400

·  Tomografia computadorizada - 600

·  Radiografias - 80 mil

·  Procedimentos no Centro de Feridos : 2 mil

·  Exames laboratoriais - 90 mil

·  Funcionários - 2.382, sendo 400 médicos

·  Leitos: 700
Alguns Serviços

·  Tratamento de hemorragias digestivas

·  Insuficiência renal crônica

·  Gravidez de alto risco

·  Prematuros e prematuros extremos

·  Suporte avançado em UTI - 106 leitos e UTI semi-intensiva

·  UTI neonatal, pediátrica e UTI geral

·  Neurocirurgias para tumores, aneurismas cerebrais, traumatismos da coluna

·  Tratamento do pé-diabético devido a insuficiência renal crônica

·  Centro de feridos que atende a 200 pessoas por dia

·  Exames laboratoriais

Denúncias

Para efetuar denúncias em unidades hospitalares
no Ministério Público

·  Dirija-se ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias Criminais

·  Av. Joana Angélica, 1.312 - Nazaré, de segunda a sexta, a partir das 13 horas (atendimento por ordem de chegada)
Na Vigilância Sanitária

·  (71) 3270-5775, divisa@saúde.ba.gov.br


A Tarde, 21/10/2005

Internacional

 

Estados Unidos
Droga revela eficácia contra câncer de mama

O medicamento Herceptina reduziu em certa de 50% a reincidência de um câncer de seio pouco avançado do tipo mais agressivo, segundo três testes clínicos publicados nos Estados Unidos pelo New England Journal of Medicine. O editorial da revista destacou que os resultados não representam “uma simples evolução no tratamento contra o câncer, mas uma evolução”.

Richard Gelber, do Instituto Oncológico Dana-Farber, que dirigiu as análises estatísticas de um dos testes, disse que se trata do resultado mais espetacular de um tratamento anticancerígeno que ele já observou.

A Herceptina, nome comercial do trastuzumab, é eficaz contra cânceres de seio tornados muito agressivos pela proteína HER2. Precisamente, o que o medicamento faz é neutralizá-la. 


Correio da Bahia, 21/10/2005

Aqui Salvador

 

Programa Saúde da Família já atende 44% da população baiana
Coordenador de atenção básica da União elogia aumento da cobertura

 

PSF atua nas áreas mais pobres, onde tem evitado óbitos por causas banais

Ao participar, na manhã de ontem, na sala de reunião da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia(Sesab), do lançamento do Guia de Protocolo de Saúde - Atenção Básica, o coordenador de atenção básica do Ministério de Saúde, Luís Fernando Rolim Sampaio, destacou o significativo avanço registrado pelo Programa Saúde da Família (PSF) na Bahia que, nos últimos dois anos, passou de uma cobertura de cerca de 12% da população do estado para os mais de 44% atuais, já abrangendo 380 municípios baianos.

"Ficamos satisfeitos em constatar que mais do que expandir o número de equipes de PSF, a Sesab está empenhada em qualificar e dar condições para que o Programa de Saúde da Família funcione com qualidade e eficiência", disse Luís Fernando Rolim Sampaio, após ressaltar a importância do Programa de Certificação da Atenção Básica, implantado pelo governo do estado.

Pioneiro no país, o Guia de Protocolo de Saúde - Atenção Básica foi, a princípio, distribuído para os 13 municípios baianos com população superior a cem mil habitantes. A publicação, que em breve será repassada aos demais municípios do estado, visa estimular a melhoria da qualidade da atenção primária prestada à população com vistas à promoção da saúde e à prevenção de agravos, bem como seu tratamento e reabilitação no primeiro nível de atenção dos sistemas locais de saúde.

O novo guia foi produzido através do projeto Saúde Bahia, sob a coordenação do médico Flávio Will, a partir de uma ampla discussão com todas as áreas técnicas da Sesab e o envolvimento direto de mais de 170 profissionais de saúde do estado e dos municípios. "A expectativa é que essa publicação impulsione ainda mais o atual processo de expansão e qualificação do Programa de Saúde da Família (PSF) no estado", afirmou o secretário da Saúde, José Antônio Rodrigues Alves.

Ao lado da superintendente de Planejamento da Sesab, Maria do Carmo Tambone, o secretário destacou ainda, em seu breve pronunciamento, que a atenção básica, embora não seja uma atividade precípua do estado, vem contando com uma atenção especial da Sesab, sobretudo no que diz respeito à implantação e à qualificação das equipes de PSF.

Segundo José Antônio Rodrigues Alves, expandir o PSF significa reorganizar o modelo de atenção à população. "O Programa de Saúde da Família constitui uma importante porta de entrada do sistema público de saúde e deve assegurar a assistência integral à população. Por isso, o monitoramento e a avaliação dos serviços de atenção básica vêm sendo priorizados pela Sesab", afirmou.

Na avaliação da secretária municipal de Saúde de Feira de Santana, Denise Lima Mascarenhas, o novo guia será de fundamental importância no sentido de reestruturar as ações de saúde nos municípios, facilitando sobretudo o trabalho daqueles que atendem diretamente à população. A secretária de Saúde de Jequié, Luzia Cavalcanti Pedrosa, concorda e acrescenta que se trata de um marco de orientação, uma bússola para orientar todos aqueles profissionais que trabalham diretamente com o PSF.

***

PSF evita óbitos por causas banais

Cada equipe do PSF é composta por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde. Segundo Efigênia Cardoso, diretora de Promoção da Saúde da Sesab, o PSF atua nas áreas mais pobres de cada município, onde tem contribuído para evitar óbitos por causas banais, como a desidratação infantil.

A mudança, acrescenta Efigênia, começa pela ação do agente comunitário de saúde, cuja principal tarefa é fornecer informações em saúde às famílias. Quando o agente encontra alguém doente, o atendimento passa a ser responsabilidade da equipe do PSF, primeiro da enfermeira e depois, conforme o caso, do médico, que irá cuidar do doente em casa ou, se necessário, na unidade do PSF.

A eficiência do programa pode ser avaliada a partir da constatação de que cerca de 80% dos casos atendidos por um agente comunitário são resolvidos pela própria equipe do PSF, sem necessidade de atendimento por médicos especialistas ou transferência para hospitais.

 


Revista Ensino Superior. Edição 85, out./2005

 

Universidade,Invenção ocidental
"São Universidades que fazem, hoje, com efeito, a vida marchar.Nada as substitui.Nada as dispensa.Nenhuma outra instituição é tão assombrosamente útil" Anísio Teixeira

 

 

Sylvia Miguel

Dedicadas à formação de bispos e monges, as escolas episcopais e as monacais foram as primeiras instituições responsáveis, entre os  séculos VI e XXII, pela transmissão de conhecimentos, desde os elementares como leitura, escrita e aritmética, até os mais sofisticados e especializados, como teologia, medicina e direito.

Os cursos eram gratuitos e, inicialmente, serviam apenas àqueles que pretendiam seguir a carreira sacerdotal.

Ao longo do tempo, no entanto, passaram a ser cada vez mais abertos, procurados por nobres e plebeus.

 Corbis

 Aula anatomia séc XVII, quadro de Rembrandt


Ao mesmo tempo, o saber passava a ser visto como um meio de ascensão social.

Na Europa da Alta Idade Média e parte da Baixa Idade Média, só podia lecionar quem tivesse a licença docente concedida pelo bispo responsável por determinada jurisdição.

O conhecimento estava, portanto, sob o controle da Igreja.

Porém, o conceito de que a Idade Média foi a "Idade das Trevas" vem sendo contestado por diversos estudiosos. Vale lembrar que, nessa época, plantaram-se as sementes do Renascimento, surgiram as universidades e também os primeiros intelectuais, conforme a acepção atual do termo.

Trata-se dos chamados mestres livres.

Com sua atuação docente independente do controle da Igreja, esses mestres livres foram os agentes responsáveis pelos primórdios do que hoje conhecemos como universidade.

Formados nas escolas episcopais, ofereciam seu trabalho para quem se interessasse, inclusive em feiras, como qualquer outro profissional.

Atuavam em locais diversos, onde fossem contratados, servindo a nobres e plebeus, enfrentando o domínio da Igreja e lecionando sem a licença concedida pelos bispos, num movimento que começou por volta do século 10.

 Corbis


As cidades que começaram a florescer no período tinham interesse no trabalho desses intelectuais, afirma Maria Lúcia Hilsdorf, da Faculdade de Educação da USP, que acaba de concluir um estudo sobre o tema.

"A atuação deles atraía estudantes e, conseqüentemente, intensificava as atividades sociais e econômicas das cidades nascentes", afirma a professora.

O resultado da sua pesquisa se transformou no livro.

O aparecimento da Escola moderna: uma história ilustrada, ainda no prelo, aguardando lançamento pela editora Autêntica.

Pedro Abelardo (em francês Pierre Abélard, 1079-1142), cristão nutrido na filosofia antiga e tido como o primeiro intelectual pelo historiador Jacques Le Goff, torna-se célebre pela força de sua oratória, utilizada para promover a aliança entre razão e fé com a junção da dialética e da teologia, renovando assim os estudos das Sagradas Escrituras.

Ainda jovem, saía sempre vitorioso dos embates discursivos que travava com seu mestre Guillaume de Champeaux (1070-1121), acabando por ocupar seu lugar como preletor (mestre) na escola da catedral de Paris.

Após o envolvimento amoroso com uma jovem pupila, Heloísa, sobrinha do cônego Fulbert, sua vida tornou-se tumultuada com episódios dramáticos que incluíram sua castração pelo delito amoroso.

Entre outros mestres livres famosos, a professora Maria Lúcia cita o filósofo e teólogo italiano São Tomás de Aquino (1227-1274), o flamenco Sigerio de Brabante (1235-1284) e também o francês São Bernardo de Claraval (1090-1153).

Cada mestre livre tinha suas próprias especialidades e os alunos acorriam a eles de acordo com seus interesses intelectuais e crenças.

Foi este movimento que propiciou que centros urbanos como Montpellier, na França, e Bolonha, na Itália, por exemplo, se especializassem no ensino de medicina e direito, respectivamente, diz a professora Maria Lúcia.

Foi também aquele fluxo que permitiu que as mais renomadas escolas da época instaurassem uma espécie de autonomia em relação ao monopólio anterior da Igreja, afirma a professora Lênia Márcia Mongelli, organizadora da obra Trivium e Quadrivium -- as artes liberais na Idade Média, da Editora Íbis.

É no século XII que surgem os chamados Studia Generalia. Para estar nessa categoria, a escola deveria basicamente cumprir três quesitos: convidar estudantes de todas as partes, ter pelo menos um dos cursos de formação profissional da época (teologia, direito e medicina), além de possuir vários mestres.

Foi assim que surgiram três grandes centros da ciência.

O primeiro em Salerno (1150), outro em Bolonha (1158) e depois Paris (1220), considerados por alguns autores como as primeiras universidades.

No início do século XIII, segundo Maria Lúcia, os mestres já constituíam corporações de ofício, de modo a organizar os direitos e os deveres da profissão.

A partir desse conjunto de saberes oferecidos por uma corporação de ofício intelectual é que nasceu o termo universidade (universitas), afirma a pesquisadora.

Ou seja, ofereciam todos os saberes estudados na época para todo tipo de interessado.

Em Bolonha nasceu aquela que depois seria considerada a primeira universidade da Europa, mas foi em Paris que apareceu a maior delas, tornando-se modelo em todo o mundo.

Embora as universidades já existissem organicamente desde o século 12, sua criação oficial na primeira metade do século XIII foi uma conseqüência da reestruturação das antigas escolas monásticas, o que ocorreu no bojo dos progressos trazidos com a urbanização.

Nessa fase, "as disciplinas do Trivium subiram ao topo dos interesses acadêmicos", lembra a professora Lênia Márcia.
 
Studia Generalia
 
Fundamentados nos preceitos da Antiguidade Clássica (veja o quadro), os ditos "currículos" da época sofreram inúmeras modificações ao longo dos séculos e variavam inclusive conforme circunstâncias regionais.

O formato que se sedimentou foi inicialmente organizado por Boécio (475-524), que, ao retomar fontes gregas, agrupou as disciplinas do Trivium e do Quadrivium de forma a aplicá-las à interpretação da Bíblia.

As artes do Trivium compreendiam Retórica, Dialética e Gramática Latina e as ciências do Quadrivium eram Geometria, Música, Astronomia e Aritmética.

Chamadas de sete "artes liberais" porque visavam a formar o cidadão livre, dotado de virtudes e sabedoria, todas essas disciplinas formavam o "currículo" da então Faculdade de Artes.

O ensino não era seqüencial nem dividido segundo a idade.

As "artes liberais" funcionavam também como estudos preparatórios para os que pretendiam prosseguir carreiras mais especializadas nas faculdades profissionais.

Assim, a educação em Teologia era dada aos que tivessem aptidão para a carreira sacerdotal, ao passo que quem tivesse outros interesses buscava se tornar, por exemplo, médico, professor, advogado ou músico.
 
Crise e renascimento
 
Entre os séculos XII e XIII, com o florescimento das universidades, começam a se agrupar no entorno dessas instituições diversos pensionatos de estudantes, chamados "colégios".

Maria Lúcia conta que eram também pontos de encontro para alunos e mestres revisarem matéria e travar discussões filosóficas.

Muitos cursos já eram pagos e não era pequeno o número de alunos bolsistas e pensionistas sustentados por príncipes ou mesmo agrupamentos de interessados que formavam redes de ajuda, segundo Maria Lúcia. 

Entre os séculos XIV e XV, esses colégios pipocavam em todos os centros urbanos.

A cidade inglesa de Oxford, por exemplo, tinha 5.000 habitantes, dos quais 1.500 eram alunos de colégios, segundo Diana Vidal, da Faculdade de Educação da USP.
 
Os colégios assumiram então o papel de ensinar as sete artes liberais, antes atribuído às universidades medievais. "Eles tinham regulamentos reconhecidos e acabaram ficando com um ensino de 'nível secundário'.

As universidades deixaram para os colégios o ensino das artes liberais e ficaram com a parte profissional", explica Maria Lúcia.

Segundo a professora, os colégios tiveram maior flexibilidade em modernizar seus currículos ao contexto do Renascimento.

Daí o surgimento dos chamados colégios de humanidades, especialmente na França, Itália, Alemanha e Inglaterra.

"Ofereciam basicamente os mesmos conhecimentos de forma que o encaminhamento não culminasse na Teologia, mas na Filosofia Moral", observa.

A professora sustenta que as universidades não se abriram rapidamente ao conhecimento inovador proposto pelo humanismo.

Demoraram a assumir o estudo das ciências modernas, motivos que as levaram a perder prestígio no estudo de humanidades, comparativamente aos colégios, naquele período.

A partir daí até o século XVIII, a universidade vive um dilema por não ter um conceito claro sobre sua missão.

Houve um enfraquecimento das faculdades de Filosofia e o quase desaparecimento das faculdades de Teologia, enquanto surgiam as Ciências Literárias, Filológicas e Experimentais.

O desenvolvimento da ciência empírica começa a tornar evidente a insuficiência da formação clássica.

Em 1737, a universidade alemã de Gottingen pioneiramente colocou entre seus objetivos conciliar ensino e pesquisa.

Mas foi o filósofo alemão Guilherme Humboldt o primeiro a refletir sobre o papel da universidade.

Ele lançou, em 1809, as bases para a fundação da universidade de Berlim. Isso marcou o início da reforma do sistema educacional alemão, cujo modelo propunha que a universidade voltasse a ser independente e produtora de conhecimento por meio da pesquisa.

Tais fundamentos também se basearam nas reflexões dos pensadores alemães Hegel, Fichte e Schleiermacher.

 "A universidade, antes voltada à formação profissional, recobrou seu prestígio quando retomou a pesquisa, até então relegada a instituições que reuniam sábios e cientistas, como a Sociedade Real de Ciências da Inglaterra ou a Academia Francesa de Ciências", afirma Maria Lúcia.

É neste período que surgiram os diferentes perfis institucionais baseados nos modelos alemão, napoleônico, inglês e norte-americano.

 


A Tarde, 20/10/2005

Internacional

 

Estados Unidos
Pesquisa revê probabilidade do risco em cirurgias de estômago

Agência Estado
 
Chicago – O risco de morte depois de uma cirurgia de redução de estômago é maior do que se imaginava, até mesmo entre pessoas em seus 30 ou 40 anos, informa um estudo realizado com mais de 16 mil pacientes do Medicare (sistema público de saúde dos Estados Unidos).

Algumas pesquisas prévias feitas com pessoas entre 30 e 50 anos – a idade mais comum entre aqueles que optam pela cirurgia da obesidade – descobriram que a taxa de morte era de menos de 1%. Mas entre 35 e 44 anos, universo pesquisado no estudo do Medicare, mais de 5% dos homens e aproximadamente 3% das mulheres morreram dentro de um ano. Entre os pacientes de 45 a 54 anos, foram registradas taxas ligeiramente mais altas.

Entre pacientes de 65 a 74 anos, quase 13% dos homens e 6% das mulheres haviam falecido. ‘‘O risco de morte é muito superior ao que se havia informado anteriormente’’, disse o cirurgião David Flum, da Universidade de Washington, que liderou o estudo.

A pesquisa envolveu 16.155 pacientes que foram submetidos à gastroplastia entre 1997 e 2002. Ela será publicada hoje na revista especializada “Journal of the American Medical Association”.

Os pesquisadores reuniram todas as mortes, sem diferenciar suas causas. Mas entre as complicações letais da gastroplastia figuram desnutrição, infecção e problemas nos intestinos e na vesícula.

Flum disse que alguns estudos anteriores sobre a segurança desse tipo de cirurgia eram uma compilação ‘‘de informes dos melhores cirurgiões que apresentaram os melhores resultados’’. Agora, segundo ele, o novo estudo é uma análise de um mundo mais real.

A Sociedade de Cirurgia do Estômago dos Estados Unidos prognostica que serão realizadas cerca de 150 mil operações desse tipo no país durante 2005.


Correio da Bahia, 19/10/2005

Aqui Salvador

 

Pesquisas científicas com seres humanos ainda causam polêmica
Para especialista, não se pode falar em consentimento livre com cobaias pobres
Ciro Brigham

 

O professor da Ufba Antônio Nery Filho diz que é a favor das pesquisas científicas com pessoas ricas

A pesquisa com seres humanos no Brasil tem proteção normatizada pela Resolução 196/96 do Ministério da Saúde e vigiada por inúmeros comitês de ética ligados a hospitais, centros de pesquisa, universidades e órgãos de saúde do executivo. Assim acontece também na maioria dos países do mundo. O problema é que nem sempre as leis que determinam as condutas e critérios a serem adotados pelos pesquisadores dão conta de questões éticas fundamentais como, por exemplo, assumir responsabilidades sobre o surgimento, nos pacientes, de futuros problemas de saúde relacionados com a investigação.

A Resolução 196/96 é considerada a Bíblia das pesquisas oficiais com seres humanos no Brasil. É a referência que permite, inclusive, a publicação dos resultados de uma investigação científica institucional em revistas indexadas. Até para as pesquisas dos trabalhos de conclusão de curso nas universidades, os ministérios da Saúde e da Educação têm exigido, como critério de aprovação, que o projeto passe pelo crivo de um comitê de ética em pesquisa (CEP), ligado à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

"No início, grande parte dos pesquisadores rejeitou a reso-lução. Eles achavam que estavam sendo podados, limitados, porque a obrigatoridade dos termos de consentimento assinados pelos pacientes das pesquisas afastaria os voluntários", lembra a coordenadora do CEP do Hospital São Rafael, Regina Oliveira.

Antes de 1996, segundo Regina, os grupos de seres humanos utilizados como "cobaias" em investigações praticamente estavam à mercê da sorte e de processos com pouca ou sem nenhuma garantia de segurança. Hoje, a cada seis meses, os pesquisadores precisam enviar um relatório completo do andamento da investigação ao comitê de ética em pesquisa a que estiver subordinado o projeto.

Consentimento - Mesmo com o maior controle sobre as pesquisas científicas, por conta da observância da Resolução 196/96, ainda existem objetos de discussão ética relacionados, especialmente, à participação consentida dos pacientes como sujeitos da investigação. Para o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Antônio Nery Filho, não se pode falar em consentimento livre e esclarecido enquanto as "cobaias" forem pessoas pobres.

"Como falar em autonomia de decisão se estas pessoas que participam das pesquisas estão sempre em situação de absoluta impossibilidade de recursos financeiros? Se eu não preciso do dinheiro, aí sim eu posso estar numa posição de decidir livremente se eu participo ou não", comenta Nery Filho, que completa: "os ricos poderiam ser efetivamente autônomos, sou a favor de pesquisas com pessoas ricas".

***

Estudos acontecem onde há `massas vulneráveis´

A maioria das pesquisas com seres humanos continua sendo realizada em países da América Latina, Ásia e África, lugares onde a massa de vulneráveis é grande, onde os que participam como sujeitos de pesquisa não cobram, não se queixam e reivindicam menos. Locais onde os enganos produzidos pelos pesquisadores - que geralmente minimizam os danos e maximizam os benefícios em seus relatórios - não trazem consigo garantias a respeito de resultados desconhecidos.

Presos, doentes mentais e crianças também recheiam esse universo dos problemas de consentimento em pesquisas científicas. "Os doentes mentais são jogados na vala comum. Mesmo que por lei, por exemplo, a psicose destitua um sujeito de responsabilidades, ele não poderia tomar a decisão de ser ou não operado? É preciso definir melhor a relação entre o poder alienante da doença e a capacidade do sujeito em tomar atitudes, pensar, opinar sobre sua vida", argumenta o professor.

Questões como os termos de consentimento e as exigências a serem cumpridas nos projetos encaminhados aos CEPs são dois dos assuntos debatidos no I Seminário de Ética em Pesquisa Médica, que começou ontem e termina hoje, no Hospital São Rafael. A medicina crítica os cuidados paliativos, o final de vida e a morte encefálica. Aids e bioética e os conflitos entre medicina assistencial e sistemas de saúde também estão sendo tratados no evento direcionado a profissionais da área de sáude, pesquisadores e universitários.

 


Correio da Bahia, 18/10/2005

Aqui Salvador

 

Hospitais devem elaborar plano de gerenciamento dos resíduos
Lixo produzido pelas unidades de saúde polui o meio ambiente e provoca doenças
Daniel Freitas

Lixo hospitalar vem sendo melhor cuidado pelas unidades de saúde

O lixo hospitalar vem se tornando uma preocupação cada vez mais recorrente nas grandes unidades de saúde. Com base na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº306, de 7 de dezembro de 2004, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece normas de manejo, segregação, acondicionamento, identificação, armazenamento, coleta, transporte e destinação dos resíduos de serviços de saúde. Isso significa que os hospitais, por exemplo, devem atuar com responsabilidade no tratamento do lixo que produzem, tomando as medidas necessárias para que resíduos infectantes, químicos, biológicos e radioativos não causem estragos ao meio ambiente nem prejuízos à saúde humana, como o risco de doenças provocadas por vírus, bactérias e fungos. O manuseio indevido de resíduos perfurocortantes também é capaz de transmitir os vírus da hepatite B e C, além do HIV.

Além da RDC nº306 da Anvisa, a questão é disciplinada ainda pela Resolução nº358/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A fiscalização do tratamento dispensado ao lixo nos serviços de alta e média complexidade cabe à Vigilância Sanitária Estadual, enquanto os de menor complexidade ficam sob responsabilidade do município. Raylene Logrado Barreto, diretora da Vigilância Sanitária Estadual, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), explica que, entre as exigências para a emissão de licença e renovação do alvará sanitário, está a apresentação de um plano de gerenciamento dos resíduos de saúde por parte da unidade hospitalar. "Esses planos são avaliados e podem ser deferidos ou não. Caso não seja, haverá a necessidade de a unidade de saúde se adequar ao que pede a legislação", diz ela, acrescentando que a verificação dessas questões junto aos grandes hospitais de Salvador cabe à Sesab.

Em agosto deste ano, o Hospital Português, na Barra, obteve a licença ambiental concedida pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cepram), o que atesta que a instituição segue os preceitos da RDC nº306 da Anvisa e nº358/05 do Conama. A licença registra ainda que o processo utilizado no hospital é seguro e não oferece riscos para pacientes, acompanhantes, colaboradores, a comunidade e o meio ambiente. O Hospital Português também declara-se o primeiro do Norte e Nordeste do país a contar com uma autoclave para o tratamento dos resíduos infectantes, além de dispor de uma câmara frigorífica específica para o acondicionamento do lixo orgânico e de trituradores que reduzem em 80% o volume do material produzido.

Após a trituração, o produto é devolvido estéril, ou seja, sem nenhuma carga bacteriana, como atesta a enfermeira chefe do Departamento de Higienização do Hospital Português, Stella Deane Andrade Castro. "O hospital está localizado numa região domiciliar. Logo, estamos cercados de todos os cuidados que visam a segurança dentro e fora daqui, seja dos profissionais envolvidos no manuseio desses resíduos como do público externo e moradores das redondezas".

 


A Tarde, 17/10/2005

Internacional

 

O que é a gripe das aves?

Da France Presse

A gripe das aves, também chamada gripe do frango, peste dos pássaros e influenza aviária, foi identificada pela primeira vez em 1878, na Itália, como uma doença grave dos frangos.

Este mal pode assumir formas benignas, como problemas para por ovos ou penas eriçadas, ou altamente patogênicas, similares a um "Ebola do frango", que mata as aves de criação em menos de 48 horas, lembrou em janeiro passado um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde 1959, quando uma primeira forma extremamente patológica da gripe das aves foi identificada na Escócia, devido também a um vírus H5N1, vinte focos de gripe das aves foram registrados no mundo, mas apenas sete tiveram uma propagação importante para vários criadouros e apenas um se espalhou para outros países, segundo a OMS.

Diferentes vírus gripais A de subtipo H5 ou H7 podem ser a causa, inclusive o H5N1, responsável pelos primeiros casos humanos fatais em 1997, em Hong Kong (18 casos, seis deles mortais).

"Historicamente, as infecções humanas por vírus gripais aviários são extremamente raras e a maior parte destes vírus só causou patogenias benignas no ser humano, manifestando-se com freqüência por uma conjuntivite viral, seguida de cura completa", acrescentou a OMS neste relatório destinado a avaliar os riscos de uma pandemia de gripe humana nos próximos anos.

No início de 2003, um vírus H7N7 causou a morte de um veterinário e dezenas de outros casos de infecções benignas (conjuntivites) em pessoas na Holanda.

O vírus H5N1 ressurgiu em Hong Kong em fevereiro de 2003. Meses depois, chegou a Coréia, Vietnã, Tailândia e outros países do sudeste asiático, causando uma elevada mortandade entre aves de criação.

"Nunca antes a gripe das aves altamente patogênica havia causado epidemias simultâneas em um número tão grande de países", destacou a OMS. Esta organização insistiu na catástrofe que representa este mal para a agricultura dos países afetados e os riscos em potencial para o ser humano de uma mutação do H5N1 que poderia causar uma pandemia de gripe humana.

Até agora, a epizootia afetou os seres humanos de uma forma muito marginal. Desde o fim de 2003, pelo menos 117 casos de infecções humanas foram registradas, das quais 60 mortais.

A cepa H5N1, muito patogênica para as aves, também pode ser transmitida pelos patos de criação que não apresentarem sintomas da doença, alertou a OMS, explicando que neste caso os produtores dificilmente poderiam se proteger de uma possível infecção.


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