Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir Pessini

 

  Clipping On-line

Ano 6 , n.211

De 05/09 à 11/09/05  

 

Sumário de Matérias

 


-Vírus da hepatite pode ser propagado por saliva, A Tarde, 11/09/2005

-Médicos apontam deterioração da relação com os pacientes, Correio da Bahia, 11/09/2005

-Boicote de médicos é mantido, A Tarde, 10/09/2005

-Transplantes de órgãos animais para humanos ocorrerão em breve, A Tarde, 09/09/2005

-SUS fará reprodução assistida em 2006, Correio da Bahia, 09/09/2005

-Fertilidade é assegurada a pacientes com câncer, A Tarde, 08/09/2005

-Radioterapia e quimioterapia podem tirar tumor sem cirurgia, Correio da Bahia, 07/09/2005

-Nova técnica é utilizada para tratar pedra nos rins, Correio da Bahia, 06/09/2005

-Falta medicamento para tratar tumor cerebral, A Tarde, 06/09/2005

-Chega de papagaiada, Revista Você S/A, edição 87,2005

-IMPACTO DE TREINAMENTO NO TRABALHO VIA INTERNET, RAE, v.4, n.2, jul./dez.2005

-Pesquisa aumenta desconfiança sobre a homeopatia, Correio da Bahia, 05/09/2005

-Faltam contraceptivos nas unidades de saúde, A Tarde, 05/09/2005

-Médicos discutem em encontro a humanização do atendimento, Correio da Bahia, 05/09/2005


A Tarde, 11/09/2005

Local

 

Vírus da hepatite pode ser propagado por saliva

Falta de equipamento para esterilizar turbinas em consultórios dentários, em Salvador, preocupa pesquisadores

Sylvia Verônica


Numa simples restauração dentária, o vírus da hepatite C, presente na saliva dos portadores da doença, pode ser transmitido por aparelhos odontológicos não-esterilizados. A presença do vírus na saliva foi confirmada no estudo realizado por pesquisadores baianos e publicado, no último mês de junho, no Journal of Medical Virology, revista científica internacional.

O estudo, coordenado pela pesquisadora Liliane Lins, foi feito no laboratório de Patologia e Biologia Molecular da Fiocruz. Também participaram do projeto os pesquisadores Hebert Almeida, Ludmila Vitvisk, Theodomira Carmo, Raymundo Paraná e Mitermayer Reis. Nos testes realizados, o vírus foi encontrado na saliva e no soro dos 50 pacientes pesquisados, metade deles com cirrose hepática. Foram utilizadas amostras de saliva total, ou seja, sem a separação de bactérias, células epiteliais, sangue e demais substâncias presentes.

Segundo a pesquisadora, em Salvador, o risco de transmissão é alto porque parte dos consultórios não têm autoclave – equipamento usado para a esterilização de turbinas, motores utilizados em tratamentos dentários. Na pesquisa, realizada em 2002, 34.1% dos 270 profissionais ouvidos não possuíam autoclave. Dentre os que tinham o equipamento, somente 2,2% possuíam quantidades suficientes de turbinas.

Os cirurgiões-dentistas consultados preencheram, anonimamente, um questionário durante campanha de prevenção de hepatites virais do Conselho Regional de Odontologia (CRO-BA). Os dentistas Liliane Lins e Antônio Fernando Pereira Falcão coordenaram o levantamento e garantem que os dados continuam atuais mesmo três anos após a pesquisa.

Bancadas, cuspideiras, sugadores, turbinas, brocas, espelho odontológico e fórceps, entre outros equipamentos usados pelo dentista em procedimentos como extrações, restaurações, canais, implantes e outras cirurgias, devem passar por desinfecção entre um atendimento e outro (veja quadro).

Essas medidas demandam tempo, o que significa um intervalo maior entre os atendimentos. “Alguns planos de saúde odontológica pagam apenas R$ 4,89 por uma consulta. Isso faz com que o profissional tenha que fazer mais atendimentos do que o normal. Só que precisamos de, pelo menos, 10 minutos entre um e outro para fazer a desinfecção correta dos materiais”, ressalta a dentista Liliane Lins, mestre em estomatologia, doutora em patologia humana.

O tempo entre atendimentos varia de acordo com o equipamento, a quantidade de exemplares de cada instrumento e o número de pacientes. “Para atender cinco pacientes, por exemplo, o mínimo de turbinas é sete”, diz Liliane Lins.

Fiscalização – A Secretaria Municipal da Saúde é responsável pela fiscalização dos consultórios odontológicos desde 2002. São 3.383 odontólogos cadastrados. Até então, apenas 612 clínicas foram vistoriadas, sendo que cinco delas foram interditadas por prática ilegal da profissão. Nas inspeções, a existência da autoclave e todos os procedimentos de biossegurança são exigidos. No entanto, a secretaria não reuniu os dados de todas as inspeções e, por isso, não há estatísticas e dados sobre o número de consultórios onde não foram encontradas autoclaves.

“A cultura que se estabelece desde a universidade é de pouca preocupação com a biossegurança. Os estudantes trabalham com apenas uma turbina para atender os pacientes”, observa Liliane Lins.

A diretora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia, Maria Isabel Viana, discorda da pesquisadora, ressaltando que a biossegurança é tema de matérias do currículo e que as recomendações do Ministério da Saúde quanto à desinfecção dos instrumentos é seguida. A faculdade tem quatro autoclaves e atende 400 pacientes gratuitamente todos os dias, com capacidade instalada de 160 consultórios.

“Pesquisas sobre proteção à saúde do profissional e dos pacientes são relativamente novas se comparadas aos conteúdos de matérias clássicas dos currículos das faculdades de odontologia. Acredito que, com o tempo, a preocupação com biossegurança aumente e pesquisas semelhantes à realizada por Liliane Lins possam, nos próximos anos, revelar resultados mais positivos”, observa o presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO-BA), Paulo Alcântara.

Dificuldade para comprar equipamentos

Dentre cinco dentistas ouvidos pela equipe de reportagem, um deles disse não usar autoclave. A importância do equipamento é reconhecida, mas as dificuldades da profissão são apontadas como agravantes. A autoclave custa entre R$ 1,8 mil (capacidade para 12 litros) e R$ 2,5 mil (21 litros). O preço da estufa, comumente utilizada, é de cerca de R$ 500.

“Sabemos que muitos profissionais não usam os equipamentos de esterilização e se valem do álcool 70, que não é suficiente. É uma questão de consciência de cada um. No meu consultório, esterilizo corretamente e faço o exame bacteriológico da autoclave”, aponta a dentista Sandra Fernandez.

Os baixos valores pagos pelos planos de saúde explicam das dificuldades financeiras enfrentadas pela categoria, na avaliação da cirurgiã Tereza Helena Pedreira. “O plano paga R$ 12 por uma restauração. Há muito dentista no mercado, então a concorrência é grande. Muitos não têm dinheiro para comprar todos os equipamentos necessários”, afirma.

O dentista P. (pediu para não ter a identidade revelada), admite que não tem autoclave no consultório que mantém no bairro da Liberdade. “Coloco o que posso na estufa. As outras peças, limpo com álcool. Estou poupando dinheiro para investir na autoclave”, comentou.

SAIBA MAIS

O cirurgião-dentista deve seguir os procedimentos
de desinfecção e esterilização dos equipamentos

Autoclave


z Autoclaves são equipamentos que fazem a esterilização dos motores odontológicos. As mais modernas informam data, horário da esterilização e nome do operador, e precisam passar por exames bacteriológicos periódicos. O paciente pode exigir que a abertura da embalagem do material esterilizado seja feita em sua frente.

Normas de biossegurança

Para os motores: devem ser lavados com água e detergente, secados, embalados para esterilização e lubrificados posteriormente.

Observe se seu dentista:

z Utiliza, junto com os auxiliares e recepcionistas, equipamentos de proteção individual (EPIs)

z Troca luva entre cada paciente

z Manipula produtos com luva plástica descartável

z Substitui máscaras, aventais e gorros, caso estejam sujos

z Desinfeta os óculos

Rotinas para início do atendimento

z Colocar barreiras (proteção plástica) nos instrumentos

z Desinfetar a seringa tríplice (que fornece água e ar) antes de colocar a barreira

z Colocar água potável com cloro no reservatório

z Colocar os tubetes de anestésico no anti-séptico

z Colocar anti-séptico em copo descartável para bochecho

z Abrir pacotes estéreis sobre superfície estéril

Rotina para o final do atendimento

z Esvaziar o reservatório de água

z Retirar as barreiras e descartá-las

z Limpar e desinfetar o equipamento

z Retirar o ralo da unidade auxiliar, lavá-lo e
desinfetá-lo

z Limpar o chão

z Desprezar os resíduos em sacos de lixo hospitalar

z Colocar perfurocortantes em local apropriado
Próteses

z Devem ficar 10 minutos em solução de hipoclorito 1% (água sanitária), antes de serem colocadas nos pacientes

Hepatite C

O que é –
Inflamação do fígado causada pelo vírus da hepatite C (VHC), descoberto em 1989. É a maior causa de indicação para transplante. A mortalidade está entre 1% e 5%. A infecção pelo vírus da hepatite C é uma das maiores causas de doença hepática crônica no mundo.

Transmissão – A hepatite C é transmitida no contato entre o sangue ou secreção corporal contaminada com o sangue, mucosas ou pele machucada. A transmissão materno-fetal é rara e não há registro de casos de transmissão pelo leite materno. Além disso, 20 a 30% dos casos ocorrem sem que se possa demonstrar a via de contaminação.

Sintomas – Na maioria dos casos, não há sintomas na fase aguda. Em 80% dos pacientes, a forma crônica será descoberta durante exames com outros fins. Há casos que aparecem décadas após a contaminação, por meio de doenças como cirrose e câncer de fígado. Se não detectada precocemente, pode evoluir para formas crônicas, podendo causar danos hepáticos, a exemplo de cirrose e câncer. São responsáveis por 70% das indicações de transplante de fígado.

Tratamento – Na fase aguda, o tratamento diminui o risco de evolução para o quadro crônico, o que reduz as chances de cirrose e câncer de fígado. O trato da forma crônica não tem resultados satisfatórios e o sucesso depende do genótipo do vírus, carga viral e estágio da doença.

Prevenção - A presença do vírus na saliva não depende de doença periodontal (na gengiva) ou outra patologia bucal, ou seja, pessoas com a boca saudável e infectadas pela hepatite C têm o vírus na saliva. A pesquisa de Liliane Lins detectou a hepatite C na saliva de pacientes com altas e baixas cargas virais. A prevenção de doenças bucais nas famílias onde não-portadores convivem com portadores é fundamental. Uma das medidas é não compartilhar escovas dentais: “Se não há porta de entrada, o nível de transmissão é mais baixo”, alerta a pesquisadora.

Resultados da pesquisa com cirurgiões-dentistas de Salvador

z Uso de gorro
78,1% usam
z Uso de luva
99,3% usam
z Uso de máscara
97% usam
z Protetor de seringa tríplice
(de onde saem água e ar)
67% usam
z Filme de pvc
65,2% usam


Fonte:Pesquisa - Liliane Lins, Cirurgiã-dentista, Mestre em Estomatologia, Doutora em Patologia Humana, Professora Titular da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Estomatologista do Serviço de Transplante Hepático-HUPES.


Correio da Bahia, 11/09/2005

Aqui Salvador

 

Médicos apontam deterioração da relação com os pacientes

`Proletarização´ dos profissionais compromete qualidade do atendimento

Mariana Rios

Pacientes de um lado, médicos de outro e, no meio, os planos de saúde. Tal organização na prestação de serviço essencial tem causado desgastes nos profissionais e também nos consumidores das assistências privadas de saúde. A relação, antes próxima e amistosa, tendo o médico como um membro da família, é agora tida como fria e rápida. A crescente utilização de procedimentos tem afastado os médicos do contato direto com o paciente e o fenômeno da proletarização dos profissionais da área é apontado como uma das razões para a deterioração na relação, com comprometimento do serviço prestado à população.

A relação, de fato, mudou muito, concorda o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed), Alfredo Boa Sorte Júnior. "O médico era um profissional liberal e 90% tinham relação direta com o paciente, seja durante o tratamento ou no pagamento dos honorários", explica. Atualmente, apenas cerca de 5% dos médicos atendem em seus próprios consultórios. A maioria, 70%, calcula Júnior, estão em uma jornada que envolve plantões em serviços públicos e na rede privada.

Aumento na demanda e o crescente processo de intermediação do trabalho criaram o fenômeno da proletarização da categoria. "Baixa remuneração, tanto no serviço público, como no privado, e a necessidade do médico de manter seu padrão de vida, que prevê atualizações e compra de livros, acabam levando o profissional para multiempregos", afirma. Em razão da carga excessiva de trabalho e da frustração em relação à valorização profissional, os médicos são acometidos por problemas de saúde, como estresse, hipertensão, diabetes, doenças degenerativas, depressão e uso de drogas. Em grandes ambulatórios, chegam a atender de 80 a 120 pessoas por dia.

Este processo acaba também comprometendo a relação médico/paciente, responsável por 50% do tratamento. A outra metade depende da perícia e de conhecimentos médicos, do uso correto de medicamentos e da tecnologia empregada. E qual seria a solução: primeiro, uma mobilização, assegura Júnior, para enfrentar os "patrões", planos, hospitais e serviço público, e segundo a capacitação e atualização cons-tantes. Já o cidadão deve exigir do médico mais tempo. "É necessário diminuir a interferência da mercantilizarão nesta relação", opina Júnior que é membro do Conselho Estadual de Saúde e diretor da Federação Nacional dos Médicos.

Formação profissional não é fiscalizada

São 146 escolas de medicinas em todo o país, mais que nos Estados Unidos (124) e Canadá (25). A falta de controle na formação profissional também contribui para interferir na relação com o paciente. Outro problema, é a falta de planejamento para a formação de especialistas, que deveria ser formado em residências. Atualmente no Brasil, 75% dos estudantes fazem residência médica, enquanto o ideal seria no mínimo 90%.

Uma relação mais transparente entre médicos e pacientes poderia, na opinião do advogado especializado na área de saúde, José Augusto Gomes Cruz, mudar as estatísticas nos juizados, com avalanches de processos movidos por consumidores insatisfeitos com os serviços prestados pelo profissional e plano de saúde. "O fundamental na relação é a transparência, é dizer a verdade. O médico tem que ser sincero com o consumidor de seu serviço", afirmou Cruz, que orienta o paciente a sempre ler os contratos de saúde e acessar o site da Agência Nacional de Saúde (ANS).

 


A Tarde, 10/09/2005

Economia


Saúde
Boicote de médicos é mantido

Só a partir da próxima segunda-feira é que os usuários dos planos de saúde Norclínicas, Medial, Previna e Promédica saberão como a classe médica vai se colocar frente àqueles grupos, depois de assembléia que será realizada na Associação Baiana de Medicina. Profissionais de algumas instituições, como a Clínica São Marcos (Graça), decidiram suspender o atendimento da Medial em otorrinolaringologia, ginecologia, infectologia, angiologia e cirurgia de cabeça e pescoço, mas as emergências da maioria dos locais onde os planos são normalmente aceitos estavam recebendo casos de urgência e emergência.


A Tarde, 09/09/2005

Internacional

 

Transplantes de órgãos animais para humanos ocorrerão em breve

Da Reuters

Os transplantes de órgãos de animais em seres humanos podem se tornar realidade nos próximos anos, devido à falta de disponibilidade de órgãos humanos, afirmou na sexta-feira Anthony Warrens, um importante cientista da área.

"Foi só nos últimos anos que muitos dos problemas imunológicos em potencial, como a rejeição, foram solucionados, o que significa que transplantar órgãos de uma espécie para outra pode se tornar realidade em breve", disse o pesquisador da Imperial College London.

Warrens afirmou à conferência da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, na capital irlandesa, que para cada órgão humano doado, há cinco pessoas que precisam dele.

Os xenotransplantes -- uso de órgãos, tecidos ou células de outras espécies -- são provavelmente a melhor solução para o problema.

Os porcos são uma fonte possível de órgãos para transplante, porque têm aproximadamente o mesmo tamanho que os órgãos humanos e uma fisiologia semelhante. Os cientistas estão criando porcos transgênicos para que seus tecidos não provoquem reações imunológicas nos seres humanos.

Os cientistas ainda não sabem se "retrovírus endógenos suínos" podem ser transferidos para os seres humanos, ou se eles podem sofrer mutações e provocar novas doenças.

"Essa ainda é a principal preocupação associada aos xenotransplantes", disse Warrens.

Mas ele acrescentou que há bons motivos para acreditar que o problema não será significativo. Muitos cientistas já pediram uma moratória dos xenotransplantes enquanto houver riscos.

Quando os cientistas chegarem à fase dos ensaios clínicos, daqui a cerca de cinco anos, os pacientes que receberem os órgãos terão de ser monitorados diariamente pela vida inteira, afirmou Warrens.


Correio da Bahia, 09/09/2005

Aqui Salvador

 

 

SUS fará reprodução assistida em 2006
INFERTILIDADE
Camila Vieira

 

Especialistas discutem implantação da reprodução assistida no sus

A previsão é que em 2006 o Sistema Único Saúde (SUS) esteja prestando serviços de reprodução assistida para os casais que desejam ter filhos e, por algum problema, têm dificuldade para alcançar o objetivo. A informação do representante do Ministério da Saúde (MS), Adson Franca, revelada no 16º Congresso Baiano de Ginecologia e Obstetrícia, realizado no Pestana Bahia Hotel (Rio Vermelho) ontem, animou especialistas que atuam na área. Segundo ele, a Portaria Federal 388, de 6 de julho de 2005 - que garante a medicina assistida como um dos direitos sexuais reprodutivos, assim como planejamento familiar e contraceptivos - já foi aprovada pelo MS e está sendo discutida uma vez por mês pela Câmara Técnica Tripartite, formada por cinco membros do ministério e dez secretários estaduais e municipais.

"O andamento da aprovação da portaria ficou parado por um tempo. Não que o ministro (da Saúde) José Saraiva Felipe discorde da necessidade de fornecer à população um serviço como esse, mas tem um impacto financeiro muito grande. Agora, as coisas estão se ajustando e é bem provável que, no próximo ano, o SUS já esteja prestando a reprodução assistida", assegurou. De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Maria do Carmo Borges de Souza, a infertilidade é um problema de saúde pública. Ela considera fundamental que existam postos de saúde realizando o tratamento.

Estudos apontam que de 10% a 15% dos casais que desejam ter um filho enfrentam dificuldades para alcançar a gestação. A presidente da sociedade estima que, desse total, apenas 7% tem condições financeiras de arcar com um tratamento particular. "Pensando que o Brasil tem cerca de 180 milhões de habitantes, em um cálculo sem muita precisão podemos dizer que aproximadamente um milhão de casais precisam da reprodução assistida", considerou a ginecologista. Ela faz questão de ressaltar, no entanto, que a gravidez é uma aspiração natural de muitos casais e, por isso, deve ser oferecida a eles essa possibilidade. "A obrigação do poder público é oferecer para quem quiser", disse.

Entende-se por infertilidade conjugal o fato de uma mulher não conseguir engravidar, depois de decorrido um ano e meio (ou mais), tendo relações sexuais (ao menos, duas vezes por semana) sem usar qualquer tipo de proteção. As causas da infertilidade conjugal são muito variadas e requerem uma investigação pormenorizada para o seu diagnóstico exato. Algumas vezes, a causa é exclusivamente masculina; outras, exclusivamente feminina; e, em outras ainda, há uma combinação de fatores masculinos e femininos em sua origem. Segundo a ginecologista Maria do Carmo Borges de Souza, os dois motivos mais comuns que causam a infertilidade são as DSTs nos homens e ou problemas ovarianos nas mulheres.

Existem outros fatores, como por exemplo, a idade do homem e da mulher, que influem diretamente no percentual de êxito da concepção, pois há um natural declínio da fertilidade após os 35 anos, nas mulheres; e depois dos 45, nos homens. Joaquim Roberto Costa Lopes, ginecologista, especialista em reprodução assistida, afirma que a idade em que a mulher está mais fértil é dos 20 aos 30 anos. "Os ginecologistas precisam estar atentos e acompanhar bem de perto suas pacientes. Mesmo que ela adie a gravidez, em um determinado momento ela pode mudar de idéia, por isso é preciso estar atento, verificando como anda a fertilidade de cada uma delas", revelou. O especialista explica que duas maneiras de monitorar a fertilidade, uma é realizando dosagens hormonais próximo do ciclo menstrual e a outra é realizar ultra-som entre o terceiro e quinto dia da menstruação.

"Assim podemos notar como anda a perda dos folículos e quais as possibilidades da gestação", explicou o especialista. Entre os fatores masculinos encontram-se aqueles que dizem respeito à produção adequada, em quantidade e qualidade, de espermatozóides pelo testículo, bem como o livre trânsito destes até o exterior durante a ejaculação. A infecção dos testículos pelo vírus da caxumba, na infância, pode prejudicar - ou mesmo anular - a produção de espermatozóides na vida adulta. Varizes na bolsa escrotal (varicocele) também têm influência negativa na qualidade do sêmen.

***

Importância do especialista

O médico Joaquim Roberto Costa Lopes faz questão de ressaltar a importância do ginecologista encaminhar o paciente para um profissional especializado em reprodução assistida, quando os recursos no consultório são insuficientes para ajudar a resolver a infertilidade. "Existem casos e casos, pacientes que vão se submeter à quimioterapia, por exemplo, devem congelar o sêmen. Homens vasectomizados que querem reverter a cirurgia e não conseguem, mulheres com as trompas de falópio entupidas que desejam engravidar. Todos esses exemplos precisam da medicina assistida. O médico sabe que, dentro do consultório, não tem recurso para isso, então deve encaminhar o paciente a um especialista, que possa fazer todos os exames laboratoriais necessários", explicou.

O espermograma, análise laboratorial que inclui as características físico-químicas e bio-microscópicas do sêmen, é de fundamental importância na avaliação do fator masculino no casal infértil. Os fatores femininos incluem não apenas os que estão ligados à produção (ovulação) e ao transporte do óvulo fecundado através das trompas, mas também àqueles que devem proporcionar a adequada nutrição e crescimento do embrião nos estágios iniciais da gravidez.

Diversos distúrbios hormonais, ovarianos ou não, podem comprometer a ovulação. Doenças inflamatórias e cirurgias pélvicas (aderências), endometriose e infecções das trompas podem afetar seriamente a permeabilidade e a motilidade desses órgãos, dificultando (ou impedindo) a fertilização. Cicatrizes no interior do útero (sinéquias) e miomas também são responsáveis pela infertilidade conjugal, impedindo a implantação do embrião ou provocando abortamentos precoces.

 


A Tarde, 08/09/2005

Local

 

Saúde
Fertilidade é assegurada a pacientes com câncer

Congelamento de gametas é alternativa para quem corre risco de esterilidade devido à quimioterapia ou radioterapia

FABIANA MASCARENHAS


Quando soube, em agosto do ano passado, que era portador do linfoma de Hodgkin (um tipo de tumor, ver glossário nesta página), o estudante Danilo Nascimento, na época com 18 anos, ainda não pensava em ter filhos. Como a maioria das pessoas que descobrem um câncer, a sua preocupação imediata era com as chances de cura. Entretanto, um alerta do médico oncologista o obrigou a pensar no assunto. Ele informou que, em função do tratamento, Danilo poderia ficar infértil e a solução seria preservar a capacidade reprodutiva congelando o espermatozóide.

“Até então, eu nunca tinha pensado em ter filhos. Mas tomar consciência de que isso poderia não mais acontecer me causou medo. Ainda bem que fui informado a tempo e é bom saber que poderei ter um filho futuramente, independentemente da doença”, afirma Danilo, que já concluiu o tratamento e, no momento, está sob observação.

A infertilidade, em muitos casos irreversível, é um dos efeitos do tratamento de quimioterapia e radioterapia, que comprometem as células germinativas e a função hormonal. O congelamento de gametas (óvulos e espermatozóides) e de fragmentos do tecido ovariano, conhecido cientificamente como criopreservação terapêutica, tornou-se uma alternativa para conservar a fertilidade em jovens com câncer.

O problema, segundo o ginecologista e especialista em reprodução humana Joaquim Costa Lopes, é que há diversos pacientes que são submetidos ao tratamento e não são lembrados sobre a possibilidade de preservar a sua capacidade reprodutiva. “É preciso despertar a classe médica para a importância dessa informação. O câncer, atualmente, é uma doença que tem grandes chances de cura, desde que diagnosticada num estágio inicial, e é preciso ter consciência de que, após a cura, o paciente vai querer voltar a viver normalmente: estudar, trabalhar, casar, ter filhos. O congelamento de gametas é a garantia de uma paternidade ou maternidade ”, alerta o médico.

ESTERILIDADE – No caso das pacientes do sexo feminino, os tratamentos oncológicos podem resultar na destruição total ou parcial da reserva de óvulos, assim como pode causar uma menopausa precoce. Já em relação aos homens, cerca de 90% passam a sofrer de azoospermia (ausência de espermatozóides) após iniciar o tratamento quimioterápico. “A infertilidade pode ocorrer porque as drogas utilizadas no tratamento atacam tanto as células malignas, quanto as benignas. Infelizmente, ainda não temos uma droga que faça essa seleção e atinja somente a célula cancerígena”, informa a oncologista Anelisa Coutinho.

Além dos efeitos dos tratamentos, a própria doença – como nos casos de linfoma, leucemia e câncer de testículo – também já compromete as células reprodutivas e a produção hormonal, responsável pela produção de gametas.

Lopes explica que o ideal é realizar o congelamento antes ou na fase preliminar ao tratamento. “Muitas vezes, recebemos pacientes que já tomaram doses quimioterápicas e radiações, e, quando vamos observar, o dano causado no aparelho reprodutor já não permite o aproveitamento de células tão boas”, afirma. Embora seja mais eficaz e útil em pacientes jovens, o congelamento pode ser feito por qualquer pessoa.

Preservação do tecido ovariano pode falhar

Caso o paciente decida pela preservação de sua capacidade de procriar, antes do início do tratamento oncológico, será feita uma avaliação médica, com exames físicos e esclarecimento de suas possíveis dúvidas. A partir de uma coleta do sêmen, é realizada uma análise para verificar a concentração, volume e mobilidade dos espermatozóides. A amostra é envolvida num crioprotetor – líquido que serve para proteger os espermas do congelamento e permite a não-formação de cristais de gelo – e congelada após alguns outros passos.

Já a retirada do tecido ovariano ocorre por meio de uma cirurgia denominada videolaparoscopia. Se a paciente tiver alguma cirurgia marcada, pode-se aproveitar o momento para retirar o tecido ovariano também por procedimento cirúrgico. Depois da coleta, partes do tecido ovariano são congeladas. Em ambos casos, os tecidos germinativos ficam numa temperatura de - 196º C.

De acordo com a ginecologista e especialista em reprodução assistida Bella Zausner, a conservação do tecido ovariano não é tão simples e eficaz quanto o congelamento de espermatozóides. “Embora já ofereça alguns resultados, essa técnica ainda está em processo experimental. Ainda existe uma perda considerável da qualidade desses gametas femininos com o processo de criopreservação, mas já existem muitas gestações que são fruto de congelamento de óvulos e tecido ovariano”, explica a médica.

O método utilizado para a realização da gravidez após a cura do paciente dependerá de cada caso, mas tanto pode ser por meio de uma inseminação artificial, como pode ser por uma técnica laboratorial de amadurecimento in vitro. “Há pacientes que, felizmente, mesmo após o tratamento, não precisam utilizar o material congelado porque não têm a sua fertilidade totalmente atingida. Nesses casos, basta jogar o material fora e tentar a gravidez naturalmente”, afirma Bella.

SAIBA MAIS

Reprodução assistida

Fertilização in vitro


Foi o método pioneiro de reprodução assistida, que gerou o primeiro “bebê de proveta”. Consiste em juntar óvulos e espermatozóides numa placa de cultura, colocá-los numa estufa e depois de três a cinco dias, ocorrendo a fertilização, transferir os pré-embriões para o útero da mulher.

Inseminação artificial

Consiste em colocar os espermatozóides no útero da mulher, estimulada por hormônios para produzir em maior quantidade os folículos ovarianos. Os espermatozóides devem naturalmente alcançar o óvulo na trompa para ocorrer a fertilização.

GLOSSÁRIO

z Córtex ovariano Porção do ovário onde se localizam os folículos primários que darão origem aos óvulos.

z Crioprotetor Líquido que serve para proteger os espermas do congelamento e possibilita a
não-formação de cristais de gelo.

z Linfoma de Hodgkin

Tipo de tumor que ataca os gânglios linfáticos de várias regiões do corpo e compromete o sistema de defesa do organismo.

z Gânglios linfáticos Fazem parte do sistema linfático e também são chamados de linfonodos. Tendem a se aglomerar em grupos – por exemplo, nas axilas, no pescoço e na virilha. Se uma parte do corpo fica infeccionada ou inflamada, os linfonodos mais próximos se tornam dilatados e sensíveis.

Quando uma pessoa com a garganta infectado desenvolve “gânglios inchados” no pescoço é porque o fluido linfático escoa para os linfonodos no pescoço, onde o organismo infeccioso pode ser destruído e impedido de se espalhar para outras partes do corpo.

z Videolaparoscopia Método endoscópico invasivo que requer anestesia geral e que dura, em média, uma hora e meia.


Correio da Bahia, 07/09/2005

Aqui Salvador

 

Radioterapia e quimioterapia podem tirar tumor sem cirurgia
Tratamento evita operação em 30% dos casos de câncer de cabeça e pescoço
Camila Vieira


O uso da radioterapia ou quimioterapia foi discutido

no Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço

A radioterapia ou quimioterapia utilizadas de formas isoladas ou combinadas podem evitar a necessidade da cirurgia em 30% dos casos de câncer de cabeça e pescoço (que incluem a boca, laringe, faringe e pele). Apesar de eliminar o tumor e evitar a operação, que na maioria das situações é mutilatória, o uso das duas terapias costuma trazer efeitos colaterais permanentes. Um paciente com neoplasia bucal, por exemplo, anos após ao tratamento vai começar a notar problemas como secura na garganta, alteração da voz, diminuição da audição e perda do paladar. O oncologista clínico do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), Eduardo Dias de Moraes, que defende o uso do tratamento, afirma que a técnica cura o câncer, preserva o órgão, mas provoca esses problemas. "É ser vítima do próprio sucesso", enfatizou o especialista.

A quimioterapia tem o objetivo de destruir células tumorais e preservar as células normais - porém, a maioria das drogas quimioterápicas atua tanto nas células normais como nas malignas, provocando os efeitos colaterais. Uma das sustâncias mais usadas na quimioterapia, a cisplatina, tem como efeito a perda da audição. "É uma faca de dois gumes. Cura a doença, mas deixa alguns problemas. Mas, se houver a possibilidade de curar através do tratamento é melhor do que submeter o paciente a uma cirurgia", assinalou o oncologista. A operação consiste na retirada da lesão associada ou não a retirada de nódulos cervicais, gerando às vezes mutilações, dificuldade na alimentação e na fala, principalmente quando o tumor está em fase avançada.

A radioterapia consiste na radiação (ionizante) por uma determinada máquina que, direcionada ao tumor ou a uma determinada região atingida, tem o objetivo de destruir as células malignas. Ela também lesa as células normais, mas os efeitos colaterais normalmente se restringem ao órgão, a uma determinada estrutura que será irradiada, enquanto que a quimioterapia atinge a mais órgãos. A radioterapia só é indicada para tratar apenas o local onde é direcionada a irradiação.

O uso da radioterapia pode ser em caráter paliativo quando há necessidade de amenizar a dor em alguns tipos de metástases de qualquer tumor, como as ósseas. Essas duas formas de tratamento do câncer, combinadas entre si, conseguem muitas vezes curar determinados tipos de câncer que estão em fases muito avançadas. Mas, o que é importante ressaltar, sempre, é que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo o melhor tratamento para o câncer.

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Risco do tabagismo e das bebidas alcoólicas

Com relação ao câncer que atinge as partes da cabeça e pescoço, os mais comuns são os de pele, boca e laringe, que afetam mais a população masculina. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para 11 mil novas ocorrências de câncer de boca, este ano, no Brasil. Os principais causadores da doença na boca, faringe e laringe são tabagismo e as bebidas alcoólicas. O presidente do XX Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, que foi realizado no Hotel Othon Palace (Ondina) até ontem, Cláudio Rogério Lima, explicou que o fumo e o álcool alteram a mucosa desses órgãos, além das mudanças celulares, levam à diminuição do muco e destroem os cílios que os recobrem, o que facilita o surgimento da doença.

Os primeiros sintomas manifestados por esses tipos de câncer podem ser manchas brancas na mucosa da boca, dor, inchaço ou ferida com duração superior a 15 dias (afta, que demora a cicatrizar), nódulo no pescoço presente por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente (dez a 15 dias), dificuldade para engolir, sensação de engasgo ou espinho na garganta, dores constantes no ouvido, sangramentos e/ou obstrução nasais contínuas, escarro com sangue, alterações na pele como feridas e sangramentos difíceis de cicatrizar, mudança de cor ou, por fim, sangramento em verrugas.

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Prevenção é fundamental

Neste ano deverão ser registrados 284.205 novos casos de câncer e 113.959 óbitos por causa da doença em todo o país, segundo dados do Inca. O tabagismo é o principal fator de risco no caso de câncer de pulmão e também dos cânceres da boca, garganta, laringe e faringe. A melhor alternativa para esses casos é a prevenção. A doença pode ser evitada com medidas simples, como não fumar, nem consumir bebidas alcoólicas. Além disso, é importante optar por alimentos pobres em gordura e ricos em fibras, pois muitos cânceres estão relacionados à dieta e podem ser prevenidos. Evidências científicas sugerem que aproximadamente um terço das mortes por câncer estão relacionadas às neoplasias malignas causadas por fatores dietéticos.

O hábito de examinar a boca diante do espelho à procura de caroços, aftas, manchas brancas e ferimentos que não cicatrizam também é uma das maneiras de diagnosticar precocemente a doença. Essa última medida é indicada especialmente a indivíduos com histórico familiar de câncer e aos que fumam ou bebem. As pessoas consideradas fora dos grupos de risco também não estão livres, pois qualquer um pode ter alterações que levem à doença. Exames clínicos realizados regularmente por profissionais da saúde podem detectar vários tipos de cânceres em estágios iniciais, quando o tratamento é mais facilmente bem-sucedido.

Atualmente, tem-se observado importantes progressos na prevenção, diagnóstico e terapêutica do câncer. Quanto mais cedo a doença for identificada maior a chance de cura. O diagnóstico tardio da doença exige tratamentos complicados, podendo levar a mutilações e à morte.

Tratamento - O tratamento do câncer da cabeça e pescoço é feito por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos. A cirurgia de cabeça e pescoço é uma especialidade que tem por finalidade diagnosticar e tratar os pacientes que tenham doenças congênitas, inflamatórias, tumores malignos e/ou benignos da área da cabeça e pescoço, patologias da tireóide como também lesões em pele. Excluindo-se os tumores cerebrais e do sistema nervoso central.

Dois avanços tecnológicos foram discutidos durante o congresso. O uso do bisturi harmônico, que funciona como ultra-som, possibilitando que durante a cirurgia os tecidos do órgão sofram menos danos. "Ele corta, coagula e cauteriza ao mesmo tempo", explicou Cláudio Rogério Lima, cirurgião de cabeça e pescoço. Além de agredir menos os tecidos, o bisturi é capaz de fazer incisões menores que o instrumento comum. O outro recurso, o uso de monitores de nervos no intra-operatório, ajuda na identificação do tumor. "A medicina cresce em passos largos a cada dia e nós, médicos, estamos pensando na qualidade e sobrevida do paciente", ressaltou Lima.

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SINTOMAS

Manchas brancas na mucosa da boca

Dor, inchaço ou ferida com duração superior a 15 dias

Afta, que demora a cicatrizar

Nódulo no pescoço presente por mais de duas semanas

Mudanças na voz ou rouquidão persistente (dez a 15 dias)

Dificuldade para engolir

Sensação de engasgo ou espinho na garganta

Dores constantes no ouvido

Sangramentos e/ou obstrução nasal contínua

Escarro com sangue

Alterações na pele como feridas e sangramentos difíceis de cicatrizar

Mudança de cor ou sangramento em verrugas

 


Correio da Bahia, 06/09/2005

Aqui Salvador

 

Nova técnica é utilizada para tratar pedra nos rins
LITOTRIPSIA

Diferentemente dos Estados Unidos, onde cerca de um milhão de pessoas ao ano são tratadas de pedra nos rins, no Brasil não há estudos oficiais. Sabe-se apenas que o problema ocorre principalmente entre 20 e 40 anos, além de ser mais freqüente em homens. Mas é nos casos que exigem tratamento que se revela grande desinformação quanto às técnicas empregadas.

"A litotripsia ainda é muito confundida com o método a laser. Cabe aos médicos a responsabilidade de explicar suas diferenças, indicações e possíveis contra-indicações, dependendo de cada paciente", diz Paulo Rodrigues, urologista do Hospital Santa Paula, de São Paulo.

Segundo o especialista, a litotripsia extracorpórea é o método não-invasivo empregado para quebrar os cálculos renais. "Não se trata de laser, mas de ondas eletromagnéticas, que são uma outra forma de energia para se fragmentar os cálculos. Esse método dispensa anestesia e internação, além de promover rápida recuperação".

Já o laser é um tipo de radiação de alta intensidade e temperatura, sendo aplicado em procedimento minimamente invasivo. "Ainda é um método indicado, principalmente nos casos em que a litotripsia é relativamente contra-indicada, como em pacientes com sérias dificuldades de controlar a hipertensão arterial, portadores de marcapassos, gestantes e pacientes que apresentam alterações anatômicas que dificultam a saída dos fragmentos. Mas as contra-indicações representam menos de 5% do total de casos", diz o urologista.

 


A Tarde, 06/09/2005

Local

 

Saúde
Falta medicamento para tratar tumor cerebral

Pacientes têm dificuldade em achar substâncias que devem ser gratuitas

SANDRO LOBO


A falta dos medicamentos Dostinex e Parlodel SRO no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) tem preocupado os pacientes com quadro de tumor na glândula hipófise. O Cedeba é o órgão da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) responsável pela distribuição gratuita dessas substâncias, mas ficou sem poder disponibilizar as drogas pelo quarto mês somente este ano. Segundo a Assistência Farmacêutica da Sesab, a medicação faltou apenas para os pacientes que fizeram cadastro recentemente, porque a aquisição depende de uma licitação ainda em andamento.

Alguns pacientes cadastrados há mais de dois anos, no entanto, afirmam que o problema tem se repetido com freqüência e destacam a importância de o tratamento ser continuado.
Foi assim em abril, maio e junho. Depois, levamos o problema à imprensa, e em julho e agosto voltou a ter. Agora já está faltando. O remédio é caro e o Ministério da Saúde determina sua distribuição gratuita, afirma o servidor estadual G.P.A., 54 anos, que faz tratamento com o Dostinex, que custa mais de R$ 200.

A professora Ângela Alencar, 43 anos, também precisa tomar diariamente seu comprimido de Parlodel SRO para manter o tumor no mesmo tamanho em que se encontra, evitando que ele possa vir a pressionar as estruturas vizinhas, como o nervo ótico, o que poderia causar cegueira. Ela vai todos os meses ao Cedeba para pegar seu medicamento e confirma que, antes de agosto, ficou por três meses sem recebê-lo.
Eu não pretendo fazer cirurgia, então não posso descuidar do tratamento, conta ela, que descobriu o problema há 11 anos.

Segundo o neurologista Jamary Oliveira Filho, os tumores de hipófise (glândula localizada no cérebro) costumam ser de crescimento lento.
Essas duas substâncias, que têm como princípio ativo a cabergolina e a bromocriptina, são realmente as mais usadas nesse tipo de tratamento, que precisa ser contínuo, afirmou. O neurologista afirma que qualquer pessoa pode apresentar tumor hipofisário, independentemente de qualquer fator precipitante. O adenoma de hipófise é relativamente freqüente na população, mas é raro ele matar, explicou.

A hipófise produz a maioria dos hormônios do corpo humano e um tumor pode causar esterilidade nas mulheres e impotência masculina, entre outros problemas. De qualquer forma, é o mais tratável dos tipos conhecidos de tumores cerebrais. A administração de medicamento para evitar o crescimento do tumor pode levar ao seu desaparecimento. Outra opção é a cirurgia, mas nem todas as pessoas têm coragem de se submeter ao procedimento, de alta complexidade.
Apesar de contar com excelentes médicos, fico com receio. Para que mexer num lugarzinho tão delicado da minha cabeça se ainda fica o risco de o tumor reaparecer?, questiona a professora Ângela.


Revista Você S/A, edição 87,2005

 

 

Chega de papagaiada

O ambiente de trabalho está cheio de gente sem idéias próprias. Saiba como mudar esse jogo de faz-de-conta corporativo

Por Roberto Shinyashiki*

O universo corporativo tem sido vítima de um tipo de profissional muito esperto: aquele que não é, mas parece ser. Eu explico: sabe aquele chefe que é tido como um gênio, mas que no fundo rouba as idéias das pessoas de sua equipe? Ou aquele colega que fala o tempo todo de seu diploma de MBA, mas que na hora de pegar no pesado deixa tudo nas costas dos outros? Pois é. Essas pessoas têm um dom especial: o de interpretar papéis que não correspondem à realidade. Ou seja, tentam vender uma imagem melhor do que a sua competência. São mestres no chamado marketing pessoal. São professores na arte de simular. Fazem muito barulho, mas pouco resultado. Tenho visto profissionais que odeiam trabalhar em equipe fazerem discursos inflamados a favor da colaboração mútua. E pessoas centralizadoras que dizem ter nascido para delegar. Tudo da boca para fora. Se durante os últimos anos boa parte dos indivíduos se preocupava mais em ter do que ser, hoje o cenário é ainda mais triste. Estamos vivendo a era em que o parecer está ficando mais importante do que o ser.

O curioso nessa história é que as empresas se iludem e, ao mesmo tempo, fazem as pessoas entrarem no jogo de se mostrar maravilhosas. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, o discurso é praticamente o mesmo. Todo mundo quer parecer perfeito. Se o entrevistador pergunta ao candidato qual o seu ponto fraco, logo vem a resposta: "Ah!, eu sou perfeccionista. Eu mergulho de cabeça no trabalho e não consigo relaxar enquanto não faço o que tem de ser feito". Que maravilha! É claro que ninguém jamais responderá de maneira sincera algo como "eu sou esquecido" ou ainda "sou desorganizado". As pessoas respondem somente o que os empregadores adoram ouvir, mesmo que lá no fundo os dois saibam que tudo não passa de mera encenação. Como conseqüência, a empresa forma uma equipe de profissionais em que o discurso não corresponde à prática.

Você sabe por que esse comportamento vem se institucionalizando? Em primeiro lugar, porque muitos presidentes têm dificuldade de assumir as bobagens que fazem. Em segundo lugar, porque as pessoas têm medo de chamar os chefes para a realidade. Para se preservar, agem como atores em cima de um palco. Fazem um complexo jogo de cena. Praticam a politicagem. Dizem aquilo que é politicamente correto, mesmo que acreditem exatamente na idéia oposta. Repetem como papagaios os ensinamentos dos manuais pasteurizados de carreira, num discurso bonito, mas vazio de compromissos. Os chefes estimulam a ilusão e a equipe mergulha no faz-de-conta, até que os números aparecem mostrando a dura realidade da organização. E nem sempre os resultados negativos são suficientes para acabar com a encenação. Por incrível que pareça, os esforços nessas ocasiões costumam se concentrar na busca da melhor justificativa para os problemas -- e não da solução. Dessa forma, o jogo de faz-de-conta continua implacavelmente.

A guerra pela sobrevivência tem alimentado o jogo do ser versus o parecer. As pessoas se sentem na obrigação de parecer sempre altamente motivadas, engajadas, comprometidas. Não se atrevem a demonstrar cansaço, mas também produzem pouco. Trabalham 14 horas por dia, mas não rendem grande coisa. Para elas, no entanto, isso não importa. O que vale é criar uma imagem positiva. Constato com tristeza o fato de muitos profissionais competentes perderem espaço para aqueles que, não tão eficientes assim, sabem fazer o seu marketing pessoal. Diante disso, não é de surpreender que haja tantas pessoas nas empresas que não se preocupem em ser honestas, e sim em parecer honestas -- o que atinge em cheio o coração das organizações e compromete sua sobrevivência.

Ninguém consegue se esconder atrás de marketing pessoal pelo resto da vida. Nas conversas que venho tendo com profissionais de gestão de pessoas, percebo que tem aumentado o número de demissões de funcionários com menos de seis meses de casa. É um sinal de que as máscaras estão começando a cair rapidamente. As empresas estão perdendo dinheiro e os seus executivos estão procurando analisar a realidade com mais cuidado para ver até onde podem avançar.

Agora temos que enfrentar a verdade! Chegou a hora de os presidentes chamarem para si a responsabilidade de acabar com esse faz-de-conta eterno. Cabe ao líder da empresa propor um diálogo transparente com as pessoas para que elas apresentem abertamente suas opiniões. Para muitas empresas, isso representará um recomeçar sem hipocrisias e ilusões. É preciso acordar para o fato de que o profissional competente é aquele que acredita na sua capacidade de avançar na vida. O sucesso no mundo atual vem para quem tem a simplicidade como traço da sua competência. Ele jamais joga com o único objetivo de ser aplaudido, pois não vê sentido nisso. Empty Picture Box

MOSTRE QUEM É VOCÊ
As empresas precisam de profissionais que assumam a responsabilidade por seus atos e opiniões. Eis o que você pode fazer a partir de agora:
1.  Questione o chefe que só sabe repetir como papagaio aquilo que escutou dos professores e dos colegas no curso de especialização.
2.  Manifeste-se sempre que discordar de uma idéia que todos estão concordando. Se não concorda com uma decisão, fale.
3.  Apresente-se para o jogo. Mostre que a sua visão é diferente. Talvez você tenha a resposta para os problemas que a empresa tanto busca. 4. Saiba que essa mudança de postura não será nada fácil. Ao contrário: você encontrará resistência a sua assertividade. Não importa.

* Roberto Shinyashiki é médico psiquiatra e autor de vários livros. Lançará em outubro Heróis de Verdade: Pessoas Comuns Que Vivem Sua Essência (Editora Gente)

 

O universo corporativo tem sido vítima de um tipo de profissional muito esperto: aquele que não é, mas parece ser. Eu explico: sabe aquele chefe que é tido como um gênio, mas que no fundo rouba as idéias das pessoas de sua equipe? Ou aquele colega que fala o tempo todo de seu diploma de MBA, mas que na hora de pegar no pesado deixa tudo nas costas dos outros? Pois é. Essas pessoas têm um dom especial: o de interpretar papéis que não correspondem à realidade. Ou seja, tentam vender uma imagem melhor do que a sua competência. São mestres no chamado marketing pessoal. São professores na arte de simular. Fazem muito barulho, mas pouco resultado. Tenho visto profissionais que odeiam trabalhar em equipe fazerem discursos inflamados a favor da colaboração mútua. E pessoas centralizadoras que dizem ter nascido para delegar. Tudo da boca para fora. Se durante os últimos anos boa parte dos indivíduos se preocupava mais em ter do que ser, hoje o cenário é ainda mais triste. Estamos vivendo a era em que o parecer está ficando mais importante do que o ser.

O curioso nessa história é que as empresas se iludem e, ao mesmo tempo, fazem as pessoas entrarem no jogo de se mostrar maravilhosas. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, o discurso é praticamente o mesmo. Todo mundo quer parecer perfeito. Se o entrevistador pergunta ao candidato qual o seu ponto fraco, logo vem a resposta: "Ah!, eu sou perfeccionista. Eu mergulho de cabeça no trabalho e não consigo relaxar enquanto não faço o que tem de ser feito". Que maravilha! É claro que ninguém jamais responderá de maneira sincera algo como "eu sou esquecido" ou ainda "sou desorganizado". As pessoas respondem somente o que os empregadores adoram ouvir, mesmo que lá no fundo os dois saibam que tudo não passa de mera encenação. Como conseqüência, a empresa forma uma equipe de profissionais em que o discurso não corresponde à prática.

Você sabe por que esse comportamento vem se institucionalizando? Em primeiro lugar, porque muitos presidentes têm dificuldade de assumir as bobagens que fazem. Em segundo lugar, porque as pessoas têm medo de chamar os chefes para a realidade. Para se preservar, agem como atores em cima de um palco. Fazem um complexo jogo de cena. Praticam a politicagem. Dizem aquilo que é politicamente correto, mesmo que acreditem exatamente na idéia oposta. Repetem como papagaios os ensinamentos dos manuais pasteurizados de carreira, num discurso bonito, mas vazio de compromissos. Os chefes estimulam a ilusão e a equipe mergulha no faz-de-conta, até que os números aparecem mostrando a dura realidade da organização. E nem sempre os resultados negativos são suficientes para acabar com a encenação. Por incrível que pareça, os esforços nessas ocasiões costumam se concentrar na busca da melhor justificativa para os problemas -- e não da solução. Dessa forma, o jogo de faz-de-conta continua implacavelmente.

A guerra pela sobrevivência tem alimentado o jogo do ser versus o parecer. As pessoas se sentem na obrigação de parecer sempre altamente motivadas, engajadas, comprometidas. Não se atrevem a demonstrar cansaço, mas também produzem pouco. Trabalham 14 horas por dia, mas não rendem grande coisa. Para elas, no entanto, isso não importa. O que vale é criar uma imagem positiva. Constato com tristeza o fato de muitos profissionais competentes perderem espaço para aqueles que, não tão eficientes assim, sabem fazer o seu marketing pessoal. Diante disso, não é de surpreender que haja tantas pessoas nas empresas que não se preocupem em ser honestas, e sim em parecer honestas -- o que atinge em cheio o coração das organizações e compromete sua sobrevivência.

Ninguém consegue se esconder atrás de marketing pessoal pelo resto da vida. Nas conversas que venho tendo com profissionais de gestão de pessoas, percebo que tem aumentado o número de demissões de funcionários com menos de seis meses de casa. É um sinal de que as máscaras estão começando a cair rapidamente. As empresas estão perdendo dinheiro e os seus executivos estão procurando analisar a realidade com mais cuidado para ver até onde podem avançar.

Agora temos que enfrentar a verdade! Chegou a hora de os presidentes chamarem para si a responsabilidade de acabar com esse faz-de-conta eterno. Cabe ao líder da empresa propor um diálogo transparente com as pessoas para que elas apresentem abertamente suas opiniões. Para muitas empresas, isso representará um recomeçar sem hipocrisias e ilusões. É preciso acordar para o fato de que o profissional competente é aquele que acredita na sua capacidade de avançar na vida. O sucesso no mundo atual vem para quem tem a simplicidade como traço da sua competência. Ele jamais joga com o único objetivo de ser aplaudido, pois não vê sentido nisso. Empty Picture Box

MOSTRE QUEM É VOCÊ
As empresas precisam de profissionais que assumam a responsabilidade por seus atos e opiniões. Eis o que você pode fazer a partir de agora:
1.  Questione o chefe que só sabe repetir como papagaio aquilo que escutou dos professores e dos colegas no curso de especialização.
2.  Manifeste-se sempre que discordar de uma idéia que todos estão concordando. Se não concorda com uma decisão, fale.
3.  Apresente-se para o jogo. Mostre que a sua visão é diferente. Talvez você tenha a resposta para os problemas que a empresa tanto busca. 4. Saiba que essa mudança de postura não será nada fácil. Ao contrário: você encontrará resistência a sua assertividade. Não importa.

* Roberto Shinyashiki é médico psiquiatra e autor de vários livros. Lançará em outubro Heróis de Verdade: Pessoas Comuns Que Vivem Sua Essência (Editora Gente)

 

 


 

RAE, v.4, n.2, jul./dez.2005

 

 

IMPACTO DE TREINAMENTO NO TRABALHO VIA INTERNET

GARDÊNIA ABBAD
Professora Adjunta do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da UnB. Doutora em psicologia pela UnB.

THAÍS ZERBINI
Professora na Faculdade Millenniun de Brasília (DF). Doutoranda em Psicologia na UnB.

Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo testar um modelo reduzido de avaliação de Impacto de Treinamento no Trabalho. Foram realizados dois estudos: (1) Construção e validação estatística de cinco instrumentos de medida: Escalas de Estratégias de Aprendizagem, Reação aos Procedimentos Instrucionais; Reação ao Desempenho do Tutor, Falta de Suporte à Transferência e Impacto em Profundidade; (2) Análise do relacionamento entre as variáveis preditoras referentes às Características da Clientela, Reações ao Treinamento, Falta de Suporte à Transferência e à variável-critério Impacto do Treinamento no Trabalho. As respostas dos participantes às escalas foram submetidas a análises exploratórias dos componentes principais, análise fatorial, de consistência interna, análises de regressão múltipla padrão e stepwise. No Estudo 1, todos os instrumentos apresentaram índices psicométricos satisfatórios. No Estudo 2, as variáveis explicativas de Impacto do Treinamento no Trabalho foram: Falta de Suporte, Estratégias Cognitivas e Comportamentais, Elaboração de um Plano de Negócio e Reação aos Procedimentos. Neste artigo, são discutidas algumas implicações desses resultados.

Palavras-Chave
Avaliação de treinamento à distância, estratégias de aprendizagem, reações, suporte à transferência e impacto do treinamento no trabalho.

Abstract
This research has had as a goal to test a reduced model of evaluation of Work Training Impact. Two studies have been done: (1) Construction and Validating Statistics of five measure instruments: Scales of Learning Strategies, Reaction to Instructional Proceedings and to the Tutor Performance, Lack of Support to Transference and Deep Impact; (2) To analyse the relationship between the predicts variables referred to the Customer's Characteristics, Reactions to Training, Lack of Support to Transference and the variable criteria Work Training Impact. The attendants answers to the scales have been submitted to exploiting analyse, of the main components, factorial analyse, of internal consistence, analyses of patterned multiple regression and stepwise. In the Study 1, all the instruments showed satisfactory psychometrics results. In the Study 2, the explainable variables of Work Training Impact were: Lack of Support, Cognitive and Behaviourist Strategies, Elaboration of a Business Plan, Reaction to the Proceedings. Some of the implications of theses results are discussed in this paper.

Key Words
Evaluation of distance training, learning strategies, reactions, support to transference and work training impact.

 

 

Leia o artigo na íntegra


Correio da Bahia, 05/09/2005

Aqui Salvador

 

Pesquisa aumenta desconfiança sobre a homeopatia
De acordo com estudo, os efeitos benéficos produzidos pela medicina alternativa são apenas psicológicos
Jane Fernandes

A polêmica em torno da eficiência da homeopatia no tratamento das mais diversas doenças não é exatamente uma novidade. No entanto, a divulgação de uma pesquisa realizada na Universidade de Berna (Suíça) botou o assunto novamente na pauta do dia. De acordo com o estudo, os efeitos benéficos produzidos por esses fármacos são os mesmos alcançados pelos placebos (pílulas sem efeito, usadas para testes). Esse resultado contradiz um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003, segundo o qual esses medicamentos desenvolvidos pelo alemão Samuel Hahnemann, no final do século XVIII, apresentam resultados equivalentes à medicina convencional.

"A questão é que eles querem pesquisar da mesma forma que fazem com os outros medicamentos e a homeopatia funciona de maneira completamente diferente", explica a médica Maria Amélia Soares da Cunha. Aplicando o tratamento há quase quatro décadas, ela argumenta que os efeitos dos remédios homeopáticos só podem ser estudados através de pesquisas clínicas. Um exemplo é o estudo que realizou com 20 pessoas, com as mais diversas doenças no hospital das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Eram dois grupos iguais, um recebendo tratamento alopático (medicina convencional) e outro utilizando a homeopatia. A constatação, segundo ela, foi de que a segunda alternativa foi mais rápida, eficiente e barata.

A desconfiança de muitos cientistas com os medicamentos feitos de acordo com os procedimentos desenvolvidos por Hahnemann parte, principalmente, do grau de diluição dos princípios ativos. A concentração muito reduzida seria um indicativo da impossibilidade de produção de efeitos fisiológicos, é o que pensam os críticos. Segundo Maria Amélia, no entanto, a lógica homeopática aponta exatamente para a direção contrária, pois o mais importante não é a quantidade da substância e sim o seu poder energético. Por isso, a médica defende que a ação da homeopatia está no campo biofísico.

Esse aumento de energia é produto da dinamização do medicamento, o que se traduz em um processo vigoroso de agitação. "O que argumentam é que seria uma transferência de energia da substância para a água, mas até hoje ninguém conseguiu provar que isso de fato aconteça", analisa o professor da Faculdade de Farmácia da Ufba, Eudes Velozo. A homeopata não discorda, mas acrescenta que a física ainda está muito atrasada para entender os fenômenos ligados a essa medicina alternativa. Isso, no entanto, não desabonaria a homeopatia. "Nós não sabemos como age, mas sabemos que age", ressalta Maria Amélia.

Ela explica que a pesquisa para avaliar os resultados dos medicamentos homeopáticos têm de seguir pelo caminho clínico, com pesquisas baseadas no acompanhamento de pacientes. "A procura é muito diversificada, tenho curas comprovadas, com ultrassonografia e outros exames, de várias doenças, inclusive tumores benignos", cita a mulher que herdou o entusiasmo pela homeopatia do pai. Não bastassem os estudos, Maria Amélia pôde experimentar os benefícios no próprio corpo, quando há 38 anos teve uma crise renal. A dor intensa teria cessado duas horas após o uso do remédio, a fase de tratamento se prolongou por mais 30 dias e seus rins nunca mais voltaram a incomodar.

Apesar de defender que a doutrina e a filosofia da homeopatia são muito fáceis e lógicas, a médica acrescenta que a prática é muito mais complexa. Aí estaria o motivo de algumas pessoas não apresentarem os efeitos desejados com o tratamento. "Primeiro, o médico tem que acertar o remédio, temos mais de três mil alternativas, então ele tem de estudar muito o caso", pondera. Para pacientes que chegam aos consultórios em fase aguda, quase sempre é necessário usar uma substância para debelar a crise e outra voltada para a cura da patologia.

***

NO BRASIL

O tratamento foi introduzido em 1840 pelo médico francês Benoît Jules Mure, discípulo direto de Hahnemann, que garantia ter se curado de uma tuberculose pelo método homeopático. Na época, sua expansão foi rápida, sendo que a saúde da população carente e dos escravos ficava a cargo, quase que exclusivamente dos homeopatas. Em 1980, passou a ser reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina.

SAIBA MAIS

Quando Samuel Hahnemann desenvolveu a homeopatia clássica, as práticas da medicina convencional eram basicamente a flebotomia (abertura de veias) e a sangria.

O termo homeopatia é derivado de duas palavras gregas: homeo (semelhante) e pathos (sofrimento). Enquanto allos, de alopatia, significa oposto.

Foi a partir da frase na qual Hipocrátes postulou "há doenças que são tratadas pelo similar, outras pelo contrário", que Hahnemann desenvolveu seu tratamento alternativo.

 


A Tarde, 05/09/2005

Local

 

Saúde
Faltam contraceptivos nas unidades de saúde

CLÁUDIA OLIVEIRA

O desconhecimento de formas de planejamento familiar e a pouca atenção dada à educação sexual nas escolas têm influência nos altos índices de gravidez indesejada e abortos realizados por adolescentes. A indisponibilidade dos métodos anticonceptivos nas unidades de saúde é outro fator importante.

É comum não haver oferta de contraceptivos na rede pública, afirma a diretora do Centro de Referência e Saúde Sexual e Reprodutiva (Cresar), Balbina Lemos. A coordenadora da saúde da mulher da Secretaria Municipal da Saúde, Tânia Nogueira, informa que em fevereiro, mesmo com a campanha de distribuição de preservativos na época do Carnaval, chegou a faltar camisinha nas unidades de saúde.

É da competência do Ministério da Saúde, por meio da Comissão Intergestora Tripartite, o repasse dos métodos anticonceptivos aos municípios. Os municípios, por sua vez, são os responsáveis por efetuar a distribuição do material nos postos e unidades de saúde. Além de camisinha e pílulas, o Ministério da Saúde deveria abastecer os postos com o dispositivo intra-uterino (Diu), injeção mensal e injeção trimestral.

Balbina Lemos certificou que nem sempre isso acontece. “O grande problema é que os contraceptivos são disponibilizados na rede de forma irregular”, atestou. Ela disse que a pílula e a camisinha são os preferidos dos adolescentes e que cerca de 40% dos contraceptivos distribuídos no Estado são pílulas.

O método anticoncepcional que falta na rede pública com maior freqüência, conforme a diretora do Cresar, é a injeção trimestral, a mais solicitada pelas usuárias adultas, pela comodidade e segurança. “Se a usuária não tem o método no posto de saúde perto de casa, ela não vai gastar 20, 30 reais para comprar. Muitas vezes não tem o dinheiro para pagar o transporte e sair do bairro para pegar em outro”, garantiu.

Balbina Lemos ressaltou que, embora essa não seja uma competência do Estado, a Secretaria da Saúde, dentro da política de planejamento familiar, investiu R$ 4 milhões este ano na aquisição de contraceptivos, que foram repassados aos municípios, inclusive Salvador. “Mas isso representa apenas 15% da demanda do Estado”, garantiu.

A assessoria de comunicação do Ministério da Saúde, em Brasília, informou que foram liberados R$ 700 milhões para a compra de preservativos este ano. Mas apenas R$ 460 milhões foram adquiridos e distribuídos até o final de agosto. Justifica que os problemas seriam de ordem mundial: baixa qualidade do produto – que passa por testes técnicos do ministério antes de chegar ao cidadão – e incapacidade internacional de produzir preservativos suficientes para atender à demanda.

Colaborou Katherine Funke

Dicas aos pais

Prevenção da gravidez, DSTs e Aids na adolescência depende principalmente da educação sexual doméstica

·  Converse sobre sexo com seus filhos desde cedo, tirando as dúvidas do momento, sem complicar muito na resposta. Sofistique as explicações gradualmente, quando sentir que seu filho pode compreender

·  Se não puder ou não conseguir conversar com clareza, indique um parente ou amigo de confiança

·  Evite palavras que distorçam o sentido de pênis, vagina ou outras expressões ligadas à sexualidade, pois podem causar traumas ou visões errôneas

·  Recorra a fontes especializadas para tirar as dúvidas do seu filho, como sites, livros e ginecologistas

·  Dê o exemplo: vá ao médico e busque o máximo de informações sobre métodos anticoncepcionais e de prevenção de DST/Aids. E se cuide também

Fontes: ginecologista Paulo Spinola (Ceparh) e educadora sexual Maria Paquelet (Proedsex-Ufba)

Números do Brasil

1,4 milhão é o número de abortos por ano

31%das gestações terminam em aborto

240 mil é o número de internações por complicações decorrentes de aborto

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde

Serviço

Onde buscar orientação e métodos anticoncepcionais gratuitamente


Postos de saúde municipais
Informações pelo telefone 3611 1000

Hospitais do Estado

Maternidade Tsylla Balbino
Ladeira de Quintas dos Lázaros, s/n, Baixa de Quintas -Telefone: 3381-3558

Maternidade Albert Sabin
Fazenda Grande II, via local B, 2ª etapa A, Cajazeiras - Telefone: 3395-6501

Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba)
Rua Teixeira de Barros, 72, Brotas
Telefone: 3453-6400

Hospital João Batista Caribé
Av. Afrânio Peixoto (Suburbana), s/n, Coutos - Telefone: 3397-1055

·  Artigo 1

Um problema médico e social

Isabel Freitas


A gravidez na adolescência é um problema médico e social, sendo considerada de alto risco pela Organização Mundial de Saúde, em particular, quando ela ocorre em jovens com menos de dois anos de vida menstrual. A multiplicação de adolescentes grávidas é um fenômeno universal e acomete países desenvolvidos e em desenvolvimento, o que preocupa os especialistas da área. Os EUA possuem as mais altas taxas de gravidez na adolescência entre os países desenvolvidos.

No Brasil, admite-se que cerca de 27% dos partos realizados no SUS sejam de mães adolescentes (10-19 anos). Esta ocorrência é ainda maior nas populações de baixa renda e vem aumentando na faixa etária dos 10-14 anos. A gravidez em menores de 14 anos pode associar-se a: infecções sexualmente transmissíveis, anemia, desnutrição, hipertensão, um maior número de abortos espontâneos e partos prematuros, com maior risco morte dos recém-nascidos.

Além das complicações biológicas, existem as psicossociais. As mais preocupantes são a depressão, evasão escolar e o abandono dos projetos de vida, o que dificulta a profissionalização da e inserção no mercado de trabalho, favorecendo a perpetuação da pobreza. Esta situação torna-se mais complicada quando o pai também é adolescente. O apoio familiar e o envolvimento do companheiro são de fundamental importância para minimizar os efeitos negativos do problema.

O aborto representa uma complicação da gravidez e, nesta faixa etária, está associado a um maior risco infeccioso, em particular quando se consideram as técnicas utilizadas para provocá-lo. O atraso no diagnóstico do aborto incompleto pode favorecer a morte da jovem. As infecções associadas, se não adequadamente tratadas, podem levar a doença inflamatória pélvica, situação que pode contribuir para a infertilidade no futuro. Diante de tudo isto, é necessário a colaboração de todos os segmentos da sociedade, para a prevenção da gravidez na adolescência.

O Estado deve prover serviços que contemplem a saúde reprodutiva das jovens. A mídia deve difundir informações corretas sobre uso de preservativo e contracepção, inclusive de emergência, o que deve ser reforçado pelos profissionais de saúde. A educação sexual deve ser vista não só como um meio de prevenção de gravidez, mas, acima de tudo, reconhecida como um ato de cidadania, em defesa da melhoria das condições de vida dos nossos adolescentes.

Isabel Freitas é médica e professora de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

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Adolescência e vulnerabilidade

Mário Volpi


Ao observar as diferentes circunstâncias de vulnerabilidade que envolve a adolescência, é preciso ter o cuidado para entender suas múltiplas causas para não corroborar com os preconceitos que vêem essa fase da vida como um problema.

A adolescência é antes de tudo uma grande oportunidade de descobertas, desenvolvimento e crescimento para o próprio adolescente, para sua família e para a sociedade. Se conseguirmos entender essa fase da vida para além da “explosão de hormônios”, da “instabilidade do comportamento” e das “mudanças físicas e psicológicas”, será possível perceber que se trata de um momento onde a aprendizagem é mais veloz; as interações sociais aumentam; a capacidade crítica e criativa afloram, e a alegria e a inovação geram uma nova dinâmica na família, na comunidade e na sociedade.

É muito bom para o País ter mais de 21 milhões de adolescentes. Isto o enriquece com um capital humano fantástico para fazer transformações, gerar novas relações, vencer preconceitos e fazer o mundo melhor.

Entretanto, nossos adolescentes estão expostos ao consumo exacerbado, valores ambíguos e apelos a uma sexualidade deturpada. Ao invés de entender sua fase de desenvolvimento, potencializar suas capacidades e abrir seu universo para sua realização, observamos a cada dia o aumento de situações de vulnerabilidade que os expõe a novas e diferentes dificuldades.

A falta de qualidade da educação pública, a precariedade dos serviços de saúde, a inexistência de uma política de cultura, esporte e lazer, associadas ao despreparo de pais e educadores, produzem um entorno de insegurança e falta de referências positivas que resulta no conjunto de problemas conhecido como o abuso de drogas, o envolvimento na violência, o abuso sexual, a gravidez precoce e a conjunto de situações que põe em risco sua vida e seu desenvolvimento.

A questão da gravidez na adolescência vem se constituindo em mais uma dessas vulnerabilidades agravada ainda pelo aborto. Discutido sempre com discrição, em função das polêmicas que produz, este tema é pouco estudado e é facilmente abordado por um moralismo repressor ou pelo outro extremo do liberalismo excessivo.

A pesquisa A Voz dos Adolescentes, realizada pelo Unicef, em 2003, revelou que 16,6% dos adolescentes já engravidaram ou engravidaram sua companheira. Destes 28,8% não tiveram o filho. A pesquisa não avançou para identificar o que significou não ter o filho, mas sabe-se que, descontados os chamados abortos naturais, vamos entrar numa estatística reveladora de uma situação de graves riscos e sofrimentos.

O aborto na adolescência constitui-se, portanto num problema de grave relevância. As classes de maior poder aquisitivo contam com a possibilidade de serviços seguros, embora clandestinos e ilegais. Os mais pobres em situações extremas de desespero recorrem a procedimentos de alto risco que agravam as estatísticas de mortalidade materna.

Diante da delicadeza do tema e da urgência de um posicionamento do poder público, é preciso explicitar com mais veemência o problema, aprofundar os estudos e apoiar os/as adolescentes para que participem desse processo com suas vivências e temores, de forma a exigir uma política pública construída em bases éticas e de respeito à dignidade humana.

Mário Volpi, 41, é formado em filosofia, mestre em políticas sociais e coordena o Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil.


Correio da Bahia, 05/09/2005

Aqui Salvador

 

Médicos discutem em encontro a humanização do atendimento

Após um tempo de espera, o paciente entra no consultório e começa a desfiar seu rosário de queixas. O médico faz anotações e, ao fim, entrega um monte de requisições para a realização de exames. Essa é uma cena hipotética, mas nada incomum. Diante dos relatos de atendimentos tão pouco interativos, muitos profissionais da saúde pública têm chamado a atenção para a necessidade de humanizar a prática médica. Essa preocupação foi o tema do Sexta de encontro na escola, que aconteceu na sexta-feira no Centro de Atenção à Saúde, quando a psicoterapeuta Dolores Araújo expôs sua dissertação de mestrado sobre a questão.

Membro da Escola Estadual de Saúde Pública - organizadora desses encontros realizados gratuitamente na primeira sexta-feira de cada mês - ela partiu do seu trabalho acadêmico para reforçar a importância dessa visão humanista na formação dos profissionais de saúde. "É uma preocupação mundial. A medicina se especializou e ficou extremamente técnica, mas menos humana", avalia a médica. O reflexo disso é que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, existe um descompasso entre o potencial de rendimento e o resultado efetivo.

Para Dolores, o modelo de ensino dominante está muito centrado no atendimento hospitalar, no qual os novos médicos lidam com problemas mais sérios e acabam dando mais atenção à doença do que ao paciente. O estudo desenvolvido por ela parte do diário de campo como instrumento de avaliação dessa relação médico/paciente. Os relatos escritos neste diário fazem parte das atividades da disciplina propedêutica e, segundo a médica, oferecem uma percepção de como esse estudante está encarando o indivíduo que está sendo atendido.

"A formação tem de trabalhar as atitudes, condutas e valores desse profissional, senão o médico fica muito divorciado do paciente", defende Dolores. Convidado para fomentar um debate em torno do trabalho apresentado pela médica, o professor da Faculdade de Medicina da Ufba, Luiz Carlos Passos, ressaltou a importância de se considerar os aspectos emocionais em um atendimento. "Ninguém adoece apenas no corpo, tem um conjunto de sensações e emoções, relativas a esse adoecer, que precisam ser contempladas", explicou.

Na visão de Passos, além do desafio de reverter essa postura no meio médico existe o peso dessa tarefa mediante a população. "Agora precisamos convencer o paciente de que a humanização do ato médico é uma boa estratégia", lembra. Afinal, diante da ampla gama de exames de alta tecnologia, muitas pessoas desenvolveram a crença de que ter uma boa assistência à saúde é fazer uma série de testes caros e complexos.

 


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