Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir
Pessini
Clipping
On-line
Ano 6 , n.212
De 12/09 à 18/09/05
Sumário de Matérias
-O reajuste, Revista Medicina Social de Grupo,
Ano 22, n.190, jul./ago./set.2005
-O Modelo da oportunidade, Revista HSM
Management. Ano 9, n.52, set./out.2005
-Tratamento supervisionado da tuberculose evita o abandono,
Correio da Bahia, 17/09/2005
-Custo do remédio
afasta pacientes do tratamento, A Tarde, 16/09/2005
-Câncer de pulmão
causa mais mortes de mulheres, A Tarde, 15/09/2005
-Fibrose cística muitas vezes é confundida com outras doenças,
Correio da Bahia, 15/09/2005
-Médicos mantêm
boicote a planos de saúde, A Tarde, 13/09/2005
-Exame vai garantir mais segurança na doação, Correio da
Bahia, 13/09/2005
-Anticoncepcional
genérico chega às farmácias, A Tarde, 12/09/2005
-Hipertensão pulmonar é considerada doença grave,
A Tarde, 12/09/2005
-Dor e fotofobia em apenas um olho é sintoma de infecção, Correio da
Bahia, 12/09/2005
Revista Medicina Social de Grupo, Ano 22, n.190,
jul./ago./set.2005
As disposições constante dos contratos antigos são
intangíveis
Dagoberto José Steinmeyer Lima
A Diretoria
Colegiada da ANS, por meio de sua RN nº 99, de 27 de maio último, estabeleceu
critérios para reajustes das contraprestações pecuniárias dos planos de saúde,
aplicáveis no período entre os meses de maio de 2005 a abril de 2006, com foco
principal nos planos individuais e familiares e naqueles contratados por
pessoas físicas junto a autogestões não patrocinadas que sejam financiados
exclusivamente com recursos de seus beneficiários.
Esse universo, sob a égide da referida RN nº 99, compreende os contratos, nas
modalidades acima mencionadas, celebrados a partir de 1º de janeiro de 1999, ou
que, muito embora firmados antes dessa data, tenham sido adaptados ao regime da
Lei nº 9.656/98.
Assim, a aplicação dos reajustes nos planos contratados por pessoas físicas,
conforme acima se salientou, depende da prévia autorização da ANS,
obedecendo-se ao ritual estabelecido no corpo da Resolução Normativa da Agência
Reguladora aqui aludida.
Como das vezes anteriores, a RN nº 99 fixa como limite máximo do reajuste em
tela o percentual de 11,69% para os planos que apresentem uma ou algumas das
segmentações previstas nos incisos I a IV do artigo 12 da Lei 9.656/98, ficando
claro no parágrafo 1º do artigo 4º da referida Resolução que os critérios de
reajustes dos planos exclusivamente odontológicos contratados por pessoa física
serão definidos em Resolução Normativa especifica, ainda não baixada quando da
elaboração desta matéria pelo seu autor.
Destarte, a aplicação do reajuste ficará vinculada à autorização expressa a ser
expedida, caso a caso, pela ANS, apreciando a solicitação da operadora,
acompanhada dos elementos informativos e documentais elencados no artigo 5º da
RN em referência.
É importante salientar que às operadoras com início do período de referência
para aplicação do reajuste de maio a julho de 2005 que solicitarem autorização
para aplicação de reajuste em até 30 dias da publicação daquela Resolução - o
que ocorreu em 30 de maio de 2005 - ficará facultado o envio do anexo II e do
relatório de auditoria em até 30 dias, a contar da data de protocolização do
documento de solicitação na ANS.
Para garantir a aplicação do reajuste durante o período de referência indicado
na solicitação, a operadora deverá protocolizá-la, observadas as exigências do
artigo 5º, até o último dia útil do mês de início do período de referência para
aplicação de reajuste. O parágrafo 1º do artigo 6º da citada RN estabelece que
as operadoras, com início de período de referência para aplicação de reajuste
em maio de 2005, poderão protocolizar a solicitação até o último dia útil do
mês de junho de 2005, garantindo, assim, a aplicação do aumento referente a
maio de 2005. Nos casos em que a operadora conclua a solicitação do reajuste
até o último dia útil do segundo mês subseqüente ao mês do início do período de
referência, este período será mantido, iniciando-se a aplicação no mês em que
ocorreu a conclusão da solicitação, não podendo haver cobrança retroativa dos
valores. Entretanto, na hipótese de que esse prazo seja ultrapassado, será
estabelecido novo período de 12 meses como referência para a operadora,
observando-se o mês do protocolo da conclusão da mencionada solicitação de
reajuste, e a sua aplicação se iniciará no mês em que ocorreu a conclusão da
solicitação, não podendo, igualmente, haver cobrança retroativa de valores.
Conforme o disposto no artigo 7º da aludida Resolução Normativa, os percentuais
de reajuste e revisão aplicados aos planos coletivos deverão ser informados à
ANS pela Internet por meio de aplicativo, conforme as definições constantes do
seu anexo III, em até 30 dias após a sua aplicação.
Outro detalhe que merece registro é aquele estabelecido no artigo 3º, que
determina que os planos de saúde contratados por pessoas físicas e celebrados
anteriormente à vigência da Lei nº 9.656/98, cujas cláusulas não indiquem
expressamente o índice a ser utilizado para reajustes das contraprestações
pecuniárias dos respectivos planos e/ ou sejam omissos quanto ao critério de
apuração e demonstração das variações consideradas no calculo do reajuste, deverão
adotar o percentual limitado ao reajuste estipulado na mencionada Resolução,
lembrando-se que o percentual máximo que deverá ser adotado para os planos
exclusivamente odontológicos será estabelecido em Resolução Normativa
específica, ainda não conhecida pelo autor destas linhas.
No nosso entendimento, as disposições constantes dos contratos relativos aos
planos de saúde, individualmente celebrados antes do advento da Lei nº
9.656/98, são intangíveis por força do disposto no inciso XXXVI do artigo 5º da
Constituição Federal, que veda a retroatividade da norma jurídica nova para
violar ato jurídico perfeito celebrado antes do início de sua vigência,
princípio este acolhido no deferimento liminar da Ação Direta de
Inconstitucionalidade nº 1.931, proposta pela Confederação Nacional de Saúde
(CNS) perante o Supremo Tribunal Federal.
Dessa forma, não poderia a ANS regular a aplicação da cláusula de reajuste de
contratos relativos aos planos individuais e familiares celebrados antes de 1º
de janeiro de 1999.
O autor é
chefe da assessoria jurídica do Sistema Abramge/Sinamge/Conamge/Sinog
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Revista HSM Management. Ano 9, n.52, set./out.2005 ESTRATÉGIA |
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Temas | Modelos de negócios, Ferramentas de gestão,
Oportunidades de serviços, Gestão de custos |
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Fonte | Journal of Business Strategy
Autor/es | Morris, Donald
Publicado | Set/Out 2005
O professor Donald Morris, especialista em gestão de custos,
afirma que os executivos não sabem ao certo o que é uma oportunidade de negócio
e propõe uma nova ferramenta para análise estratégica que acabará com a
confusão –e tornará a análise SWOT mais produtiva.
Quando as pessoas falam em oportunidade, estão se referindo a uma das seguintes
três coisas: as opções possíveis para resolver um problema, uma plataforma de
decisão, aprimorada pelo tempo, na qual são consideradas e avaliadas distintas
opções, e a solução propriamente. Essa confusão explica, segundo o autor, as
dificuldades dos indivíduos para reconhecer novas oportunidades.
Disposto a esclarecer definitivamente o assunto, Morris expõe neste artigo um
modelo para entender quando uma circunstância constitui uma oportunidade. O
autor descreve o contexto da oportunidade (problema, opção, valor e missão
organizacional) e seus elementos (aprimoramento com o tempo, sacrifício, risco,
catalisador e possibilidade de arrependimento) e conclui com a aplicação
prática do modelo.
Correio da Bahia, 17/09/2005
Aqui Salvador
Tratamento
supervisionado da tuberculose evita o abandono
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a
tuberculose mata todos os anos cerca de dois milhões de pessoas em todo o
planeta. O Brasil registra por ano 85 mil novos casos, um número considerado
alto pelo Ministério da Saúde. Seis mil brasileiros perdem a vida em
conseqüência dessa doença anualmente. Um dos maiores empecilhos ao combate a
esse grave problema de saúde é o abandono do tratamento. Com o desaparecimento
dos sintomas, nos primeiros dias da medicação, muitas pessoas acabam deixando a
terapia de lado. O abandono da terapia pode levar o paciente a desenvolver uma
tuberculose resistente à medicação.
Para evitar que isso aconteça, o Ministério da Saúde começou
a por em prática nos 315 municípios considerados prioritários no combate à
doença o Programa de Tratamento Supervisionado da Tuberculose. Em 2005, metade
desses municípios prioritários terá esse tipo de tratamento implementado. São
cidades que respondem por mais de 70% dos casos de tuberculose do país.
"Esse método é bastante eficiente e apresenta expectativa de cura de
96%", afirma o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde,
Jarbas Barbosa.
O governo federal quer estender o tratamento supervisionado
a todos os municípios prioritários até o ano de 2007. O Ministério da Saúde
acredita que, se houver esforço concentrado da União, estados e municípios,
essa meta pode ser antecipada. "Em todo esse processo a descentralização é
a melhor forma de aperfeiçoar o programa. Em cada unidade de saúde, por mais
longe que seja do centro da cidade, deve existir o programa de controle da
tuberculose", diz Jarbas.
Segundo o secretário, para se ter uma idéia da expansão do
programa, em 2001 apenas 21% das unidades de saúde possuíam tratamento
supervisionado. Em 2004, esse número pulou para 52%. "Quando o paciente
toma o remédio na frente do profissional é mais difícil abandonar o
tratamento", diz Jarbas Barbosa, referindo-se a um dos maiores problemas
enfrentados durante o tratamento da doença, que dura seis meses.
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Profissionais serão capacitados
Para controlar a tuberculose no país e tratar todos os casos
descobertos, o ministério investirá até 2007 cerca de R$119,5 milhões.
"Essa verba servirá para capacitação de profissionais, aquisição de
medicamentos, campanhas de divulgação, apoio aos laboratórios e repasse de
recursos aos estados e municípios", afirma o secretário de Vigilância em
Saúde.
Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, a
tuberculose é transmitida pela tosse ou espirro de um doente. Possui como
sintomas mais comuns febre, tosse, cansaço e perda de apetite. A maior parte
dos casos de tuberculose (mais de 90%) é pulmonar, mas o problema pode atingir
outras partes do corpo, como a pele, os rins e as meninges.
A tuberculose se manifesta com maior freqüência em áreas com
baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O crescimento populacional nas
periferias das grandes cidades contribuiu para o aumento do número de casos no
Brasil. Há uma grande concentração de registros de tuberculose em todas as
metrópoles brasileiras. Outro ponto que agrava essa situação em todo o mundo é
a associação com a Aids. No Brasil, 8% dos pacientes com a doença também têm
Aids.
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A
Tarde, 16/09/2005 Local Saúde |
A Tarde, 15/09/2005
Local
Saúde
Câncer de pulmão causa mais mortes de mulheres
Farmacologista alerta para riscos do fumo e anuncia estudo sobre doenças da
mama
KARINE RODRIGUES
AGÊNCIA ESTADO
Embora o tumor de mama seja o câncer de maior incidência nos Estados Unidos, o
farmacologista americano Virgil Craig Jordan, que descobriu os efeitos da droga
tamoxifeno no combate ao câncer de mama, chamou atenção para neoplasia de
pulmão. “Entre mulheres, é hoje o câncer que mais mata. E isso porque elas
estão sendo convencidas pela indústria a fumar, relacionando o cigarro à
liberdade. Vocês são liberais, modernas, vamos fumar”, afirmou.
Jordan recrimina a mensagem passada pela publicidade da indústria. Ele
ressaltou ainda o perigo da obesidade, acrescentando que os quilos a mais
ganhos hoje vão, no futuro, causar sérios problemas de saúde. “As pessoas estão
comendo muitas calorias e não se exercitam”.
Virgil Craig Jordan está coordenando a maior pesquisa clínica já feita sobre o
assunto na área de prevenção, com 19 mil voluntárias. O uso do tamoxifeno
revolucionou a forma de deter a doença, evitando a morte de mais de 400 mil
mulheres.
No Brasil, para participar do XIII Congresso Brasileiro de Mastologia, Jordan
adiantou que, até o meio de 2006, serão divulgados os resultados preliminares
do estudo, uma comparação entre o tamoxifeno e outro antiestrógeno chamado
raloxifeno.
Indicado ao Prêmio Nobel de Medicina pela importância dos ensaios feitos desde
1970, todos relacionados ao câncer de mama, Jordan explicou que o objetivo da
pesquisa, feita nos Estados Unidos, é comprovar a eficácia do raloxifeno, que,
em testes com animais, se mostrou potente para evitar câncer de mama,
osteoporose e doenças coronarianas.
MAIS EFICAZ – A intenção é apontar qual droga é mais eficaz e produz
menos efeitos colaterais, se o raloxifeno ou o tamoxifeno, que têm a mesma
forma de ação, ou seja, bloqueiam os receptores do hormônio feminino estrógeno,
impedindo a formação de células cancerosas.
Todas as mulheres que integram a pesquisa clínica fazem parte do grupo de risco
para o câncer de mama, já passaram pela menopausa e têm receptores positivos
para o estrógeno. Metade delas vai ser tratada com tamoxifeno, e a outra
metade, com raloxifeno. Este último, apesar da eficácia indiscutível, provoca
um aumento sutil na incidência de câncer de endométrio, fazendo com que a taxa
suba de um para três casos em cada grupo de mil mulheres.
Há 30 anos, observou o cientista, o tratamento disponível para câncer de mama
limitava-se à cirurgia para retirada de útero. “Porém, em vários casos, a
doença voltava cinco, dez anos depois da operação. Com o tamoxifeno, a
sobrevida da paciente aumentou consideravelmente, e a taxa de mortalidade por câncer
de mama na Inglaterra, por exemplo, caiu 30%”, disse Jordan, professor da
Northwestern University School of Medicine, acrescentando que outra vantagem do
medicamento é o preço.
No Brasil, o tratamento mensal fica em torno de R$ 70 e deve ser feito durante
até cinco anos, em combinação com outros tratamentos ou isoladamente, no caso
de tumores pequenos.
“Estamos monitorando o grupo que participa da pesquisa em quatro áreas: câncer
de mama, fraturas, problemas ginecológicos, como sangramento e câncer de
endométrio, e problemas nas coronárias. O raloxifeno mostrou que não faz isso
em relação ao câncer de endométrio. O estudo é importante porque vai responder
se ele é melhor, pior ou igual ao tamoxifeno”, disse Jordan, informando que o
ensaio envolve cerca de 500 profissionais de saúde e está sendo financiado por
um braço do Instituto Nacional do Câncer americano.
Segundo ele, mais de 190 mil mulheres se inscreveram para participar do estudo,
iniciado em 1999. Boa parte foi dispensada por não atender às exigências do
estudo, como o de pertencer ao grupo de risco para o câncer de mama, calculado
por meio de um programa de computador com base em informações pessoais. Entre
os fatores que predispõem à doença, estão, por exemplo, gravidez após os 30
anos ou a inexistência de gravidez, envelhecimento, existência de mãe ou filha
que morreram de câncer de mama em idade jovem, na faixa entre 40 e 50 anos, e
hiperplasia no seio.
Correio da Bahia, 15/09/2005
Aqui Salvador
Fibrose cística
muitas vezes é confundida com outras doenças
Ainda pouco conhecida, enfermidade afeta pulmões e
reduz expectativa de vida
Perla Ribeiro
Doença genética, grave e crônica, a fibrose cística ainda é
pouco conhecida no Brasil. Embora seja descrita desde a Idade Média, passou a
ser mais discutida somente há 15 anos, com a descoberta do gene causador.
Geralmente ela se manifesta logo nos primeiros meses de vida. Porém, há casos
atípicos em que só é diagnosticada na idade adulta. Um grande problema, de
acordo com a coordenadora do Centro de Referência em Fibrose Cística do
Hospital Otávio Mangabeira, a pneumologista Maria Angélica Santana, é que
muitas vezes ela é tratada como doença corriqueira de criança.
"O não ganho de peso, a diarréia freqüente e a tosse
com secreção pode ser confundida com asma", alerta a especialista.
Estatísticas do Ministério da Saúde indicam que, no Brasil, cerca de 1,5 mil
pessoas são portadoras de fibrose cística. Estima-se ainda que hoje exista
cerca de mil casos no país ainda não diagnosticados. O assunto foi discutido
ontem, durante workshop realizado no hospital.
Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito através do exame
clínico e confirmado com o teste de suor, que vai dosar o nível de cloro e
sódio no sangue. Caso confirmada a doença, a criança passa o resto da vida
prisioneira do tratamento. "O paciente fica o resto da vida refém da
medicação. Tem a medicação para dissolver o muco do pulmão (mucolíticos) e
antibióticos para infecção. Aliado a isso, é indispensável ainda a fisioterapia
diária para deixar os pulmões limpos e acompanhamento nutricional",
explica a pneumologista.
Como é um paciente que gasta muita energia por conta dos
esforços respiratórios e da fisioterapia, a nutricionista Cláudia Dantas
explica que é fundamental aliar o tratamento a uma dieta hipercalórica e
hiperprotéica. "Se o indivíduo não tiver o organismo nutrido, aumenta o
risco de infecção, levando o organismo a ficar cada vez mais debilitado. O
indivíduo com fibrose cística precisa de um suporte nutricional 50% maior que
um indivíduo normal", explica a nutricionista.
Especialistas alertam que quanto mais precoce o diagnóstico,
maior a sobrevida e a qualidade de vida do paciente. Quando não cuidada a tempo,
a doença pode levar a quadro de bronquiecstasia (destruição dos pulmões),
podendo refletir no coração e levar a óbito. A doença é causada devido uma
mutação genética e é passada para os filhos quando os dois genitores apresentam
esta mutação. Os primeiros sintomas são infecção respiratória repetidas
associada à diarréia com presença de gordura.
Atualmente, o Hospital Otávio Mangabeira atende a 230
portadores de fibrose cística, sendo 90% dos pacientes crianças. "A
perspectiva de vida dos pacientes nascidos a partir de 1990 e tratados aumentou
para 45 a 60 anos", diz Maria Angélica. Uma grande dificuldade ainda é
encontrada pelos pacientes que residem no interior e não contam com a
assistência adequada. Um paciente em quadro grave pode chegar a custar R$20
mil. O tratamento é feito através do acompanhamento de uma equipe
multidisciplinar, que inclui médico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.
***
Médicos têm dificuldades para fazer diagnóstico
Mãe de seis filhos, sendo dois portadores da fibrose cística,
Iraildes Maria dos Anjos conta que levou quatro anos para que fosse
diagnosticada a doença na filha. Já com o filho, levou oito meses. Hoje, eles
têm 13 e 9 anos, respectivamente, e já levam uma vida "normal", mas o
início foi traumático. "O meu filho nasceu cansando e todo roxo, já foi
saindo do ventre para o balão de oxigênio. Daí até os oitos meses, ele vivia na
emergência, os médicos me acusavam de não cuidar da criança. Já minha filha,
embora não apresentasse problema respiratório, não se alimentava direito e
tinha diarréia com freqüência, só que a gente pensava que era anemia",
relata.
A situação se agravou quando aos 8 meses, o filho dela teve
uma infecção respiratória e passou 19 dias internados. Dias depois veio o
diagnóstico: fibrose cística. "Mas minha filha ainda continuava me
preocupando, ela tinha 6 anos e só pesava 15kg, era toda miudinha. Só mais
tarde conversando com a médica e após o teste do suor é que veio o
diagnóstico", contou a mãe das crianças. Hoje, ela os leva duas vezes na
semana para a fisioterapia e ministra medicação diária. "Hoje, olhando
aparentemente para eles, ninguém diz que têm problema".
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A
Tarde, 13/09/2005 Local
Saúde |
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Correio da Bahia, 13/09/2005
Aqui Salvador
Exame vai
garantir mais segurança na doação
Um exame que oferece mais garantias para a qualidade das
doações de sangue e que aumenta a segurança para o receptor. O teste de
amplificação e detecção de ácidos nucléicos (NAT) tem como mérito a redução
sensível da janela imunológica. Esse é o período em que uma pessoa contrai um
vírus, como o da Aids (HIV) e o da hepatite C (HCV), e os exames não conseguem
revelar que ela está infectada. O Ministério da Saúde está dando um passo
importante para implantar o NAT no Brasil. Ainda este semestre, o governo inicia
uma série de ações para viabilizar o teste.
O NAT é mais eficaz que o Elisa, exame usual no país. Ele
detecta seqüências genéticas dos vírus e consegue identificar a presença do
microorganismo em menos tempo. O Elisa descobre o vírus no corpo humano por meio
dos anticorpos produzidos para a defesa. É necessário grande quantidade de
anticorpos no corpo humano para que o vírus seja detectado.
"A implantação progressiva do NAT pelo Ministério da
Saúde, com base em estudos que levam em conta as especificidades de nosso país,
visa incorporar criticamente novas tecnologias. Com isso, continuaremos a
garantir a qualidade do sangue, em um sistema público que é motivo de
orgulho", afirma Arthur Chioro, diretor do Departamento de Atenção
Especializada (DAE) do Ministério da Saúde.
Antes de pôr o NAT em prática, o ministério realizará
estudos em alguns hemocentros da rede. Esse trabalho servirá como análise das
realidades epidemiológicas regionais, dos custos e da efetividade das ações.
Segundo o ministério, o estudo mostrará a distribuição social da Aids e da
hepatite C. De acordo com a equipe do DAE, "esse perfil não é uniforme;
varia de Norte a Sul do país".
O Ministério da Saúde determinou que a implantação do NAT
aconteça de forma gradual. Portaria assinada pelo ministro da Saúde, Humberto
Costa, diz que a primeira etapa se restringirá aos serviços de hemoterapia
públicos. Segundo essa portaria, o governo pretende investir na capacitação de
profissionais para realizar os exames e também em um sistema informatizado com
capacidade de armazenamento e processamento de dados. A coordenação da
implantação do NAT caberá aos gestores estaduais do Sistema Único de Saúde
(SUS), conforme a portaria.
***
Coleta é rigorosa
Hoje, o Brasil apresenta níveis mínimos de contaminação de
sangue. Isso é resultado de uma série de ações desenvolvidas nos últimos anos
pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), como o aperfeiçoamento dos exames e das técnicas de doação e a
conscientização da população.
Antes de doar sangue em um hemocentro, a pessoa é submetida
a um questionário. Caso tenha apresentado algum comportamento de risco, como
manter relações sexuais sem camisinha ou ser usuário de drogas, essa pessoa é
descartada como doadora.
Se o doador preenche as condições exigidas, seu sangue é
coletado. O material passa por testes, que verificam se ele não possui nenhuma
doença transmissível. Descartam-se cerca de 8,5% do sangue coletado no país por
ano, conforme dados da Anvisa.
O país conta com quase 2,5 mil serviços de hemoterapia.
Desses, dois mil realizam transfusão de sangue. Ao todo, 500 coletam sangue e
250 fazem triagem laboratorial para verificar a qualidade do sangue. Oitenta
por cento do sangue coletado no país vem das capitais.
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Tarde, 12/09/2005 Nacional Saúde |
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A Tarde, 12/09/2005
Nacional
Saúde
Hipertensão pulmonar é considerada doença grave
Fernanda Bassette
Folhapress
São Paulo – Ainda sem uma causa bem definida na literatura médica, a
hipertensão arterial pulmonar é uma doença grave, progressiva e que atinge
principalmente mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Os primeiros sintomas –
falta de ar e cansaço físico – são inespecíficos na maioria das vezes, o que
dificulta e atrasa o diagnóstico da doença em até dois anos. Sem tratamento,
estima-se que cerca de 50% dos pacientes morram em até três anos após o
problema ser descoberto.
O termo hipertensão significa que a pressão em determinado sistema de vasos do
corpo está aumentada. A hipertensão pulmonar é o aumento da pressão nos vasos
do pulmão. A doença provoca uma obstrução progressiva dos vasos pulmonares, que
ficam cada vez mais estreitos. “Esse estreitamento faz com que o coração tenha
de fazer muita força para que o sangue passe pelos pulmões. Isso leva a um quadro
progressivo de insuficiência cardíaca e respiratória”, diz o pneumologista
Rogério Souza, responsável pelo grupo de Hipertensão Pulmonar do Incor
(Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Segundo a pneumologista Jaquelina Sonoe Ota Araraki, da Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo), há duas formas de classificação da doença: idiopática,
quando a causa é desconhecida, e secundária, quando a hipertensão surge como
conseqüência de outras doenças, como esclerose sistêmica e esquistossomose.
O mecanismo da doença nos pulmões é semelhante ao da restrita ao coração – a
chamada hipertensão arterial sistêmica.
A grande diferença entre a evolução das duas é que, no caso da doença no
coração, o lado esquerdo do órgão consegue trabalhar com níveis de pressão mais
elevados. Já o lado direito - parte que leva o sangue para os pulmões –, não
sendo adaptado para pressões altas, entra em falência de forma muito mais
rápida.
“Como os primeiros sintomas são facilmente confundidos com outros problemas,
como sedentarismo ou asma, quando o paciente descobre a doença já está em
estágio avançado”, diz Mauro Zamboni, presidente da Sociedade Brasileira de
Pneumologia. O acesso à terapia também é complicado. As drogas hoje disponíveis
– bosentana (Tracleer) e citrato de sildenafila (Viagra, que acaba de ser
aprovado com outro nome) – não estão na rede pública de saúde e, por isso, o
paciente precisa recorrer à Justiça para recebê-las gratuitamente.
Correio da Bahia, 12/09/2005
Aqui Salvador
Dor e fotofobia em apenas um olho é
sintoma de infecção
Herpes ocular atinge a córnea e pode resultar na perda
da visão do paciente acometido pelo mal
Paloma Jacobina
Dor e fotofobia em apenas um olho são sintomas de herpes
ocular, uma infecção da córnea que precisa de atenção, pois pode resultar na
perda da visão do paciente. Segundo a oftalmologista Katia Vargas, o vírus tipo
1 pode ser contraído através do contato com toalhas molhadas, maquilagem e
óculos de natação contaminados.
Com a capacidade de sobrevivência de até três horas no
ambiente externo, como é o caso das toalhas e dos óculos de natação, o vírus da
herpes instalado no organismo pode evoluir para quadros muito sérios. "Assim,
o paciente começa com uma infecção primária que não tem sintomas, deixando só o
olho vermelho e que evolui para quadros mais acentuados", detalhou.
Segundo a médica, a evolução da infecção pode causar febre,
deixar o paciente com o olho vermelho e deprimido. "Mas os sintomas não
são apenas emocionais. São físicos também", revela a especialista. Kátia
explica que, quando há uma migração para os tecidos periféricos, o quadro
evolui para uma infecção que se parece com uma conjuntivite comum.
Só o oftalmologista pode identificar a diferença e descartar
a possibilidade de herpes ocular. "É importante lembrar que a
automedicação pode marcar a doença e trazer sérios problemas para o paciente,
já que a descoberta tardia é muito perigosa", afirmou.
De acordo com a médica, a herpes ocular possui diagnóstico e
tratamento difíceis. "Existe mesmo o risco de perder a visão e até o olho,
porque a inflamação na córnea (teraceratite) pode evoluir para uma úlcera e
causar uma baixa de visão da córnea ou uma perfuração", afirmou.
O risco de o paciente em estágio muito avançado de
contaminação é grande, alerta a especialista. "Em casos recorrentes,
também há uma preocupação, porque o vírus fica incubado no gânglio e pode
causar sérios problemas", afirma. A recorrência, detalha Kátia Vargas,
chega a 40%.
"Mas o paciente já sabe que tem a doença e fica atento
a qualquer sintoma. O que não é um risco tão grande que aquele que não sabe que
possui a doença", pontuou. Em caso de evolução para uma úlcera (necrose
local do tecido corneal devido à invasão por microorganismo) de córnea, podem
acontecer complicações de ceratite (inflamação da córnea).
"Elas causam uma ceratite acompanhada com ulceração da
córnea, acompanhada de comprometimento do nervo trigêmeo, e caracterizada
clinicamente por seu início lento, pela presença de perda da sensibilidade
dolorosa da córnea e por sua conseqüente evolução para a opacificação e a
perfuração da córnea", detalha. É nesse estágio que o paciente se queixa
de dor, fotofobia (sensibilidade dolorosa à luz), sensação de corpo estranho,
maior ou menor perda de visão e blefaroespasmo (contração espasmódica do
orbicular das pálpebras).
Geralmente, o olho fica vermelho e com lacrimejamento
constante, sensibilidade ausente da córnea, e igual a herpes simples ocular, em
casos mais intensos pode haver uma irite irritativa (irritação da pupila),
hipópio (pus na câmara ocular anterior) e até perfuração da córnea; quando
ocorre a cicatrização da úlcera, ela irá afetar a visão se ocorrer na área
pupilar, com o nervo trigêmeo geralmente envolvido. A uveite leve é
transitória, mas em alguns casos pode ser exsudativa, com hipópio e hifema
(derrame sanguíneo na câmara anterior do olho). Esclerite e escleromalácia,
paralisias e glaucoma secundário são complicações do zoster ocular
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