Faculdade São Camilo

Biblioteca Padre Leocir Pessini

 

  Clipping On-line

Ano 6 , n.216

De 10/10 à 16/10/05  

 

Sumário de Matérias

 


-Entre dois mundos, Revista Veja, Edição 1927 ,out.2005

-Ambição: a raiz de todas as vitórias, Revista HSM Management, Ano 9, n.52, set./out.2005

-Estágio é opção para adquirir experiência, A Tarde, 16/10/2005

-Brasil negocia compra de remédio contra supervírus, A Tarde, 15/10/2005

-Transplante para anemia falciforme, Correio da Bahia, 14/10/2005

-Testes com vacina contra HPV apresentam 100% de eficácia, Correio da Bahia, 13/10/2005

-Histerectomia pode ser evitada em mais da metade dos casos, Correio da Bahia, 13/10/2005

-Câncer de mama pode ter origem genética, A Tarde, 13/10/2005

-Sexo de bebês sob encomenda, A Tarde, 13/10/2005

-Descoberta proteína que regenera artéria, A Tarde, 13/10/2005

-Obesidade já é encarada como um problema de saúde pública, Correio da Bahia, 12/10/2005

-Fibromialgia atinge cerca de 5% da população brasileira, Correio da Bahia, 11/10/2005

-Vacina e remédio não conterão pandemia de gripe--especialistas, A Tarde, 10/10/2005


Revista Veja, Edição 1927 ,out.2005

 

Medicina
Entre dois mundos

Por que o Brasil tem pesquisas
de câncer de Primeiro Mundo e
tratamentos de padrão africano


Ronaldo Soares

 

Fabiano Accorsi

Instituto Ludwig, em São Paulo: o Brasil no Projeto Genoma Humano do Câncer

 

Um robô que deposita moléculas de DNA em placas de vidro que, submetidas à ação de raios ultravioleta, produzem reação química capaz de distinguir os genes das células sadias dos das cancerosas. Aparelhos que identificam mutações genéticas nas células. Equipamentos que fazem seqüenciamento de DNA em larga escala. Esse cenário, típico de laboratórios de Primeiro Mundo, faz parte da rotina dos pesquisadores do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, em São Paulo, um dos centros de excelência do Brasil dotados com o que há de mais avançado em tecnologia na medicina e que realizam pesquisas de ponta sobre o câncer. Esses centros de estudo, somados ao crescimento do prestígio internacional dos pesquisadores brasileiros, situam o Brasil num patamar de país desenvolvido na produção de conhecimento em oncologia.

O Instituto Ludwig, fundação suíça que atua em parceria com o Hospital do Câncer no Brasil, financia, com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Projeto Genoma Humano do Câncer, o mais alto vôo científico já alçado no país. Além do Ludwig, existem atualmente no Brasil pelo menos oito instituições de pesquisa com padrão de Primeiro Mundo nos estudos do câncer. Esses centros ocupam posição de vanguarda devido ao alto nível em recursos humanos, infra-estrutura e qualidade dos estudos, com trabalhos nas áreas que norteiam a pesquisa de excelência em câncer mundo afora. Entre eles, biologia dos tumores, genética, desenvolvimento de novos fármacos, busca de genes através de microarranjos de DNA (as tais lâminas de vidro do trabalho feito pelo robô), entre outros campos científicos impulsionados pelas biologias molecular e celular.

 

Fotos Oscar Cabral

Cláudia Silva: sucesso em teste pioneiro com medicamento para câncer de colo do útero

Em alguns casos, projetos desenvolvidos aqui superam o resultado de pesquisas semelhantes feitas nas grandes potências. Pesquisadores do Projeto Genoma Humano do Câncer, por exemplo, conseguiram em menos de um ano identificar 1 milhão de seqüências de genes de tumores mais freqüentes no Brasil, número equivalente ao que o similar americano do projeto (CGAP) levou três anos para conseguir. Outro feito está na participação do Brasil no desenvolvimento da vacina contra a contaminação pelo vírus papiloma humano, o HPV, relacionado à maioria dos casos de câncer de colo do útero. O trabalho, coordenado pela bióloga Luisa Lina Villa, chefe do Grupo de Virologia do Instituto Ludwig, contou com a participação de outros dezessete centros de estudos do mundo e mostrou que a vacina é segura. Os resultados da pesquisa foram confirmados no início do mês, quando a multinacional farmacêutica Merck anunciou que deve começar a comercializar a vacina (chamada de Gardasil) em meados do ano que vem. "Não estamos apenas reproduzindo o que se faz nos países desenvolvidos. Temos linhas de pesquisas originais, atrevidas, ambiciosas", diz Luisa Villa.

Se o ambiente de nossos melhores laboratórios criam um cenário de Primeiro Mundo, uma análise das estatísticas mostra um profundo fosso existente entre o Brasil do conhecimento científico e o dos doentes. Dados da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mostram que, enquanto na Europa e nos Estados Unidos um paciente de câncer de intestino vive em média vinte meses após o início do período mais crítico da doença, no Brasil a sobrevida é de apenas doze meses. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a sobrevida após cinco anos de tratamento é de até 74% das pacientes nos casos de câncer de mama, enquanto no Brasil e países em desenvolvimento é de no máximo 51%. Nos casos de câncer de pulmão, a sobrevida em cinco anos chega a 21%, enquanto nas nações em desenvolvimento não ultrapassa 10%. "Se não conseguimos transferir o conhecimento para a beira do leito, a guerra contra o câncer está perdida", afirma Carlos Alberto Moreira-Filho, diretor-superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O câncer é a segunda causa de morte no mundo. Atualmente, 20 milhões de pessoas em todo o planeta vivem com o mal. No Brasil, a estimativa é que até o fim deste ano terão surgido mais 467.000 casos da doença.

Banco Nacional de Tumores do Inca, no Rio: no futuro, diagnósticos mais precisos

Como explicar, então, os bons resultados em produção de conhecimento sobre o câncer, se as estatísticas nos distanciam do Primeiro Mundo? A resposta pode estar num conceito científico (o de Innovative Developing Countries, ou Países em Desenvolvimento Inovadores) aplicado a nações que, apesar das más condições socioeconômicas, alcançaram capacidade científica e tecnológica respeitável. Nesse segmento estão o Brasil e nações como China, Rússia, Turquia e África do Sul. "Esse conceito estabelece que o país pode ter iniciativas científicas relevantes mesmo sem ser um líder econômico mundial", diz Reinaldo Guimarães, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para obter resultados mais satisfatórios em incidência e mortalidade do câncer, o país precisa mudar a estratégia de combate à doença, caracterizada pela concentração das atividades em procedimentos oncológicos de alta complexidade (radioterapia, quimioterapia, cirurgias oncológicas), ou seja, intervenções em fases já avançadas do tumor. Adotar ações preventivas é fundamental para o Brasil começar a ganhar a batalha contra a doença. "Em câncer, a redução de casos novos e mortes é atingida mais com prevenção do que com tratamento", afirma Moyses Szklo, diretor da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. Esse é um dos principais temas que estarão em foco nesta semana no XIV Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Rio de Janeiro. Não é por acaso que nas grandes potências, que investem em prevenção da doença, as taxas de sobrevida dos pacientes são melhores. Os brasileiros que conseguem atravessar o fosso e se tratar no Brasil do Primeiro Mundo em câncer alcançam índices de sobrevida compatíveis com os das nações desenvolvidas. "A pessoa que se trata no Einstein, por exemplo, tem sobrevida igual à dos pacientes de qualquer país do Primeiro Mundo", diz o oncologista Sergio Simon.

A advogada Cláudia Sad Silva Machado, 38, conhece os benefícios de um tratamento de primeira linha feito no Brasil. Após ter diagnosticado, em outubro do ano passado, um tumor de 6 centímetros de diâmetro no colo do útero, Cláudia foi selecionada pelo Inca para uma pesquisa pioneira no mundo, que testa o uso de Tarceva em pacientes com câncer de colo uterino. Os resultados, até agora, foram promissores: o medicamento reduziu os efeitos colaterais do tratamento com quimioterapia e radioterapia (queda de cabelo, náuseas, vômitos) e ajudou a eliminar o tumor. Ela e as demais pacientes que participam dos testes terão de ficar ainda em observação pelos próximos cinco anos, mas a advogada comemora. "Existe o risco de o tumor voltar, mas, se eu não tivesse feito esse tratamento, teria de ter reiniciado em setembro as sessões de quimioterapia e radioterapia", afirma Cláudia. "O novo medicamento pode até não significar a cura para mim, mas é um passo importante no tratamento de futuras gerações."

 

 


Revista HSM Management, Ano 9, n.52, set./out.2005

 

DOSSIÊ
Ambição: a raiz de todas as vitórias

Temas | Competência, Inteligência emocional, Liderança, Comunicação Pessoal, Comportamento, Intuição, Coragem, Ambição

 

 

Fonte | James Champy e Nitrin Nohria
Autor/es | Champy, James - Nohria, Nitin
Publicado | Set/Out 2005

 

A trajetória da ambição forma um arco, visualmente, e é constituída de nove etapas, que incluem ver o que os outros não vêem.

 

Leia o artigo na íntegra


A Tarde, 16/10/2005

Empregos


Estágios
Estágio é opção para adquirir experiência

Prática ajuda no crescimento profissional e a manter visibilidade no mercado

FABIANA MASSOQUETTE


Muitos profissionais, ao procurar emprego, enfrentam dificuldade em encontrar uma vaga, pois muitas empresas pedem experiência. No caso de quem sai da faculdade, a exigência parece descabida, mas é o que acontece. “As faculdades despertam os alunos apenas para uma competitividade entre colegas, como questões de nota, por exemplo, mas não para enfrentar o mercado de trabalho”, constata a educadora Verbena Lima, da Atma Consulte.

Para Verbena, “atitude pró-ativa”, ou seja, ter disposição, determinação e persistência, é fundamental para se conseguir um emprego. Ela observa, entretanto, que não percebe isto nos novos e futuros profissionais. “Eles não querem ter compromisso, se recusam a ficar mais tempo se precisar, por isso não conseguem se fixar no mercado”, sinaliza. “Todo conhecimento adquirido é importante, e será utilizado quando menos se espera”, avalia a educadora, para quem o estágio é uma ótima ocasião para se ganhar a tão requisitada experiência.

Exatamente o caminho que o estudante do último ano de administração da Ufba Filipe Fonseca percorreu desde que entrou na faculdade. Logo no primeiro semestre do curso, Felipe se integrou à Empresa Júnior da Escola de Administração por acreditar que seria importante para o enriquecimento curricular e um melhor posicionamento no mercado de trabalho. “Eu estou zelando por minha carreira profissional”, diz Felipe, acrescentando que, nos três anos em que esteve na empresa, uniu a teoria à prática e pôde mostrar a sua vontade de trabalhar.

PROXIMIDADE – Felipe acredita que o estudante deve ter uma relação mais próxima do mercado de trabalho. No seu caso, isso foi possível em função de ter participado da empresa criada pela faculdade, onde os alunos trabalham com a orientação dos professores. “Se você está próximo ao meio, fica mais fácil surgirem oportunidades. As pessoas vêem seu trabalho e lembram de você quando as chances aparecem”, afirma Felipe, destacando que recebeu convites para trabalhar em outras corporações quando estava na Empresa Júnior.

Para o estudante do último semestre do curso de comunicação Gabriel Gonçalves, 22 anos, o maior problema é que as empresas nem sempre estão dispostas a ensinar os estagiários. “Elas querem estagiário para enxugar custos e exigem que ele se comporte como um profissional”, frisa ele, temendo não encontrar um novo estágio por estar prestes a se formar. Além disso, receia não conseguir um emprego porque o mercado não o vê ainda como um profissional.

Segundo Gabriel, na disputa por uma vaga, é fundamental conhecer pessoas influentes. “Se vivêssemos num país sério, o que poderia me abrir portas seriam os cursos de especialização. Como não é o caso, o que abre porta é o Q.I. (quem indica)”, ironiza.

Independentemente da forma de pensar, o importante é que todos achem espaço no mercado de trabalho. Gabriel e Felipe têm planos e acreditam que obterão sucesso profissional. Por mais escassas que as oportunidades sejam, eles têm objetivos, e todos concordam que isso não pode faltar. “Demonstre seu interesse e sua força de vontade. Defina seus objetivos e vá em frente”, reforça Verbena.

DICAS

z Para garantir chance maior de contratação, opte por estudar numa faculdade conceituada e ter conhecimentos específicos, como língua estrangeira e informática.

z Realizar trabalhos ou projetos na faculdade, viajar ao exterior ou até participar de congressos e eventos relacionados à sua área ajudam a adquirir experiência e favorecem seu currículo.

z Procure manter-se sempre informado.

z Se sua família tem uma empresa, não tenha
vergonha de estagiar nela. Em razão do parentesco, você se verá obrigado a mostrar às outras pessoas que está ali porque é capaz.

z Mesmo tendo pouca experiência, não deixe de
pôr em prática a ética profissional, a elegância
nas atitudes, os princípios morais.

Fonte: Verbena Lima, da Atma Consulte


A Tarde, 15/10/2005

Nacional

 

Saúde
Brasil negocia compra de remédio contra supervírus

Medicamento deve ser aplicado em pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças

AGÊNCIA ESTADO

Brasília –
O Ministério da Saúde iniciou ontem as negociações para a compra do antiviral Tamiflu, considerado capaz de controlar um supervírus de gripe. Na próxima semana, governo e o laboratório fabricante, Roche, deverão definir os detalhes da compra.

Até agora, 40 países já fizeram suas encomendas ao laboratório. Embora repita que o antiviral não será suficiente para conter a epidemia, o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, admite que ele pode ser um recurso útil para ser aplicado em pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças, profissionais de saúde ou pessoas que tiveram contato com infectados pelo supervírus.

Segundo Barbosa o plano do Brasil para enfrentar a pandemia já está em fase final de preparação. Ele afirma, entretanto, que a estratégia para conter o supervírus deve ser mundial. Para ele, a criação de um fundo para países atingidos é tão importante quanto remédios, vacinas ou planos de contingência. A doença tem como ponto de partida a gripe aviária.

Quando os primeiros focos são encontrados, a tática recomendada é dizimar populações de aves atingidas. Foi assim em Hong Kong e nos demais países com registros da doença. Barbosa não tem dúvida de que a epidemia chegará. “Isso vai ocorrer assim que o vírus sofrer nova mutação e, com ela, ganhar capacidade de se transmitir de pessoa para pessoa”.


Correio da Bahia, 14/10/2005

Aqui Salvador

 

Transplante para anemia falciforme

A anemia falciforme também é uma doença cujos portadores poderão ser beneficiados com a utilização de células-tronco. De maior incidência entre os negros, calcula-se que um em cada mil brasileiros seja portador da anemia. Na Bahia, um estado com grande quantidade de afrodescendentes, uma em cada 500 pessoas pode sofrer os males da doença. Trata-se de uma mutação gênica em que as células sangüíneas têm dificuldade em realizar o transporte do oxigênio e as hemácias apresentam a forma de foice ou meia-lua. A implantação de células-tronco, em tese, poderia buscar corrigir essa deficiência, realizando o transporte correto do oxigênio pelo organismo. Apesar de a anemia falciforme ser predominante em negros, a alta miscigenação permite que pessoas de pele mais clara também sejam portadoras da doença.

Pesquisadora e integrante da administração da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a hematologista Maria de Lourdes Pires Nascimento afirma que a expectativa é grande em torno das pesquisas com células-tronco. "Se os estudos não trouxerem a cura, podem trazer melhora a uma grande quantidade de doenças".

 


Correio da Bahia, 13/10/2005

Aqui Salvador

 

Testes com vacina contra HPV apresentam 100% de eficácia
Osid participam do estudo para combater vírus responsável pelo câncer de colo

 

Pesquisas para criar a vacina contra HPV devem estar concluídas no próximo ano

Uma pesquisa realizada em 33 países do mundo, inclusive no Brasil, está testando uma vacina contra o HPV (papiloma vírus humano). Resultados preliminares já divulgados demonstram que a vacina apresenta 100% de eficácia no combate aos subtipos 16 e 18 do vírus, responsáveis por causar cerca de 75% dos casos de câncer de colo de útero em mulheres. Apesar disso, a vacina só terá a eficácia devidamente comprovada daqui a um ano, quando os trabalhos completam quatro anos. O estudo leva o nome de Future III e é encabeçado por um grupo de pesquisa da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Em Salvador, o Núcleo de Apoio à Pesquisa das Obras Sociais Irmã Dulce (NAP/Osid) é um dos 14 centros participantes do estudo no Brasil e o único de toda a região Norte e Nordeste.

O estudo já está na terceira fase e, até o momento, 12 mil pacientes do sexo feminino já foram acompanhadas pelo NAP em Salvador. Desse total, seis mil foram submetidas à vacina em teste e seis mil tomaram placebos (vacina falsa). O resultado mostrou que a metade usuária da vacina analisada não desenvolveu doenças, enquanto a outra metade foi acometida por patologias, com quadro de câncer de colo de útero em 21 mulheres. Assim, concluiu-se que as três doses da vacina têm eficácia de 100% contra o papiloma vírus humano. Consta que a vacina em questão é obtida a partir do DNA recombinante, semelhante à vacina que combate a hepatite B. Em todo o mundo, 90 centros de estudos estão participando da pesquisa, iniciada em 2002, com mulheres de diferentes etnias e condições socioeconômicas.

Subtipos - O vírus HPV conta com mais de cem subtipos identificados e já pesquisados. Desse total, entre 30 e 40 deles, inclusive os subtipos 16 e 18, acometem a área genital e são caracterizados como de alto risco no desenvolvimento de câncer de colo de útero. A vacina pretende combater não somente os subtipos 16 e 18, mas também os 6 e 11, que causam mais de 90% das verrugas genitais (os chamados condilomas), que crescem e adquirem um aspecto semelhante a uma couve-flor, afetando a auto-estima e a qualidade de vida de homens e mulheres. Por agir contra quatro subtipos do HPV, a vacina é denominada recombinante quadrivalente. Em todo o mundo, cerca de 25 mil mulheres já participaram da pesquisa, ainda em andamento.

Após a confirmação da eficácia plena, a vacina deverá ser liberada primeiramente no local de origem da pesquisa (Estados Unidos), para depois chegar aos demais países do mundo. A médica ginecologista Karina Adami, pesquisadora do NAP/Osid, explica que o objetivo da vacina é evitar que a doença progrida nos casos em que o sistema imunológico da pessoa não é capaz de vencer o subtipo de alto risco do HPV, causando o desenvolvimento do câncer de colo de útero. "Esse desenvolvimento vai depender do sistema imunológico da pessoa. Se ela já for debilitada, o processo é mais rápido", diz Karina. Nas mulheres, 90% dos casos de câncer de colo de útero são verificados através do exame preventivo denominado Papanicolau, que detecta o câncer em sua fase pré-invasiva, impedindo que ele se alastre.

No homem, o HPV também pode causar verrugas na genitália. Como o órgão sexual masculino é exposto, é mais fácil percebê-las e se submeter ao exame. "Se as verrugas não forem tratadas, podem desenvolver câncer de pênis", avisa a médica Karina Adami. Ela acrescenta que os parceiros de portadores do HPV também devem procurar o médico para fazer exames especializados para detectar possíveis microlesões, imperceptíveis a olho nu. As pesquisas sobre as consequências do HPV em homens, inclusive, estão em fase inicial, enquanto a vacina que imuniza mulheres contra o HPV ainda não chega a o mercado. Vale lembrar que os estudos científicos mostram também que a contaminação por HPV está associada a 85% dos casos de câncer de ânus, 50% dos casos de câncer de vulva, vagina e pênis, 20% dos casos de câncer de orofaringe e 10% dos casos de câncer de laringe.

***

Transmissão acontece através da pele

O vírus HPV é altamente transmissível através do contato pele a pele, mesmo se ambos os parceiros estiverem usando preservativo durante a relação sexual. Não há dúvidas de que a camisinha é a forma de prevenção mais eficiente contra a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), mas sua eficácia é parcial em se tratando do HPV, como atesta o médico infectologista Edson Moreira, também pesquisador titular da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz-BA). "A transmissão pode ocorrer se a verruga ou lesão estiver em locais não protegidos pelo preservativo, como o saco escrotal, a vulva ou a região pubiana. O HPV é um vírus bastante espalhado entre as pessoas e pode-se dizer que qualquer indivíduo que seja sexualmente ativo está sujeito a ele", adverte o especialista.

Moreira acrescenta que 30% dos brasileiros com vida sexual ativa são portadores do HPV. Nos Estados Unidos, os cálculos mostram que 40% a 60% dos universitários americanos já foram acometidos pelo HPV. "Não é necessário ser profissional do sexo nem ter relações com múltiplos parceiros para estar sujeito ao vírus. Um levantamento até já mostrou que 15% a 18% de mulheres jovens com menos de cinco parceiros na vida já pegaram o HPV", fala o infectologista.

Em relação às verrugas que aparecem na região genital, elas podem ser tratadas com soluções ácidas ou cirurgias à base de bisturi elétrico ou raio laser. Nas mulheres que apresentam lesão no colo do útero, o ideal é fazer anualmente o exame preventivo Papanicolau. Se não houver o tratamento, o problema pode evoluir para o câncer. Vale lembrar que a evolução não acontece na maioria dos casos, mas as quatro mil mortes anuais registradas no Brasil em decorrência do câncer de colo de útero não deixam de ser preocupantes.

 


Correio da Bahia, 13/10/2005

Aqui Salvador

 

Histerectomia pode ser evitada em mais da metade dos casos
ÚTERO

Mais de 50% das mulheres em idade reprodutiva - em particular as que possuem entre 30 e 40 anos - que sofrem com algum tipo de sangramento uterino provocado por miomas, pólipos ou que estejam com o útero aumentado, não precisam mais se submeter a uma cirurgia para a retirada do útero, a conhecida histerectomia. Com o avanço tecnológico da ginecologia, a cirurgia hoje é feita por víideohisteroscopia - técnica sem cortes e por via vaginal que trata sem a necessidade da retirada do órgão. Essa técnica é um dos temas que serão discutidos no simpósio A Ginecologia em Hospital Dia, amanhã e sábado, no Fiesta Convention Center, que reunirá mais de 150 profissionais do estado.

A médica ginecologista e especialista em reprodução humana do Itaigara Memorial Hospital Dia, Genevieve Coelho, uma das coordenadoras do evento, explica que apesar da videohisteroscopia já ser usada no Brasil há sete anos, há pouco tempo evoluiu de forma significativa, trazendo benefícios importantes à mulher. "O medo de perder a fertilidade com a retirada do útero, um forte símbolo da feminilidade, as deixava receosas e com traumas. Hoje, os procedimentos são minimamente invasivos, o tempo de internação é reduzido e a volta à rotina acontece rapidamente", afirma a especialista.

Outro progresso da área é que 70% dos procedimentos ginecológicos são realizados atualmente em hospitais dia, com excelentes resultados às pacientes, como a videohisteroscopia. Segundo Genevieve, estes avanços serão discutidos no simpósio, como também incontinência urinária e novas opções para prevenção de câncer no colo uterino. "A utilização crescente dos hospitais dia é importante, porque além de reduzir custos para os pacientes, reduz para quase zero a infecção hospitalar. Os cortes são endoscópicos e reduziu o pós-operatório, que era doloroso e longo. Além disso, esta prática reflete na economia brasileira, já que diminui o tempo da licença hospitalar", afirma.

A técnica também é muito utilizada em mulheres que já entraram na menopausa. "Nesses casos retiramos pólipos, o que reduz o risco de desenvolver câncer, principalmente em quem faz reposição hormonal", explica a médica. Outra técnica igualmente muito usada, e predominantemente em mulheres menopausadas, é a videolaparoscopia, que diagnostica precocemente o desenvolvimento de câncer endometrial, o que evita que a paciente faça quimioterapia ou radioterapia.

 


A Tarde, 13/10/2005

Nacional

 

Saúde
Câncer de mama pode ter origem genética

Folhapress

SÃO PAULO –
Cerca de 10% dos casos de câncer de mama são conseqüência de erros genéticos, transmitidos de pais para filhos. A estimativa faz parte de um estudo desenvolvido pelo médico Roberto Vieira, chefe do Serviço de Mastologia do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para o mastologista, a descoberta vai permitir alertar pessoas que fazem parte de famílias consideradas de risco. O médico define ‘‘famílias de risco’’ como aquelas em que já houve casos de câncer de mama em pelo menos três gerações, em mulheres com menos de 35 anos, em homens ou a associação da doença com o câncer de ovário.

‘‘Essas mulheres já nascem com um erro genético que aumenta em 80% sua predisposição a desenvolver a doença, antes de completarem 80 anos de idade’’, disse o autor da pesquisa. O mastologista da Fiocruz explicou também que as mulheres que herdam essa carga genética podem optar por medidas capazes de impedir o aparecimento do câncer de mama.

Uma delas, seria a retirada do tecido mamário para substituí-lo por prótese. Outra opção seria a retirada dos ovários, depois de terem filhos, o que reduz a ação do hormônio estrogênio, responsável pelo desenvolvimento da doença.

O câncer de mama já é considerado o tipo mais freqüente entre as mulheres em todo o mundo. No Brasil, a cada hora seis mulheres descobrem que são portadoras da doença.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que toda mulher deve fazer o exame da mamografia anualmente, a partir dos 40 anos.

De acordo com o mastologista Roberto Vieira, como não há métodos de prevenção, quanto mais cedo a doença for detectada, maiores são as chances do tratamento ter sucesso.

DEZ ANOS – Os indicadores mostram, no entanto, que 25% dos casos da doença são diagnosticados em mulheres antes de completar esta idade. ‘‘Em famílias de risco há uma grande incidência da doença em mulheres jovens. Nesses casos, o ideal é iniciar o exame pelo menos dez anos antes da idade em que foi detectado o último caso na família’’, alerta Vieira. Ele destaca que o câncer de mama leva dez anos para se desenvolver.

O médico baseou a pesquisa em estudo genético de 15 pessoas de uma família com histórico de casos de câncer de mama, próstata, intestino, estômago e melanoma (tipo de câncer de pele). Essas pessoas estão sendo acompanhadas desde 1995, no Laboratório de Biologia Molecular Aplicada do IFF.

‘‘Em dez anos de pesquisa, nove pessoas apresentaram resultado positivo, através de análise laboratorial, para a mutação genética. Entre elas, cinco desenvolveram algum tipo de câncer’’, destaca o mastologista.


A Tarde, 13/10/2005

Local

 

Comportamento
Sexo de bebês sob encomenda

Sexagem é o nome da polêmica técnica médica que possibilita a escolha de um filho menino ou menina

FABIANA MASCARENHAS


A cena é comum. O casal descobre que espera um filho e logo alguém pergunta: O que você prefere? Menino ou menina? As opiniões variam, mas é certo que muitos gostariam de poder optar por um determinado sexo. E isso não só é possível, como já tem filhos que são frutos dessa escolha, embora a realização da prática cause polêmica e remeta a discussões éticas, religiosas e científicas.

Conhecida como sexagem, a seleção do sexo do bebê a partir dos métodos de reprodução assistida é feita através do diagnóstico pré-implantacional (PGD), que permite a análise genética dos embriões antes de sua transferência para o útero. Porém a técnica foi desenvolvida com o objetivo de detectar doenças e anormalidades em embriões, auxiliando na identificação daqueles com melhor capacidade de implantação e desenvolvimento normal, e não como uma possibilidade de escolha do sexo.

Por meio da técnica, é possível identificar óvulos fertilizados – o cromossomo Y (masculino) e o X (feminino) –, possibilitando a escolha daqueles que serão implantados no útero (ver infográfico). Entretanto, junto com a realização pessoal, possível com o desenvolvimento da ciência, surgem também as questões ética e religiosa que cercam o assunto, e há quem veja a prática como uma interferência nos planos divinos.

Descarte de embriões

Um outro problema apontado pelos especialistas está no que fazer com os embriões excedentes. Isso porque, além de utilizar técnicas ainda experimentais, recomendadas apenas em pessoas inférteis – e sempre como última alternativa –, há a possibilidade de os casais autorizarem o descarte dos embriões indesejáveis. Ou seja, entre os embriões saudáveis, os pais escolhem implantar somente as meninas. Então, o que fazer com os meninos que não foram aproveitados?

De acordo com a médica e especialista em reprodução humana Bella Zausner, os embriões podem ser congelados e utilizados para pesquisa, como, por exemplo, de linhagens de células-tronco. Além disso, o embrião pode ser doado para casais com dificuldades de engravidar. A médica ressalta, no entanto, que essa é uma decisão do casal. “Há meios de aproveitar o embrião, mas é o casal que dirá o que será feito com ele”, esclarece.

De acordo com Maria Auxiliadora Minahim, professora de direito penal da Universidade Federal da Bahia (Ufba), não há uma lei punitiva para quem descarta embriões. “O código penal considera como crime de aborto a interrupção da gravidez. No caso da sexagem, não há gravidez em curso, por isso não é considerado crime”, explica.

Conselho de Medicina proíbe a prática

A prática da sexagem não é permitida em alguns países e, em outros, é realizada por não haver uma legislação específica. No Brasil, a Resolução 1.358/92, do Conselho Federal de Medicina, proíbe a aplicação de técnicas de reprodução assistida com o objetivo de “selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica do futuro filho, exceto quando se trate de evitar doenças”. Deste modo, a sexagem é permitida apenas com a finalidade de evitar o nascimento de crianças portadoras de doenças ligadas aos cromossomos sexuais, como síndromes, hemofilia e distrofia muscular.

Portanto, além de ser proibida pelo código de ética de medicina, a prática também não é aceita pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), mas não há uma lei que proíba a sexagem no Brasil. “O que existe é uma sugestão de conduta que deve ser seguida por todos aqueles que pertencem à classe médica. Quem fizer estará faltando com a ética profissional, mas não infringirá a lei”, diz a presidente da SBRA, Maria do Carmo Borges.

Para ela, a infertilidade é um problema de saúde pública. “As técnicas de reprodução humana estão muito restritas a uma camada da população. O governo tem de reconhecer que a população em geral tem o direito de utilizar gratuitamente as técnicas disponíveis de reprodução assistida”.

De acordo com Maria do Carmo, na ausência de uma lei, deve-se seguir a orientação ética. Porém as opiniões dos médicos divergem quando o assunto é a sexagem, e há os que não acreditam que a realização da prática esteja relacionada a questões éticas. Alguns, entretanto, estão de acordo apenas no caso do “equilíbrio” ou “balanceamento” familiar, que significa restringir a possibilidade de escolha apenas a casais que já possuam filhos e sejam todos do mesmo sexo.

Outro argumento é o de que a escolha do sexo é apenas uma conseqüência da reprodução assistida, já que a análise do embrião teria que ser feita para verificar a presença de doenças genéticas. De acordo com um especialista da área, que preferiu não se identificar, a maioria das mulheres que buscam a reprodução assistida tem mais de 35 anos, fase em que aumentam o risco de doenças genéticas e a dificuldade para engravidar.

“A verificação do sexo seria mera conseqüência. Se os embriões já estão ali disponíveis, examinados e selecionados, não veria problemas em perguntar ao casal se prefere menino ou menina”, afirma. Porém faz questão de ressaltar que, embora seja a favor, não utiliza a prática em seu consultório.
  
BEBÊ IDEAL – Outros especialistas são contra a busca desenfreada pelo bebê ideal. “A seleção do sexo pode originar a eugenia. O que queremos evitar são as doenças. Daqui a pouco, os casais vão querer escolher a cor do cabelo, da pele, dos olhos”, afirmou Selmo Geber, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante o Serono Symposia Internacional, evento sobre reprodução assistida que reuniu especialistas de todo o mundo no mês de setembro, em Belo Horizonte.

O médico espanhol Manuel Fernández afirma que ainda não existe consenso sobre a sexagem, mas, nos países anglo-saxônicos, a prática é vista de uma maneira mais pragmática. “Por outro lado, há determinados países que, pela cultura e sociedade, têm preferência explícita por um determinado tipo de sexo”, pontua.

Por esse motivo, alguns especialistas temem que prática gere um desequilíbrio populacional entre os sexos. Ele cita como exemplo a China e a Índia – dois dos mais populosos do mundo –, onde a preferência por filhos homens é notória, devido a fatores culturais e econômicos. Nesses lugares, os exames de ultra-sonografia, que permitem desvendar o sexo do feto, passaram a ser proibidos. Saber que dentro da barriga da mãe desenvolve-se uma menina aumentava o número de abortos e infanticídios praticados por esses povos.

GLOSSÁRIO

z Eugenia – ciência que estuda as condições que melhor podem favorecer a reprodução humana e o aperfeiçoamento da raça.

PONTO DE VISTA

Qual a sua opinião sobre a escolha do sexo do bebê por métodos de reprodução assistida?


“Sou contra a escolha do sexo do bebê por preferências individuais ou familiares. A sexagem só deve ser feita nos casos em que se quer evitar doenças. Filho é filho, independente do sexo”.

Jorge Calabrich – presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia

“Não vejo problema algum na sexagem. Se a técnica está à disposição, o casal tem todo o direito de escolher o sexo do filho que deseja ter. O que há demais nisso? Não há ofensa de nenhuma ordem, muito menos vontade de ser Deus”.

Elsimar Coutinho – médico, cientista

“Sou a favor do avanço da ciência para o bem da humanidade. Acredito que não poder ter um filho e recorrer às técnicas de reprodução assistida é justo. Agora, escolher o sexo da criança é brincar de Deus. É não permitir que a natureza siga seu curso”.

Anselmo Santos – tata de inquice do Terreiro Mokambo

“A igreja atribui uma missão sagrada ao ato de procriar e considera que a fertilização em laboratório não é legítima. Ao escolher um filho, a vida deixa de ser um dom divino e passa a ser uma coisa fabricada”.

Bispo João Carlos Petrini – diretor do Instituto da Família

“Se não é aceito pela ética dos médicos, não deve ser feito. Não vejo, contudo, a prática como absurda. Quem sabe, no futuro, será uma ação bendita? Talvez a escolha ajude na reencarnação, uma vez que os espíritos terão a certeza que serão bem-vindos”. José

Medrado - espírita

“Não vejo problemas na sexagem. Tenho três filhos – uma menina e dois meninos – e, se pudesse, teria escolhido o sexo deles. Se existe uma técnica que nos dá essa possibilidade, por que não aproveitá-la?”

Carlos Alberto Canário – empresário

COMO FUNCIONA

Há duas técnicas da reprodução assistida utilizadas no Brasil, que permitem uma definição prévia do sexo do bebê.

Inseminação artificial


z mais simples e tem quase 70% de chance de acerto

z A mulher faz tratamento hormonal para estimular a
ovulação. Quando entra em período fértil, recolhe-se o
sêmen do homem.

z O sêmem é centrifugado para separar os
espermatozóides que carregam o cromossomo Y,
masculino, dos que levam o X , feminino

z Escolhe-se o sexo desejado e depositam-se os eepermatozoides no útero, através de um cateter

Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGD)

z feita por meio da fertilização in vitro. Embora seja mais invasiva, a margem de acerto é de praticamente

z Retiram-se alguns óvulos da mulher e recolhe-se o sêmen do homem, que é centrifugado para
separar os espermatozóides masculinos dos femininos

z Cada óvulo recebe a injeção de um único
espermatozóide, e os pré-embriões são cultivados por três dias em laboratório. No terceiro dia, retira-se uma célula de cada embrião para biópsia

z A análise de cada célula individualmente
indicará o sexo do embrião do qual foi retirado, além de apontar possíveis problemas cromossômicos

z Somente os embriões saudáveis do sexo escolhido são implantados no útero


A Tarde, 13/10/2005

Internacional

 

Austrália
Descoberta proteína que regenera artéria

Cientistas recriaram um dos elásticos mais fortes que existe na natureza: a resilina, proteína que permite, por exemplo, que moscas batam asas. O feito começou quando o grupo, do centro de pesquisas CSIRO, na Austrália, descobriu o gene responsável pela produção da resilina nos insetos.

Eles transferiram esse gene para uma bactéria, que, em colônia, começou a produzir grandes quantidades da proteína. Depois de extraírem o material e o tratarem, os cientistas obtiveram o produto final, que estica três vezes seu tamanho sem arrebentar. A resilina artificial pode substituir a elastina na parede de artérias danificadas.

 

 


Correio da Bahia, 12/10/2005

Aqui Salvador

 

 

Obesidade já é encarada como um problema de saúde pública
Oitenta mil cirurgias para redução do estômago são feitas todo ano no país
Daniel Freitas

 

Obesidade afeta um número cada vez maior de brasileiros

Oitenta mil cirurgias bariátricas (redução de estômago) são realizadas anualmente no Brasil, um país em que a incidência de obesos mórbidos varia de 2% a 3% da população. Já nos Estados Unidos, os cálculos mostram que aproximadamente 40% dos americanos têm excesso de peso, sendo 3% a 5% desse total (12 a 15 milhões de pessoas) com quadro de obesidade mórbida. Lá, as operações de redução de estômago chegam a 200 mil anuais. Ontem, Dia Internacional de Combate à Obesidade e Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, a questão já é encarada como problema de saúde pública mundial. As medidas de prevenção devem ser tomadas desde a infância, evitando o sedentarismo, praticando exercícios físicos e adotando uma alimentação balanceada.

A obesidade é um problema crônico de origem multifatorial. Por trás de seu desenvolvimento, estão predisposição genética, questões comportamentais, transtornos compulsivos e problemas psicológicos associados. Há tratamento clínico e cirúrgico, quando houver indicação. "As pessoas estão cada vez mais sedentárias e, para mudar isso, a criança deve ser estimulada, em casa e na escola, a uma alimentação saudável e a prática de atividade física para controle do peso", aconselha o médico cirurgião geral Jorge Faria, do Hospital Português. O tratamento clínico, então, inclui reorientação alimentar, trabalho psicoterapêutico e medicamentoso orientado por um endocrinologista.

Adaptação - A indicação à cirurgia bariátrica, o que configura o tratamento cirúrgico, ocorre se a pessoa apresentar o índice de massa corpórea (IMC = peso sobre a altura elevada ao quadrado) acima de 40 ou acima de 35 com outras doenças associadas (veja box). Enfim, são pacientes com quadro de obesidade ou obesidade mórbida que estão com 45kg, em média, acima de seu peso ideal. Há apenas nove dias, a empresária Marusa Elena Simonassi submeteu-se a uma cirurgia desse tipo. Com 1,62m de altura e 98kg, ela pretende chegar aos 60kg. Nesses primeiros dias pós-cirurgia, Marusa conta que se adaptou bem à dieta e não sente fome nem fraqueza. "Me sinto uma pessoa feliz", define.

A empresária conta que foi magra até os 25 anos e começou a engordar depois da gravidez de sua primeira filha, que está com 17 anos hoje. "Tinha problema de apnéia do sono e a questão da obesidade interferia na minha qualidade de vida. Mas, apesar disso, sempre tive um astral bom e sempre fui alegre, com a família e os amigos ao meu lado", considera. Antes da cirurgia bariátrica, ela confessa que suas refeições se baseavam mais na quantidade do que na qualidade dos alimentos, apesar de ter freqüentado a academia nos últimos dois anos. Para todos aqueles que vivem situações semelhantes, Marusa Elena deixa a mensagem: "Nunca deixe de se amar e sempre busque aquilo que mais deseja na vida".

A estética, porém, não é o mais importante entre os resultados decorrentes de uma cirurgia bariátrica, na opinião do cirurgião geral Jorge Faria. Ele explica que a melhoria na qualidade de vida do paciente é capaz de elevar a auto-estima e reintegrá-lo à sociedade, já que muitos são excluídos do círculo social em que vivem. Faria conta que começou a trabalhar com cirurgia bariátrica desde 1999 e integra há quatro anos o grupo de trabalho Núcleo de Tratamento e Cirurgia da Obesidade do Hospital Português, que já operou um total de 750 pacientes. Desse total, dois vieram a óbito e alguns poucos, segundo o médico, apresentaram complicações decorrentes da cirurgia.

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OPERAÇÃO

A cirurgia bariátricas, realizada desde a década de 50 nos Estados Unidos e desde o final dos anos 70 no Brasil (com maior impulso nos meados da década de 90), consiste em reduzir o tamanho do estômago em 1/3 de sua capacidade total - estimada em 1,5 mil mililitros aproximadamente, podendo alcançar a marca de dois mil mililitros nos obesos. Com a redução, o estômago chega a 50 mil mililitros, em média. Assim, o paciente passa a comer uma menor quantidade de comida. "Vale lembrar que a outra parte do estômago continua produzindo secreções gástricas, mas sem funcionar como receptáculo de alimentos", explica o médico Jorge Faria, salientando a necessidade de o paciente ser acompanhado por um nutricionista e um psicólogo.

***

Mulheres são maioria

Calcula-se que dois terços das pessoas com obesidade são do sexo feminino. Apesar disso, o problema é mais grave nos homens, que tendem a acumular gordura na região do abdômen, o que aumenta os riscos de complicações. Nas mulheres, a gordura tende a se localizar nas regiões periféricas do corpo. Em quaisquer dos casos, a importância da boa alimentação é fundamental, independentemente de ser pobre ou rico. Nas classes menos favorecidas economicamente, inclusive, a alimentação costuma ser carente de nutrientes, com excesso de açúcares e gorduras nocivas ao organismo. São alimentos de alto teor calórico que devem ser evitados, a exemplo de carnes gordurosas e saturadas, que contribuem para um progressivo ganho de peso. Para uma alimentação balanceada, a nutricionista Ana Lúcia Leiro recomenda riqueza de proteínas, vitaminas e minerais - o que pode ser encontrado em grãos, frutas, verduras e legumes, sempre em cores variadas.

As gorduras também são importantes para o organismo, mas elas devem ser selecionadas, com prioridade para as gorduras não-saturadas. "A água também é muito bem-vinda, no mínimo dois litros por dia. Mas se trata de dois litros de água pura, e não substituída por sucos açucarados ou refrigerantes", alerta a nutricionista. Biscoitos recheados devem ser evitados e as frutas e legumes da época, vendidos a preços mais baratos, podem ser uma boa opção para quem quer comer bem e pagar pouco. "Raízes como batata e aimpim também servem como opções mais baratas e nutritivas do que o consumo do pão". Comer bem significa estar bem física, social e psicologicamente, mantendo distância de problemas como hipertensão, diabetes, problemas articulares, cardiovasculares, hepáticos e respiratórios, além do aumento na taxa de colesterol. A prática de atividade física também deve ser lembrada.

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CÁLCULO DO IMC

A obesidade pode ser verificada através do cálculo do índice de massa corpórea (IMC), resultado da razão entre o peso e a altura elevada ao quadrado (IMC= P/A2). Quando esse índice é igual ou superior a 30, o quadro é de obesidade. Confira os números;

IMC entre 18 e 24,9: normal.

IMC entre 25 e 29: sobrepeso.

IMC entre 30 e 39: quadro de obesidade.

IMC acima dos 40: obesidade mórbida.

IMC acima dis 50: o indivíduo é considerado superobeso.

* Com IMC entre 35 e 39 e quadro de outras doenças associadas (hipertensão, diabetes...), já é indicada uma intervenção cirúrgica. Para os obesos mórbidos e superobesos, porém, a cirurgia já é indicada mesmo sem doenças associadas.

 


Correio da Bahia, 11/10/2005

Aqui Salvador

 

 

Fibromialgia atinge cerca de 5% da população brasileira
Doença provoca dores em diversas partes do corpo, fadiga, ansiedade e depressão
Camila Vieira

 

Pacientes com fibromialgia sentem com freqüência dores em diversas partes do corpo

Mais comum em mulheres, a fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica que costuma acometer pessoas entre 30 e 50 anos. Estudos indicam que a patologia atinge até 8,9 milhões de brasileiros, o que representa 5% da população. A doença pode ser desencadeada por alterações neuroendócrinas, imunológicas e comportamentais. Apesar do nome pouco conhecido, a fibromialgia foi descrita há 150 anos como reumatismo. Difícil de ser diagnosticada, em função dos seus sintomas que se assemelham a outras doenças, a patologia diminui a qualidade de vida dos pacientes, podendo afastá-los do trabalho e da vida social.

Caracterizada por sintomas como dores em diversas partes do corpo, fadiga inexplicável, alteração no sono, rigidez articular, cefaléia, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda do desejo sexual, depressão e sensação de formigamento em braços e pernas, a doença tem se tornado cada vez mais freqüente. A professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e reumatologista, Mônica Martinelli, afirma que 20% dos pacientes atendidos por ela nos hospitais Português e Espanhol são portadores da doença. "Posso dizer com certeza que houve um aumento significativo nos últimos tempos", garantiu a médica.

A especialista explica que não existe exame de laboratório capaz de mostrar a doença, enfatizando que o diagnóstico é clínico. Segundo ela, em 1990 foi instituído pelo Colégio Americano de Reumatologia o exame dos 18 pontos sensíveis, que avalia os dois lados de nove regiões do corpo. Se além de apresentar os outros sintomas, o paciente sentir dores em pelo menos 11 desses pontos, ele sofre da doença. Os locais avaliados são a nuca, trapézio, região posterior ao ombro, coluna, costela, cotovelos, região superior das nádegas, laterais dos quadris e região medial do joelho.

A reumatologista alerta para a importância do diagnóstico precoce da doença e para as conseqüências que ela acarreta. "O exame clínico detalhado é fundamental. Se não for tratada da forma correta, a síndrome pode provocar o afastamento do trabalho e prejudicar a qualidade de vida do paciente de forma drástica", analisa. Além de remédios como analgésicos e antidepressivos, a especialista indica a natação, tratamento com exercícios físicos monitorados, RPG, pilates, acupuntura, terapia, entre outros. A médica faz questão de lembrar que o tratamento ajuda a minimizar os sintomas da doença, mas deixa claro que ela não tem cura. "Melhora a vida da pessoa, mas a doença não desaparece. Caso ela abandone essas medidas, em qualquer situação de estresse, ela irá sentir as mesmas dores", reforça.

 


A Tarde, 10/10/2005

Internacional

 

Saúde
Vacina e remédio não conterão pandemia de gripe--especialistas

Da Reuters

Vários governos estão estocando drogas antivirais e empresas estão tentando acelerar a produção de vacinas contra a gripe, mas essas medidas dão uma sensação falsa de segurança, e não serão muito eficazes para conter uma pandemia de gripe, advertiu um especialista na segunda-feira.

Michael Osterholm -- especialista em doenças infecciosas que estuda o risco de pandemias de gripe há décadas e que presta consultoria para o governo norte-americano -- disse que os países deveriam estar se preparando para enfrentar a pandemia, em vez de confiar totalmente na esperança de que as drogas e medicamentos consigam detê-la.

Se a gripe aviária H5N1 começar a afetar os seres humanos com facilidade, ela se espalhará rápido demais para que os remédios e as vacinas possam segurá-la, disse Osterholm.

"Tanto faz se temos ou não uma vacina hoje. Não vamos conseguir", disse Osterholm numa entrevista por telefone.

O vírus da gripe aviária H5N1 matou pelo menos 65 pessoas


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