Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir
Pessini
Clipping
On-line
Ano 6 , n.213
De 19/09 à 25/09/05
Sumário de Matérias
-Especialistas alertam população para os riscos das
cardiopatias, Correio da Bahia, 25/09/2005
-Os opostos se atraem? Sim!, Revista
HSM Management. Ano 9, n.52, set./out.2005
-Hospitais terão
comissões para agilizar doação, A Tarde, 24/09/2005
-Células-tronco serão usadas no tratamento, Correio da
Bahia, 24/09/2005
-Mais 4
transplantes de células-tronco, A Tarde, 23/09/2005
-Biblioteca virtual oferece informações sobre saúde, Correio da
Bahia, 23/09/2005
-Suspensa venda
de vacina para hepatite B, A Tarde, 22/09/2005
-Células-tronco
fazem revolução na medicina, A Tarde, 22/09/2005
-Mal de Alzheimer atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas no
país, Correio da Bahia, 22/09/2005
-Especialistas querem divulgar mais informações sobre saúde, Correio da
Bahia, 22/09/2005
-Vírus se faz passar
pelo site, A
Tarde, 21/09/2005
-Transplante de células-tronco é usado no tratamento da cirrose,
Correio da Bahia, 21/09/2005
-Equipe tentará
transplante de rosto, A Tarde, 20/09/2005
-Depressão
duplica risco de mortalidade por câncer, diz estudo, A Tarde, 19/09/2005
Correio da Bahia, 25/09/2005
Especialistas
alertam população para os riscos das cardiopatias
Doenças do coração matam uma média de 17 milhões de
pessoas por ano
Perla Ribeiro
Doenças cardiovasculares podem ser prevenidas
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 17
milhões de pessoas morrem a cada ano vítimas de doenças cardiovasculares.
Embora a doença tenha uma carga genética, o cardiologista Péricles Esteves
alerta que uma boa qualidade de vida pode retardar ou controlar o seu
desenvolvimento. Entre os vilões do coração estão o tabagismo, a hipertensão, o
estresse, a má alimentação, o sedentarismo e o colesterol elevado. Hoje, Dia
Mundial do Coração, especialistas chamam a atenção da população para a
necessidade de prevenir e evitar as cardiopatias, que são apontadas como o mal
que mais mata no mundo inteiro pessoas em idade adulta
"É necessário cortar a alimentação rica em gordura, que
provoca o entupimento das artérias. O tabagismo também é outro inimigo do
coração. Aumenta a pressão e a freqüência cardíaca, levando a viscosidade do
sangue, que tende a formar coágulos", adverte o presidente eleito da
Sociedade Brasileira de Cardiologia e coordenador da Unidade Coronária do
Hospital Português, Péricles Esteves. Ele destaca ainda a importância de
realizar uma atividade física, no mínimo, três vezes na semana entre 40 a 60
minutos.
Apesar da doença ter a carga genética, não significa que o
indivíduo que não possui na família um histórico de cardiopatias esteja imune a
ela. Nesse caso, o especialista orienta que por medida preventiva é ideal
realizar anualmente um check-up a partir dos 40 anos. Entre a população de
risco estão os diabéticos e os hipertensos. Como o diabete provoca o
envelhecimento interno precoce dos vasos em todo organismo, o paciente portador
da doença que nunca apresentou nenhum problema de coração já é tratado como se
tivesse alguma complicação, sendo submetido a prevenção secundária ao invés da
primária.
Fatores - Não importa a intensidade do infarto. As vezes,
mesmo pequeno, pode provocar uma parada cardíaca e levar a morte. "De cada
100% dos pacientes, 25% morrem em casa ou na rua em decorrência de infarto
seguido de parada cardíaca. Dos que chegam vivos ao hospital depois do infarto,
10% vão a óbito dentro do primeiro mês após o incidente e outros 10% terão um
novo infarto dentro de um ano", informa Esteves. Não há idade, cor ou
gênero - silenciosamente, as doenças do coração acometem milhões de indivíduos
indistintamente. Entretanto, há alguns fatores que beneficiam ou prejudicam
determinados indivíduos.
A raça negra, por exemplo, como é mais susceptível a
hipertensão, tem uma tendência maior a desenvolver problemas no coração. Já as
mulheres, de um modo geral, contam com um componente a seu favor: os hormônios
femininos. Isso faz com que a doença apareça dez anos mais tarde do que costuma
aparecer nos homens. "Enquanto ela estiver menstruando, a chance de
desenvolver um infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido
como derrame, é menor".
No Brasil, estima-se que, por ano, 300 mil pessoas são
vítimas de infarto agudo do miocárdio. Desse total, 77 mil morrem, o que coloca
a doença entre uma das principais causas de morte no país. Já a hipertensão,
segundo dados da OMS, afeta aproximadamente 20% da população mundial adulta.
Revista HSM Management.
Ano 9, n.52, set./out.2005
ACESSE UPDATE |
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Temas | Gestão de pessoas, Equipes multifuncionais |
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Publicado | Setembro/Outubro
As empresas recorrem cada vez mais a equipes
multifuncionais, compostas por pessoas cada vez mais diversas. Livros e
especialistas concordam: apenas um desafio irresistível pode fazer os
diferentes unir forças. Aprenda a projetar esse desafio. Artigo Harvard.
A Tarde, 24/09/2005
Nacional
Saúde
Hospitais terão comissões para agilizar doação
Portaria assinada, ontem, pelo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, determina a
criação de comissões nos hospitais públicos, privados e filantrópicos, com mais
de 80 leitos, com o objetivo de detectar possíveis doadores de órgãos e tecidos
nos pacientes com diagnósticos de morte encefálica. A medida deverá contribuir
para agilizar doações que implicam comunicado e pedido de autorização às
famílias.
Correio da Bahia, 24/09/2005
Aqui Salvador
Células-tronco
serão usadas no tratamento
Anemia falciforme
Jane Fernandes
Especialistas discutem em jornada uso de células-tronco
Por ser a cidade mais africana do Brasil, Salvador também é
a primeira colocada na incidência da doença falciforme, uma espécie de anemia
genética com maior ocorrência entre os afrodescendentes. Estimativas apontam
que esse problema caracterizado pela presença de células sangüíneas de formato
alterado atinge 15% dos soteropolitanos. O mais grave é que 42% dessa população
desenvolve quadros de necrose óssea, problema que compromete a mobilidade do
paciente. A boa notícia é que a cidade está saindo na frente na aplicação do
mais novo tratamento dessa complicação, o uso de células-tronco. O investimento
nessa vertente foi discutido na 1a Jornada Internacional da Doença Falciforme
que contou com a presença do médico francês Philippe Hernigou, pioneiro no uso
do método em todo o mundo.
Hernigou apresentou mais de 600 casos tratados ao longo dos
últimos seis anos, demonstrando uma regressão de cerca de 90% no estado de
deterioração desses tecidos. A morte dessas células ósseas acontece
principalmente na extremidade superior do fêmur e do úmero, atingindo as
regiões da bacia e do ombro. "As células-tronco de medula óssea atuam na
reativação do tecido, promovendo sua regeneração", explicou o coordenador
da jornada, Gildásio Daltro. Com a autorização dos ministérios da Saúde e da Ciência
e Tecnologia, os primeiros pacientes baianos serão submetidos ao tratamento no
Hospital das Clínicas. O início do trabalho está dependendo apenas da
importação do material necessário para a etapa de preparação das células que
serão implantadas.
Apesar de poder atingir qualquer parte do corpo onde exista
circulação sangüínea - pois as células deformadas entopem vasos, comprometendo
a irrigação dos tecidos -, os comprometimentos esqueléticos são os mais
freqüentes entre as pessoas com anemia falciforme. "Oitenta por cento dos
portadores já tiveram alguma crise de dor óssea. Se não tiveram, com certeza
vão ter", adverte Daltro. A evolução do quadro diminui a capacidade do
indivíduo para andar e também se caracteriza por infecções nos ossos - o que
são sempre acompanhados por quadros de dor muito intensa, que pode chegar a
requerer um controle com morfina. Sem tratamento adequado, as complicações
podem causar a destruição de todo o tecido ósseo da área, deixando seqüelas no
doente.
Cerca de 10% da população de todo o estado é portadora dessa
doença genética curável apenas através de transplantes de medula óssea e capaz
de abalar o bom funcionamento de diversos órgãos humanos. Por depositar muito
sangue, o baço é o mais atingido entre eles, podendo apresentar inchaço. A
anemia falciforme isoladamente não oferece risco de morte. Seus desdobramentos,
no entanto, podem levar o indivíduo a óbito. "O índice de mortalidade
varia de acordo com a nobreza do órgão, tornando o quadro mais preocupante
quando provoca lesões no cérebro e no coração", detalha o coordenador. O
médico lembra que esses pacientes apresentam um organismo mais frágil, portanto
devem evitar atividades físicas vigorosas.
***
Teste do pezinho é recomendado
A presença de hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) em
forma de foice pode ser verificada nas primeiras horas de vida através do teste
do pezinho. Apesar de quase todos os tratamentos disponíveis atuarem nas
complicações decorrentes dessa alteração genética, a adoção de medidas
profiláticas durante a infância pode oferecer maior qualidade de vida ao
portador. Segundo a hematologista Ângela Zanette, o uso sistemático de aspirina
até os 5 ou 6 anos consegue reduzir o desenvolvimento de infecções. Essa ação
preventiva ganha importância diante da grande propensão dos pacientes aos
quadros infecciosos.
Uma redução nas taxas de mortalidade e de problemas causados
pela anemia também é obtida com a aplicação de vacinas especiais nos primeiros
seis anos de vida. Assim, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores as
chances de o paciente evitar sintomas graves. Embora o controle dos fatores
adquiridos seja importante, a médica explica que a forma de desenvolvimento da
patologia depende bastante dos seus determinantes genéticos. Para quem não fez
o teste do pezinho e apresenta sintomas como cansaço, icterícia (olhos e pele
amarelada) e dores generalizadas, a detecção das células deformadas pode ser
feita por um exame de sangue. O acompanhamento é sempre feito por equipes
multidisciplinares, que envolvem até mesmo dentistas, pois uma boa saúde bucal
também reduz o risco de infecções.
***
FIOCRUZ
O uso de células-tronco adultas no tratamento de doenças não
é novidade em Salvador. Através de estudos realizados pela Fiocruz-BA, a cidade
foi o primeiro lugar no qual dois procedimentos com base nessa terapia foram
feitos. O primeiro deles aconteceu em junho de 2003, com a injeção desse
material genético em pacientes com doenças de Chagas. Desde então, 32 pessoas
utilizaram o método em todo o estado, com resultados positivos quanto ao
aumento da expectativa de vida. O segundo marco está na aplicação desse
tratamento em pessoas com cirrose hepática. O primeiro doente passou pelo
procedimento, na última terça-feira, e até o momento não apresentou
complicações.
A Tarde, 23/09/2005
Saúde
Mais 4 transplantes de células-tronco
Novos pacientes com cirrose crônica passarão pelo procedimento com o
objetivo de reconstituir o fígado
Cláudia Oliveira
Até o final da próxima semana, mais quatro pacientes com cirrose crônica irão
ser submetidos a transplantes de células-tronco no Hospital São Rafael, em
Salvador. Na última terça-feira, o procedimento foi realizado pela primeira vez
no mundo em paciente com problemas no fígado.
Por determinação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a equipe
médica que realizou o transplante não está autorizada a repassar informações
devido à pesquisa estar em fase experimental. O único dado divulgado ontem pela
assessoria de imprensa do Hospital São Rafael foi que o paciente transplantado
passa bem.
A equipe médica coordenada pelos Serviços de Gastro-Hepatologia do Hospital
Universitário Professor Edgard Santos-Ufba, Hospital São Rafael e integrada por
pesquisadores do Centro de Pesquisas Gonçalo Muniz (CPqGM/Fiocruz-BA),
acompanha a evolução do quadro do paciente transplantado.
Na fase experimental do estudo desenvolvido em camundongos pela equipe do
Laboratório de Engenharia Tecidual e Imunofarmacologia (Leti) da Fiocruz-BA,
foi verificado que o tratamento utilizando células-tronco reduziu em cerca de
60% a fibrose hepática.
Na experiência, segundo informações prévias divulgadas pelo pesquisador da
Fiocruz-BA e imunologista Ricardo Ribeiro dos Santos, foi utilizada uma dieta
composta de tetracloreto de carbono e álcool que, aplicada nos camundongos,
causou uma doença semelhante à cirrose crônica em seres humanos.
Esperançosos, os pesquisadores avaliam que o transplante com células-tronco,
embora não substitua a necessidade do transplante de órgãos, dará uma sobrevida
ao paciente com cirrose crônica até que ele possa receber um fígado sadio.
Cerca de 120 pessoas estão na fila do transplante só no Hospital São Rafael.
Segundo a equipe médica, 25% dos que sofrem da doença morrem no primeiro ano e
de 5% a 6% conseguem realizar o transplante. No Estado da Bahia, há 260 pessoas
na fila de espera.
Por enquanto, só mais quatro pessoas com cirrose hepática poderão receber as
células-tronco. Esse é o número autorizado pela Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa, mas a projeção da equipe é para que sejam realizados 30 procedimentos
no total na primeira fase da experiência.
O transplante das células-tronco consiste na retirada de uma quantidade de
líquido produzido pela medula óssea da bacia do paciente. O material é
purificado para retirar as células-tronco que são injetadas dentro da artéria
hepática por meio de um catéter. A artéria hepática levará as células-tronco
até a lesão.
A cirrose hepática é a destruição de células do fígado. A doença é provocada
por vírus ou decorre da ingestão de álcool que causam uma lesão irreversível.
Quando a cirrose é provocada pelo consumo de bebidas alcoólicas, o etanol é
metabolizado no fígado, transformando-se em ácidos nocivos para as células
hepáticas.
Em conseqüência, o tecido hepático desenvolve fibrose, ou seja, células que
causam prejuízo para o funcionamento do fígado. Quando a fibrose evolui para
cirrose pode provocar insuficiência hepática e levar o paciente à morte.
Leia mais
Células-tronco
fazem revolução na medicina
Cirurgia
pioneira é realizada em Salvador
Célula-tronco
humana faz roedor voltar a andar
Injeção
de célula-tronco pode proteger cérebro e sistema nervoso
Correio da Bahia, 23/09/2005
Aqui Salvador
Biblioteca
virtual oferece informações sobre saúde
INTERNET
Especialistas discutem democratização das informações sobre
saúde
A despeito do acesso à internet contemplar menos de um terço
da população brasileira, a sua função como meio democratizador do acesso às
informações é inegável. Nessa grande rede virtual, qualquer pessoa pode achar
tanto uma receita de bolo, quanto dados sobre doenças e suas formas de
tratamento. É exatamente quando entram na seara científica que os conteúdos
mostrados na tela do computador precisam ser olhados com cuidado. Por isso, a
estruturação da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) é vista com tanto entusiasmo.
Nada é publicado no site sem a análise prévia de um comitê. É a garantia de ter
literatura médica de qualidade com um simples click no mouse.
Tema de painéis e palestras do 9º Congresso Mundial de
Informação em Saúde e Bibliotecas, o www.saudepublica.bvs.br pode ser acessado
por qualquer pessoa, desde o especialista até o leigo, oferecendo dados com os
mais diversos níveis de complexidade. "É fundamental que o cidadão se
aproprie do conhecimento relativo à sua própria saúde", defendeu a
diretora do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz, Ilma
Noronha. Para ela, esse universo virtual que comporta 16 milhões de referências
bibliográficas é um importante estímulo à adoção dessa postura, na qual o
indivíduo deixa de considerar os dados médicos como exclusividade dos
profissionais da área.
A idéia é de que em breve essa rede informativa deixe de se
restringir à produção acadêmica e investigação científica para agregar dados
coletados na prática médica. "A própria produção do nosso sistema de saúde
começa a ser integrado a essa base de dados. A partir do ColecionaSUS, logo
disponibilizaremos o conhecimento gerado no âmbito dos serviços, gestão e
atenção social", afirmou a coordenadora de Documentação e Informação do
Ministério da Saúde, Márcia Rolemberg. A importância do compartilhamento de
experiências na internet é demonstrada por Ilma, quando fala sobre o drama
enfrentado pelas gestantes africanas que têm Aids.
Nesse continente com alto índice de desnutrição infantil, as
mulheres precisam conhecer a solução encontrada no Brasil para o aleitamento
sem riscos de infecção com o HIV. Basta retirar o leite e pasteurizar,
eliminando o vírus. A biblioteca, que em breve terá todo seu conteúdo traduzido
para a língua espanhola - já que é referência em toda a América Latina -, conta
com uma unidade especial de acesso em Salvador. O terminal foi inaugurado no
começo da semana na Escola Estadual de Saúde, no Rio Vermelho. A expectativa de
Márcia é de que a BVS também seja uma ferramenta relevante na redução das
desigualdades regionais, disseminando informações técnico-científicas capazes
de equiparar os conhecimentos.
A Tarde, 22/09/2005
Nacional
Saúde
Suspensa venda de vacina para hepatite B
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu temporariamente a
comercialização da vacina Hexavac (contra difteria, tétano, coqueluche,
poliomielite, hepatite B e Haemophilus influenza), disponível hoje no País
apenas na rede privada. A decisão foi tomada após informe da Agência Européia
de Medicamentos dando conta de que, a longo prazo, a vacina, fabricada pela
francesa Sanofi Pasteur MSD, apresentou uma redução da eficácia para a
prevenção da hepatite B.
A Tarde, 22/09/2005
Local
Saúde
Células-tronco fazem revolução na medicina
A descoberta das células-tronco marcou um extraordinário avanço da ciência,
pois – entre outras coisas – elas substituem o transplante de células de medula
óssea, sem que o paciente precise esperar um doador. Cerca de nove mil pessoas
morrem anualmente esperando um doador nos Estados Unidos. Nesta entrevista,
Jordan Perlow, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Escola de
Medicina da Universidade do Arizona (EUA), fala sobre a história do tratamento
de doenças com células-tronco de sangue de cordão umbilical. O especialista,
que é presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia de Phoenix/Arizona e
diretor da Divisão de Medicina Fetal do Samaritan Regional Medical Center,
esteve recentemente no Brasil, a convite do CordVida (SP) – avançado banco de
armazenamento de células-tronco do sangue de cordão umbilical.
Jordan Perlow
O que fez o senhor se interessar tanto por células-tronco?
Tudo começou com uma pergunta de minha mãe sobre o uso que eu fazia do cordão umbilical
após o parto. Quando disse que descartava, ela ficou indignada e pediu para eu
ler a coluna Dear Abby (de grande sucesso popular, publicada por centenas de
jornais norte-americanos e assinada por Pauline e Jeanne Phillips, mãe e filha,
respectivamente). Ao ler o artigo e constatar que as células-tronco do cordão
umbilical podiam salvar vidas, fiquei envergonhado. Minha mãe sabia mais sobre
o tema do que eu. A partir desse momento, envolvi-me totalmente com o estudo
das células-tronco. É bom lembrar que os obstetras em geral eram – e em alguns
casos ainda são – muito céticos em relação a essa tecnologia. Por conta dessa
controvérsia, eu me senti particularmente motivado a aprender mais e decidi
formular minhas opiniões baseadas em evidências e na literatura científica.
Nos Estados Unidos, há muitos casos de famílias que utilizaram com sucesso
as células-tronco de sangue de cordão umbilical?
Cinco mil pacientes já foram tratados com células-tronco de sangue de cordão
umbilical nos Estados Unidos. São casos de leucemia, deficiência imunológica,
anemia, talassemia (doença do sangue de natureza hereditária) e danos cerebrais
por traumas. A maioria recebeu transplante de de irmãos. Mas existem também
casos de transplantes autólogos. Para se ter uma idéia da preciosidade das
células-tronco, já existem 75 doenças, que afetam cerca de 30 mil pacientes por
ano nos Estados Unidos, que podem ser tratadas com esse material.
O senhor poderia nos contar algum caso de transplante bem-sucedido de
células-tronco nos Estados Unidos?
O primeiro transplante de sangue de cordão realizado nos Estados Unidos ocorreu
em 1989, quando Mathew, uma criança com anemia de Fanconi, recebeu as
células-tronco da irmã. Havia uma enorme expectativa, por se tratar de uma
doença grave, hereditária, que afeta a medula óssea, gerando uma redução na
produção de todos os tipos de células sangüíneas. O menino, hoje com 22 anos,
está bem e curado.
Há muitos casos semelhantes?
O transplante de Mathew foi apenas o começo da história, porque depois vieram
muitos outros. No ano passado, por exemplo, uma índia de 32 anos, do Arizona,
tinha leucemia e estava tomando interferon. Precisava de um transplante de
células-tronco, mas não havia nenhum doador compatível na família. Quando soube
que ela estava grávida de gêmeos, pensei: esta é a oportunidade de tratamento.
Eu a informei sobre a possibilidade de receber as células-tronco de uma das
crianças que estava para nascer. E, para nossa sorte, uma delas era compatível,
o que possibilitou a realização do transplante e a paciente ficou curada. Nesse
momento, estou envolvido com outro paciente e espero ter a mesma sorte: um bebê
portador de talassemia, doença do sangue de natureza hereditária, passará por
um transplante de células-tronco. Isso prova que, em muitos casos, as
células-tronco já ultrapassaram o campo da teoria e a fase experimental. Os
tratamentos estão acontecendo e devem acontecer com freqüência cada vez maior.
Por que as células-tronco auxiliam no tratamento de todas essas doenças?
As células-tronco são fonte potencialmente ilimitada de tecidos para
transplante. Dão origem a células que formam o sangue e o sistema imunológico.
Por isso são utilizadas no tratamento de uma série de doenças que necessitam da
regeneração desses tecidos. As células-tronco são encontradas em embriões, em
sangue de cordão umbilical e em tecidos adultos, como a medula óssea e o
fígado, por exemplo.
Quais as diferenças entre as células-tronco de cordão umbilical e as de
medula óssea?
As células-tronco do sangue de cordão são mais jovens, não sofreram os efeitos
do tempo e da exposição a vírus, bactérias e ao meio ambiente, como as de
medula óssea de um adulto. Outra questão é que essas células estarão
imediatamente disponíveis em casos de necessidade, sem as dificuldades das
longas e, muitas vezes, infrutíferas buscas por um doador compatível. Além
disso, a coleta das células-tronco da medula é um processo invasivo, que
habitualmente exige anestesia geral, enquanto a coleta das células-tronco do
cordão é simples e indolor. A verdade é que a descoberta dessas células-tronco
foi extraordinária, pois se sabe que apenas um quarto dos pacientes que estão
na fila de transplante de células da medula óssea acha um doador compatível.
Cerca de nove mil pessoas morrem anualmente esperando um doador nos Estados
Unidos e três mil delas são crianças.
Nos Estados Unidos, as pessoas também tiveram dúvidas sobre congelar ou não
as células-tronco do cordão de seus filhos?
Os pais foram receptivos, baseados, primeiramente, no marketing direto feito
pelos bancos privados de sangue de cordão nos Estados Unidos. Ao longo dos
anos, a população foi se informando e cobrando conhecimento dos obstetras, que,
por sua vez, passaram a participar de programas de educação continuada sobre o
tema. Com isso, os médicos aprenderam que não se trata de uma questão meramente
experimental ou teórica, mas, sim, de um impressionante avanço da ciência, que
não pode ser desconsiderado. A classe médica está tomando consciência de que o
cordão umbilical não deve mais ser tratado como lixo hospitalar e que as
células-tronco são um recurso que pode salvar vidas. É triste pensar, no
entanto, que, ainda hoje, 99% do sangue do cordão é descartado como lixo
hospitalar nos Estados Unidos. Atualmente, os pacientes sabem até mais do que
os médicos, pois têm acesso a informações dos vários veículos de comunicação e
da internet. Todas as revistas femininas nos Estados Unidos trazem,
mensalmente, reportagens ou anúncios sobre células-tronco.
Quantas amostras de sangue do cordão umbilical estão armazenadas hoje nos
Estados Unidos?
Mais de 250 mil amostras de células-tronco estão armazenadas em cerca de 25
bancos privados. Em relação ao banco público, o governo está investindo verbas
e começando a coleta do sangue de cordão umbilical para o banco nacional.
A exemplo do Brasil, também nos Estados Unidos houve polêmica entre congelar
no banco público ou privado?
Sim. Foi a mesma polêmica. Em geral, houve relutância dos médicos em informar
seus pacientes sobre a opção dos bancos privados. Nos Estados Unidos,
entretanto, essa questão já está praticamente resolvida, uma vez que a
população tem consciência de que as oportunidades de obter uma doação do banco
público são raras. Além disso, diversos estudos comprovam que os resultados de
um tratamento são duas vezes melhores quando o paciente recebe as
células-tronco de sangue do cordão de um ente da família em vez de receber de
um não-aparentado.
Em outros países, o tema tem o mesmo apelo que no Brasil?
Eu já viajei muito para dar palestras sobre o assunto, tanto nos Estados Unidos
quanto em outros países. No ano que vem, por exemplo, darei uma palestra na
Federação de Obstetras e Ginecologistas de Kuala Lumpur, na Malásia. Também
participei de um evento importantíssimo no ano passado, que foi o Simpósio
Mundial de Medicina Perinatal, em Boston, Massachusetts. As células-tronco de
sangue de cordão é um assunto que tem apelo praticamente mundial. E o interesse
pelo tema cresce com o passar dos anos e conforme as pesquisas demonstram a
potencialidade desse material.
Quais os estudos desenvolvidos hoje nos Estados Unidos que possam comprovar
eficiência diante de novas doenças?
Entre os estudos, alguns dos mais importantes referem-se ao tratamento de
doenças como AVC (acidente vascular cerebral), Alzheimer, mal de Parkinson,
diabetes e distrofia muscular. Recentemente, uma pesquisa mostrou camundongos
com derrame que receberam sangue do cordão humano e tiveram melhora motora.
Imagine como seria incrível um paciente ter um derrame e o médico ligar para
uma maternidade pedindo uma amostra de sangue de cordão umbilical! Torço para
que possa ser assim no futuro.
Correio da Bahia, 22/09/2005
Aqui Salvador
Mal de
Alzheimer atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas no país
Doença degenerativa afeta o cérebro, comprometendo a
memória e o raciocínio
Camila Vieira
Os idosos são as principais vítimas do mal de Alzheimer, que
causa a morte de neurônios
O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa que afeta o
cérebro, causando comprometimento da memória, pensamento e comportamento.
Acomete preferencialmente pessoas acima de 60 anos e a incidência vai dobrando
a cada cinco anos, até atingir 30 a 40% das pessoas com mais de 85 anos de
idade. No Brasil, a enfermidade atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas e se
caracteriza pela morte progressiva das células nervosas do cérebro, os
neurônios. Para marcar a passagem do Dia Mundial de Alzheimer, lembrado ontem,
a Associação Brasileira de Alzheimer e Doenças Similares - Regional Bahia
(Abraz-Bahia) promove hoje uma palestra com o geriatra e ex-presidente da
Sociedade Brasileira de Geriatria, Adriano Gordilho, às 19h, na Associação
Baiana de Medicina, em Ondina.
O evento tem entrada gratuita e é destinado a familiares e
cuidadores dos portadores da doença, médicos e os demais profissionais da área
de saúde (enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos,
fonoaudiólogos e assistentes sociais). Estima-se que 5% das pessoas acima de 60
anos venham a desenvolver a doença, sendo que essa porcentagem vai aumentando
progressivamente a partir dos 70 anos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira nesta faixa etária soma
cerca de 17 milhões de pessoas.
Erroneamente conhecida como "esclerose" ou
"caduquice", a doença é uma forma de demência cuja causa não se
relaciona com a circulação ou com a arteriosclerose, mas sim com a morte de
células cerebrais, o que leva a uma atrofia do cérebro. Atualmente, cerca de 18
milhões de pessoas sofrem de algum tipo de demência e estima-se que, daqui a 20
anos, este número aumente para 34 milhões, sendo que grande parte estará
concentrada em países em desenvolvimento como o Brasil.
Início - A doença inicia com pequenos esquecimentos e acaba
levando o paciente à perda completa da orientação espacial e temporal, a um
estado de demência, no qual o indivíduo não é mais capaz de se reconhecer no
espelho, nem consegue fazer nada sem a ajuda de alguém. Quanto mais cedo o
diagnóstico, mas a medicina pode retardar a progressão da doença. A patologia
causa nos familiares dúvidas e incertezas quanto ao futuro, enorme carga de
trabalho e sobrecarga emocional. "A grande pressão psicológica a que estão
submetidos os parentes e cuidadores gera neles muitas vezes depressão, estresse
e queda de resistência física", explica a diretora da Associação
Brasileira de Alzheimer e Doenças Similares - Regional Bahia (Abraz-Bahia),
Selma Favila Ribeiro.
A geriatra Daniele Brandão explica que, apesar da doença ser
mais comum em idosos, existe a possibilidade de que ela acometa pessoas jovens,
geralmente com parentes de 1º grau portadores da patologia. "Na juventude
ela é mais grave, rápida", afirma. Até hoje, a doença de Alzheimer
continua sendo uma síndrome de causa desconhecida e incurável. Mas, nos últimos
anos, as perspectivas em relação à doença de Alzheimer têm sido abordadas com
um certo otimismo realista, tendo em vista as possibilidades da ciência retardar
os sintomas da enfermidade. A medicina está começando a detectar os sinais da
doença décadas antes dela surgir.
***
Sintomas aparecem lentamente
Os sintomas da doença de Alzheimer aparecem lentamente. O
período médio entre o primeiro e o último estágio é cerca de oito anos. Este
período pode, entretanto, variar muito de uma pessoa para outra. No estágio
inicial a pessoa com doença de Alzheimer parece um pouco confusa e esquecida.
Ela pode não encontrar palavras para se comunicar direito, pode deixar pensamentos
inacabados, pode esquecer com freqüência fatos e conversas recentes.
Curiosamente, entretanto, ao mesmo tempo em que está prejudicada a memória para
fatos recentes, como por exemplo o que teve no jantar de ontem, pode haver
lembranças claras de um passado mais distante. O paciente freqüentemente se
lembra e repete histórias de sua infância com riqueza de detalhes
impressionante.
A geriatra e membro da comissão científica da Abraz-BA,
Daniele Brandão, faz questão de deixar claro que não existem métodos precisos
de prevenção para a doença. Segundo ela, alguns estudos mostram que o controle
do colesterol e a manutenção da mente ativa podem ser uma formas de evitar a
patologia. "É bom manter a mente em exercício", reforça.
"A grande arma no enfrentamento da doença é a
informação associada à solidariedade, exatamente o que se propõem a
Abraz", destaca a diretora da entidade, Selma Ribeiro. A Associação
Brasileira de Alzheimer é uma entidade formada por profissionais da área da
saúde e familiares de portadores da Doença de Alzheimer. Seu objetivo é
transmitir informações sobre diagnóstico e tratamento da doença e também
orientar sobre os aspectos cotidianos do acompanhamento do portador.
A Abraz promove reuniões mensais informativas, organiza
grupos de apoio, oferece atendimento pessoal à família e produz material
informativo. Informações pelo telefone: 0800-55-1906 ou pelo site
www.abraz.org.br. O contato com a Abraz-Bahia pode ser feito na Sociedade
Baiana de Geriatria e Gerontologia, na ABM em Ondina ou através do telefone:
3254-3093.
Correio da Bahia, 22/09/2005
Aqui Salvador
Especialistas
querem divulgar mais informações sobre saúde
DEMOCRATIZAÇÃO
Ciro Brigham
Compartilhamento e divulgação de informações em saúde,
acesso livre a artigos científicos publicados na rede mundial de computadores,
aplicação de modelos tecnológicos para a democratização do conhecimento. Esses
temas estão sendo discutidos por especialistas de mais de 50 países que
participam do 9º Congresso Mundial de Informação em Saúde (ICML9), em Salvador.
O evento, pela primeira vez em território latino-americano, reúne os defensores
da transferência livre de informação em saúde como condição essencial à melhoria
da qualidade de vida da população.
Realizado a cada cinco anos e organizado pelo Centro
Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(Bireme/Opas/OMS), Federação Internacional de Associações de Bibliotecas (Ifla)
e Ministério da Saúde, o ICML9 assume que é através do acesso para todos do
conhecimento científico produzido no mundo, que os governos, pesquisadores,
profissionais de saúde e instituições poderão trocar informações e tomar
decisões essenciais em relação à melhoria da saúde coletiva e individual.
O gerente de tecnologia da Bireme e professor da área de
comunicação da PUC de São Paulo, Rogério da Costa, questionou, em um dos
painéis de ontem, a soberania da evidência científica diante de condicionantes
emocionais. "O fato de construir evidências médicas para assegurar a
validade de um procedimento é importante para que haja a adesão racional das
pessoas. Mas o que temos de pesquisas sobre comportamento coletivo indica que o
componente emocional - definido na rede de relações humanas que a pessoa tem -
é determinante na aceitação", colocou.
Duas são as motivações, segundo o presidente do congresso e
diretor da Bireme, Abel L. Packer, para acreditar que o conhecimento científico
pode estar disponível para todos. Primeiro, já existe consenso entre
autoridades e sociedade sobre a diferença que isso significa nas tomadas de
decisão e qualidade das intervenções em saúde. Segundo, o desenvolvimento da
infra-estrutura de comunicação on-line melhora sensivelmente as possibilidades
de interação e acesso.
"Os suportes de papel têm limitações de custo,
armazenamento e transporte de informações. Esse modelo não permitiria a
eqüidade do acesso nem nas bibliotecas. Com as publicações eletrônicas, pela
primeira vez, existe a possibilidade de termos a chamada biblioteca universal -
eu posso publicar em qualquer lugar do mundo e tudo vai para um mesmo espaço
virtual, onde é permitida a troca de experiências de quem produz e agrega
valor", explica Packer.
Como toda a produção envolve custos, a aposta é em modelos
que permitam o financiamento de pesquisas e revistas antes da publicação, para
que o patrocinador não tenha o direito de cobrar pelos acessos on-line. A
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) - espaço com controle de qualidade organizado
por áreas temáticas e tipos de publicação, em sistema open acess, que ainda tem
comunidades por áreas especializadas - e o modelo Scielo - específico para
revistas científicas - são apontados como alternativas democráticas de acesso à
informação científica.
Na América Latina, Portugal e Espanha, já existem 300
revistas científicas on-line, 138 só no Brasil. Apesar da luta pela
democratização da informação em saúde, as maiores revistas científicas on-line
do mundo ainda são fechadas e têm o custo do acesso muito alto. No Brasil, uma
rede de 90 instituições de pesquisa tem acesso a estas revistas através do
portal da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior),
do Ministério da Educação. O governo federal paga entre US$20 e US$30 milhões
pelos direitos de acesso, segundo Abel Packer.
A Tarde, 21/09/2005
Vírus
Vírus se faz passar pelo site
João Magalhães
Agência Estado
O P2Load.A, novo vírus, do tipo worm, que começa a circular pela internet,
revela o alto grau de inteligência da nova geração das pragas digitais. Ao
infectar um computador, ele modifica a configuração dos navegadores, de modo
que, toda vez que o endereço do Google é digitado, o internauta é redirecionado
para uma página que tem a cara e tudo o mais que a home do sistema de buscas
oferece.
Segundo a fabricante de anitivírus Panda, nas pesquisas feitas no clone do
Google, os resultados retornados são corretos, mas os links patrocinados são
diferentes, sendo alterados para aquilo que o autor do P2Load.A especificar.
A Panda esclarece que o criador do vírus tira partido da importância dos
primeiros resultados numa busca na internet. Seus objetivos são aumentar o
tráfego de determinados sites, gerando um ganho financeiro através de acordos
de filiação com eles.
O P2Load.A se propaga através das redes de trocas de arquivos Shareeza e Imesh,
auto-copiando-se para os PCs conectados com o nome do game Knights of the Old
Republic 2. Quando o game é executado, o P2Load.A inicia sua ação maligna.
Correio da Bahia, 21/09/2005
Aqui Salvador
Transplante de
células-tronco é usado no tratamento da cirrose
Procedimento inédito pode melhorar qualidade de vida
de doentes crônicos do fígado
Jane Fernandes
Equipe da Fiocruz vem testando o transplante de
células-tronco para regenerar o fígado
Cerca de 25% das pessoas com cirrose hepática crônica morrem
nos 12 meses logo após o diagnóstico da doença. Essa elevada mortalidade pode
ser reduzida se as expectativas em torno do primeiro transplante de
células-tronco para o fígado forem confirmadas. "Os dados experimentais
permitem antever que se conseguirmos 30% de resposta no paciente, isso vai se
traduzir em uma melhoria na qualidade de vida", explicou o pesquisador
Ricardo dos Santos, da Fiocruz-BA. O procedimento inédito foi realizado com
sucesso, na manhã de ontem, no Hospital São Rafael, sob a coordenação do
gastroenterologista Luiz Lyra.
Durante quase três horas, os profissionais envolvidos no
estudo trabalharam na punção, preparação e injeção das células provenientes da
medula óssea de um paciente de 49 anos, cuja identidade não foi revelada. O
método consiste na retirada desse material orgânico dos ossos da bacia e sua reintrodução
através de cateter em uma artéria de irrigação do fígado, fazendo com que elas
se espalhem por todo o órgão. Como o doente é doador e receptor ao mesmo tempo,
o risco de rejeição - o mais temido efeito colateral dos transplantes - é
eliminado.
Os estudos realizados durante sete meses em camundongos
indicaram uma redução de 60% na fibrose, espécie de cicatriz formada por
células sem função. A alta mortalidade ligada à doença, que tanto pode ser
causada por vírus quanto por ingestão de álcool, se deve exatamente à
insuficiência hepática gerada pela proliferação desse tecido celular. A equipe
ressalta que o tratamento não dispensa a realização do transplante, sendo
apenas uma pesquisa voltada para oferecer sobrevida para esses pacientes e
possibilitar a espera por um doador, o que demora cerca de dois anos.
Segurança - "O procedimento é uma investigação. Não
está liberado para a prática médica", alerta Lyra. Os primeiros resultados
sobre a segurança do método serão conhecidos 30 dias após a conclusão da etapa
inicial da Fase I, o que deve acontecer até a próxima semana com a realização
de mais quatro transplantes. Seguindo o protocolo da Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa (Conep), o paciente anônimo permanecerá três dias em observação
antes de receber alta. É a Conep quem vai avaliar o relatório e decidir se mais
20 pessoas poderão ser submetidas ao tratamento.
Os resultados clínicos, no entanto, só poderão ser avaliados
em no mínimo seis meses. "A gente ainda não tem dados experimentais
suficientes para dizer se os efeitos são permanentes", destacou Santos,
lembrando que mesmo a pesquisa com camundongos ainda não tem informações
conclusivas. O acesso da imprensa aos pacientes que concordaram em testar o
tratamento também só será possível quando os riscos do método forem avaliados
pela Conep. A aprovação do método vai depender do acompanhamento da saúde
desses indivíduos e da realização da Fase II, quando dados comparativos serão
produzidos, o que vai levar pelo menos dois anos.
Como os resultados preliminares do uso das células-tronco
adultas para o tratamento da doença de Chagas são animadores, Santos acredita
que o método apresenta uma propensão ao sucesso. No caso do fígado, o
procedimento pode ser beneficiado pela capacidade regenerativa do órgão. "Se
conseguirmos reduzir a fibrose e estimular a produção de novas células
hepáticas, também iremos favorecer a regeneração desses tecidos, que serão
aliviados da sobrecarga gerada pela doença", considera.
***
Pacientes testam novos métodos
Nos últimos três anos, 34 pessoas foram submetidas ao
transplante de células-tronco de medula óssea na Bahia. Duas delas testaram o
método para o tratamento de doenças auto-imunes e as outras 32 se submeteram ao
procedimento para tratamento de doença de Chagas. No grupo de pacientes
chagásicos, os primeiros indicativos são citados com ânimo por Ricardo dos
Santos. Nesse caso a experiência médica aponta uma expectativa de morte em dois
anos, no entanto, a maioria dos indivíduos que recebeu o material medular nas
artérias do coração apresentou recuperação parcial das funções do órgão e
voltou a ter uma vida normal.
A primeira experiência também foi realizada em Salvador, no
Hospital Santa Izabel, em junho de 2003. Até o momento, apenas duas pessoas
vieram a óbito - "por causas não relacionadas ao procedimento",
esclareceu o pes-quisador. Desde então, mais de 300 chagásicos foram tratados
em todo o Brasil. Embora o destaque do país no tratamento com células-tronco
adultas possa causar surpresa, Santos garante que é muito fácil entender o
fenômeno. "Em países mais desenvolvidos, o sistema de transplantes
funciona e o tempo de espera é bem menor, por isso eles não investiram nessas
terapias", pondera. Nas próxima semanas, o método deve ser aplicado em um
caso de acidente vascular cerebral (derrame).
***
DOAÇÃO
A doação de órgão na Bahia é quase incipiente, com um índice
de 2,8 doadores para cada milhão de habitantes. Dados do Registro Brasileiro de
Transplantes (RBT) indicam que em 2004 foram realizados apenas 14 transplantes
de fígado em todo o estado, o que representa 3,16% dos procedimentos feitos em
São Paulo. Embora a capacidade regenerativa do fígado possibilite o transplante
intervivos, ele apresenta complicações em 40% dos casos e mortalidade entre 1 e
2%.
A Tarde, 20/09/2005
Ciência
Equipe tentará transplante de rosto
Dentro de algumas semanas, cinco homens e sete mulheres visitarão em segredo a
Clínica Cleveland, nos EUA, onde médicos começarão a entrevistar os receptores
em potencial do primeiro transplante de face do mundo. A médica Maria Siemionow
perguntará: ‘‘Você tem medo de parecer ser outra pessoa?’’ Porque, seja qual
for o escolhido, ele certamente enfrentará uma crise de identidade. O
procedimento propõe-se a ajudar pacientes cujo rosto tenha sido terrivelmente
desfigurado por queimaduras, acidentes ou outras tragédias ou por uma falha
genética. Muitos pacientes levam anos passando por dolorosas cirurgias
reconstrutoras. Os defensores da técnica argumentam que o procedimento poderá
eliminar a necessidade de anos de operações. Mas seus críticos levantam a
hipótese de haver rejeição.
A Tarde, 19/09/2005
Internacional
Ciência
Depressão duplica risco de mortalidade por câncer, diz estudo
Da EFE
A depressão severa aumenta em 2,6 vezes o risco de morte nos pacientes com
câncer, segundo um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Clínico de
Barcelona, que destaca a importância da detecção precoce dos transtornos
psicopatológicos nos doentes oncológicos.
A pesquisa, que aconteceu durante um período de três anos com 199 doentes de
leucemia que tinham recebido um transplante de medula óssea e tinham
sobrevivido ao período crítico dos 90 dias imediatamente posteriores, reafirma
a hipótese cogitada nos últimos anos sobre a relação entre a presença de
depressão e uma menor sobrevivência dos pacientes com câncer.
O médico Jesús María Prieto, responsável do trabalho, explicou hoje em
entrevista coletiva que do total de 199 doentes estudados, 9% (18) tinha
depressão severa, 8,5% (17) tinha sintomas de depressão menos grave, enquanto o
restante 82,5% (164) não evidenciava nenhum estado depressivo.
As porcentagens de sobrevivência dos doentes com depressão aguda depois do
transplante de medula foram de 50%, 33% e 33,3% depois de um, três e cinco
anos, respectivamente.
Por outro lado, os mesmos índices em pacientes sem depressão foram
significativamente mais elevados, com 77,4%, 60,4% e 53%, respectivamente.
"Nos anos posteriores, os pacientes com depressão têm um risco de morrer
2,6 vezes superior que os pacientes sem depressão", afirmou Prieto, que
destacou que é importante a duração do estado depressivo, já que quanto mais
crônica é a depressão, pior sua incidência na saúde do doente de câncer.
Segundo os autores do estudo, os dados demonstram a importância da detecção
precoce e do tratamento da depressão mais grave nestes doentes, já que foram
obtidos resultados parecidos em outros tipos de câncer, como o de mama e o de
pulmão.
O oncologista Montserrat Rovira, que trabalha na unidade de transplantes de
medula óssea do Clínico, reconheceu que o transplante "é um processo muito
agressivo que dura muito tempo", por isso "é importante detectar
sinais de depressão grave para melhorar a qualidade de vida dos doentes".
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