Faculdade São
Camilo

Biblioteca
Padre Leocir Pessini
Clipping On-line
Ano 6 , n.220
De 07/11 à 13/11/05
Sumário de Matérias
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Aids: britânico pode ter sido o primeiro caso de cura espontânea |
A Tarde, 13/11/2005 |
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Correio da Bahia, 12/11/2005 |
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Correio da Bahia, 10/11/2005 |
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A apnéia do sono duplica os
riscos de morte ou crise cardíaca |
A Tarde, 10/11/2005 |
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A Tarde, 09/11/2005 |
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Revista HSM Managent, Ano 98, n.53, nov./dez.2005 |
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A Tarde, 07/11/2005 |
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Correio
da Bahia, 07/11/2005 |
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A Tarde,
07/11/2005 |
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A Tarde, 07/11/2005 |
A Tarde,
13/11/2005
Internacional
Aids:
britânico pode ter sido o primeiro caso de cura espontânea
Da France Presse
Um britânico de 28 anos, declarado
soropositivo há três anos, pode ser a primeira pessoa do mundo a ter se livrado
de forma natural e espontânea do vírus da Aids, sem a ajuda de remédios,
segundo artigo publicado neste domingo pela revista News of the World.
Em agosto de 2002, Andrew Stimpson,
de 28 anos, descobriu que era soropositivo. Quatorze meses depois, no entanto,
novas análises mostraram que o vírus HIV da aids havia desaparecido
completamente de seu organismo sem que ele tivesse tomado qualquer tipo de
remédio, diz a News of the World.
Os médicos de Stimpson foram
categóricos ao afirmarem que não houve qualquer tipo de confusão de exames,
como aconteceu em dois casos anteriormente descobertos de supostas "curas
espontâneas", em que foi impossível demonstrar se os exames positivo e
negativo eram da mesma pessoa.
Por isso, o jovem vendedor de
sanduíches aceitou se submeter aos estudos dos pesquisadores que trabalham na
luta contra o vírus.
"Recordo-me que, depois do
segundo exame, meu médico entrou em meu quarto e disse: `está curado; é
incrível; você é fantástico´", disse à revista Stimpson, que vive com Juan
Gómez, um homem de 44 anos também afetado pelo vírus VIH.
"É verdadeiramente assombroso
pensar que um dia vi a morte diante dos meus olhos e que agora disse adeus a
ela", acrescentou Stimpson.
Depois de excluir a hipótese de
confusão de exames, os médicos afirmaram com segurança se tratar de um
autêntico caso de cura espontânea.
Em outubro, Stimpson recebeu uma
carta pela qual o hospital assegura que, após uma série de análises de DNA, as
amostras de sangue utilizadas no primeiro e no segundo exame de aids eram
realmente suas.
"Não houve erro algum nas
etiquetas ou na análise das amostras", afirmou o hospital em sua carta,
cuja cópia foi publicada também pela News of the World, assim pelo jornal The
Mail on Sunday.
A carta ressalta que "o fato de
ter passado de um resultado positivo para um negativo é excepcional do ponto de
vista médico".
Stimpson, um escocês que vive em Glasgow, se submeteu a um exame em maior de
2002 porque se sentia fraco e com febre. O resultado foi negativo.
O jovem continuou sentindo-se mal e
três meses depois - prazo normal para a aparição do vírus no sangue - fez novos
exames, os quais mostraram que era soropositivo.
Já que o estado da doença era pouco
avançado, não foi receitado qualquer remédio. Nos exames periódicos, os médicos
observaram com surpresa sua aparente boa saúde.
Os médicos ficaram atônitos quando o
exame de 2003 revelou que o vírus HIV havia desaparecido do sangue de Stimpson.
Correio da Bahia, 12/11/2005
Aqui Salvador
Insulina aspirável facilita
tratamento
DIABETES
Perla Ribeiro
Uma nova forma de insulina promete
revolucionar o controle da doença: trata-se da insulina aspirável, que deve
começar a ser comercializada no Brasil no ano que vem. Diferente da forma
injetável, que penaliza os portadores da doença com até seis aplicações diárias
nos casos mais graves, o novo mecanismo possibilitará que o diabético injete
apenas uma insulina por dia, associando sua ação a várias doses de insulina
aspirada ao longo do dia. O assunto está sendo discutido no XV Congresso
Brasileiro de Diabetes, que teve início ontem, no Centro de Convenções, e será
encerrado na próxima terça-feira. A programação inclui 383 trabalhos
científicos, 27 conferências, oito cursos, 20 painéis de debate e 23 simpósios.
Quarta causa principal de morte na
maioria dos países desenvolvidos, a diabetes acomete 150 milhões de pessoas em
todo mundo, sendo que seis milhões apenas no Brasil. Portadora do diabetes tipo
I, a dona de casa Ana Maria Silva de Jesus Guimarães, 35 anos, usa insulina há
sete anos. Diariamente usa duas doses, mas o número aumenta no período de
crises. "É horrível todos os dias ter que me furar pela manhã e à noite. O
pior de tudo é saber que dependo dela para o resto da vida. Tem horas em que
penso até em desistir de tomar, mas por enquanto não tenho outra opção",
diz. Informada acerca da insulina aspirável, ela diz que será uma forma de
minimizar o sofrimento.
De acordo com a presidente do
congresso, a endocrinologista Reine Marie Chaves Fonseca, o diabetes faz com
que o organismo não produza insulina ou não consiga utilizá-la adequadamente,
caracterizando-se pelos altos níveis de glicose no sangue. Portanto, o uso da
insulina é importante para um bom controle do diabetes. Contudo, ela destaca
que além dos tratamentos medicamentosos é fundamental a mudança de hábitos de
vida, o que inclui uma alimentação saudável, manutenção de um bom peso e a
prática de atividades físicas.
"O indivíduo propenso a
diabetes é aquele que tem um histórico familiar de diabetes, que está acima do
peso e que é sedentário. É uma doença que acomete ricos, pobres, brancos,
negros, homens e mulheres", explicou Reine Chaves, que também é diretora
do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), alertando
ainda que àqueles que tem um histórico familiar da doença, a partir dos 40 anos
deve procurar um especialista para fazer um exame de glicemia.
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Estudo ajuda portadores
Um estudo mundialmente reconhecido
e desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), mostra
que o diabético é capaz de identificar uma hipoglicemia (taxa de glicose abaixo
do normal) ou hiperglicemia (taxa de açúcar acima do normal) que está prestes a
ocorrer. Existe ainda, um treinamento que ensina o doente a fazer a previsão
através, entre outros aspectos, da observação de sinais característicos do
organismo, como suor frio e constante vontade de urinar, além do tipo de
alimentação ingerida.
Especialistas alertam que o
diabetes encurta a sobrevida, compromete a qualidade de vida, sobretudo em
função das complicações renais, oculares, do sistema nervoso e cardiovascular
(coronariana, cerebral e periférica), além de causar amputações cegueira e
enfarto.
Correio da Bahia, 10/11/2005
Aqui Salvador
Desinformação dificulta o
diagnóstico da hanseníase
As manchas na pele surgem
lentamente e são facilmente confundidas com micoses. Mas, aos poucos, aqueles
pontinhos brancos ou avermelhados vão ganhando maiores proporções. Os cremes
não solucionam o problema e só então o médico, que deveria ser a opção para o
paciente, é procurado. Depois de alguns exames, surge o diagnóstico:
hanseníase. O relato é um dos indícios de que a falta de informação e o
preconceito dificultam o diagnóstico precoce e o rápido controle da doença.
Conforme estabelecido pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), quando se tem a prevalência de mais de um caso por
grupo de dez mil habitantes, a hanseníase é considerada um problema de saúde
pública. No Brasil, há 1,71 casos. O país ocupa o sexto lugar no mundo em
número de pessoas infectadas. A lista é liderada por Madagascar com 2,4. Até o
final de 2005, o Ministério da Saúde pretende reduzir para um caso para cada
dez mil habitantes. Para atingir essa meta, o orçamento deste ano para as ações
de combate à doença é de R$13,1 milhões, quase duas vezes maior do que o de
2004, que foi de R$7 milhões.
O Programa Nacional de Eliminação
da Hanseníase, a cada ano, traça estratégias para chegar à eliminação da doença
como problema de saúde pública. Para isso, segundo a coordenadora nacional do
programa, Rosa Castália, o primeiro desafio foi desenvolver um bom sistema de
informação no país, que fosse capaz de registrar todos os novos casos no país,
o número de pessoas tratadas e a taxa de abandono do tratamento. Na posse
desses dados, foi identificado que 70% dos novos casos se encontravam na região
da Amazônia Legal. Diante disso, a estratégia adotada foi a descentralização do
atendimento no SUS, para que pudesse colocar perto das pessoas o diagnóstico e
ao tratamento. O terceiro desafio foi o treinamento das equipes de saúde para
se chegar ao diagnóstico precoce.
A hanseníase é uma doença
infecciosa causada por uma bactéria (bacilo) que atinge a pele e os nervos. A
forma de contágio mais comum da doença é de pessoa para pessoa, pela via aérea,
por pessoas infectadas e que não estejam em tratamento. Ao falar, tossir ou
espirrar, o portador da hanseníase pode expelir a bactéria.
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A Tarde, 10/11/2005 Internacional Saúde A
apnéia do sono duplica os riscos de morte ou crise cardíaca Da AFP
A apnéia do sono duplica os riscos de falecimento ou de
crise cardíaca, segundo um estudo publicado pelo New England Journal of
Medicine. Além disso, o estudo concluiu que o risco é triplo para os
que têm a forma mais extrema de apnéia (a interrupção da respiração). A pesquisa foi realizada durante seis anos com 1.022
pessoas, das quais 697 tinham apnéia, por pesquisadores da faculdade de
Medicina de Yale (Connecticut, leste). O estudo lança dúvidas sobre a eficácia dos atuais tratamentos,
que visam manter abertas as vias respiratórias durante o sono por meio de um
equipamento. A apnéia do sono pode ser observada em qualquer idade, mas
afeta mais os homens com menos de 60 anos. |
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A Tarde, 09/11/2005
Local
Saúde
Célula-tronco para doença que acomete mais negros
SANDRO LOBO
Dentro de cerca de 20 dias, será
feito o primeiro implante de células-tronco para o tratamento da anemia
falciforme – que acomete predominantemente a
raça negra – no Centro de Transplante de Medula
Óssea do Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Hupes).
O anúncio foi feito na manhã de
ontem, em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa,
pelo médico Gildásio Cerqueira Daltro, chefe do serviço de Ortopedia e
Traumatologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A pesquisa tem apoio do
Conselho Nacional de Pesquisa e do Ministério da Saúde e visa ampliar e inovar
no tratamento de necroses ósseas causadas pela doença, entre outras formas de
terapia celular.
A convite do médico e deputado Pedro
Alcântara, o ortopedista falou sobre as implicações sociais da patologia.
Daltro ressaltou a necessidade de se criar um unidade de referência nacional
sobre a doença e argumentou que o Hupes, onde já existe um centro de anemia
falciforme, seria o melhor lugar para abrigá-lo. “Na Bahia há
cerca de 1,3 milhão de potenciais portadores da anemia falciforme, mas a doença
até hoje não foi epidemiologicamente bem definida”, justificou.
Gildásio Cerqueira destacou que a
doença é sistêmica (acomete o organismo de formas variadas, em diferentes
órgãos) e que por isso é necessário haver um centro especializado. “Não se pode levar um paciente falcêmico a um serviço de hematologia e
depois devolvê-lo à família para que ela procure outros atendimentos. Ele é um
doente especial, que precisa de orientação, atendimento multidisciplinar e
medidas preventivas”, recomendou.
O presidente da comissão de saúde,
deputado Gerson de Deus, lembrou que a doença costuma afetar indivíduos que
estão na faixa etária economicamente ativa. “É um dado que
não se pode desconsiderar num Estado como a Bahia, em que isso gera um impacto
socioeconômico”, disse. “A iniciativa de trazer novas tecnologias é importante. A Bahia, como
sendo o local com maior incidência no Brasil, tem uma dívida do poder público
com essa população.
Revista
HSM Managent, Ano 98, n.53, nov./dez.2005
MARKETING |
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Temas | Clientes, Marketing,
Segmentação, Contexto, Amadurecimento |
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Fonte | Shape the Agenda Autor/es | Fifield, Paul
Publicado |
Nov/Dez 2005
A
segmentação é uma ferramenta valiosa para as empresas que buscam aumentar sua
participação no mercado, mas são poucas as que segmentam de maneira eficaz.
Além disso, até agora, a maioria das empresas não sentia real necessidade de
segmentar. A questão parecia ser exclusiva dos fabricantes de produtos de
consumo de massa não-duráveis. Mas, com muitos mercados amadurecendo, inclusive
B2B (de empresa para empresa), segmentar passa a ser um imperativo geral, que
afeta praticamente todas as organizações.
A melhor
opção, na análise dos autores, é enfrentar uma segmentação real do mercado, que
não se baseia em coletar dados e fazer conjecturas, mas focaliza o contexto. Os
profissionais de marketing não podem apegar-se a técnicas de segmentação fora
de moda, que embutem visões antiquadas do “cliente”.
A Tarde, 07/11/2005
Local
Cidade
Saiba como funciona o Samu 192
O Ministério da Saúde definiu com todas as letras: “O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) é um programa que
tem como finalidade prestar socorro gratuito à população em casos de
emergência, reduzindo as seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce. O
serviço atende às urgências de natureza traumática, clínica, pediátrica,
cirúrgica, gineco-obstétrica e psiquiátrica, em qualquer lugar: residências,
locais de trabalho e via pública”.Na prática,
porém, a população não utiliza o Samu como deveria. Em parte, por desinformação
do que realmente é o serviço e para que ele serve – tem gente até que acha que o Samu é pago. Por outro lado, acreditam os
coordenadores do serviço em Salvador, Antonio Pena e Ivan Paiva, porque a
população em geral, devido a carência de anos sem atendimento adequado à saúde,
enxerga no serviço uma espécie de “cura para todos
os males”.Entre a população há ainda quem
veja no número 192, mais uma possibilidade de fazer piada de mau-gosto, assim
como já ocorre com o Corpo de Bombeiros, Policia e Defesa Civil. Somente em
outubro, o Samu de Salvador registrou 35% de trotes entre as quase 30 mil
chamadas mensais, cerca de mil por dia. No primeiro mês que o serviço foi
implantado na cidade, em julho, o número de trotes chegou a representar 70% das
ligações. Além dos trotes, a central do serviço na capital baiana, no Vale do
Barris, também registra um elevado percentual de chamadas não completadas:
gente que desliga antes de dizer para que ligou. Somando com aqueles que passam
alarmes falsos sobre acidentes e ocorrências em geral, são quase 60% de
ligações desperdiçadas. Se isso for transformado em possibilidades de
atendimento, diariamente, 60% da população que realmente necessita de socorro
se vê impossibilitada de acionar o Samu porque as linhas estão ocupadas.
Tira-dúvidas
A central não conta como ligações perdidas as chamadas daquelas pessoas que
telefonam para se informar sobre o serviço. “Acreditamos que
com esse grupo, fazemos uma ação educativa”, diz Ivan Paiva.
Ainda assim, em uma manhã de plantão junto com a equipe do Samu, o A Tarde
On Line registrou dez ligações seguidas, atendidas pela mesma médica, que
não se converteram em deslocamento de ambulância. As chamadas tratavam de tudo,
de gente pedindo a presença de um médico em casa porque o avô estava tossindo,
a uma pessoa que estranhou os efeitos colaterais da medicação para tratamento
de tuberculose que estava tomando.Os médicos reguladores do Samu, responsáveis
por fazer a triagem e definir a necessidade de atendimento das ambulâncias,
enfrentam ainda mães que querem saber quantas gotas de anti-térmico podem dar
para o filho febril e ligações de pessoas de ressaca ou com dor de cabeça, que
exigem que a ambulância vá buscá-los em casa. Na parede da central, avisos com
números de telefone identificados durante trotes, servem de alerta para a
equipe de socorristas.“Infelizmente, ainda não ficou claro
para a população que o Samu é um serviço de emergência, para atender vitimas de
acidente, infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral), envenenamento e outros
casos que exigem ação imediata para evitar o óbito”, define uma das medicas reguladoras.O serviço funciona da seguinte
forma: dez atendentes recebem as chamadas através do 192 e anotam o nome,
endereço, telefone da pessoa e motivo da ligação. Depois, passam a ficha para
um dos quatro ou cinco médicos reguladores que atuam em cada plantão. Os
médicos retornam a chamada para a casa da pessoa e fazem a triagem. Se for
definida a necessidade de ambulância, uma equipe sai em uma das 30 unidades
moveis que ficam estacionadas em Salvador para atender o paciente. O tempo de
deslocamento até o local da ocorrência é de 20 a 30 minutos, garante o
coordenador.
Ivan Paiva explica ainda que nem todas as pessoas que são
atendidas pela ambulância do Samu precisam ir para o hospital. As vezes, a
unidade remove o paciente para um dos postos da prefeitura, onde a pessoa fica
em observação ou fica internada enquanto os reguladores entram em contato com a
Central de Vagas da Secretaria Estadual de Saúde, em busca de um leito
hospitalar. Também há casos em que só o atendimento com a equipe da unidade
móvel resolve o problema.
O médico também esclarece que cada ambulância é responsável por um atendimento.
Se, por exemplo, a unidade estiver a caminho de uma chamada domiciliar de
hipoglicemia e ver um acidente no trajeto, o que pode fazer é parar e verificar
a gravidade do caso. A depender da circunstância, existem duas possibilidades
de decisão: Um, se for grave, a ambulância fica cuidando do caso e comunica à
central que é preciso enviar outra ambulância para atender o primeiro caso.
Dois, se não for grave, a ambulância segue o seu primeiro atendimento e pede a
central para enviar uma unidade até o local da nova ocorrência.
“Fazemos isso para evitar que os dois pacientes fiquem sem
atendimento. Um caso de hipoglicemia pode parecer inofensivo, mas já atendi
chamadas de pessoas que estavam com a taxa de glicose em 20. Glicose para o
cérebro é como gasolina para o carro, se faltar, o cérebro pára”, compara Ivan Paiva. (AS)
Quando chamar o Samu*
·
Na ocorrência de problemas cardio-respiratórios
·
Em casos de intoxicação, trauma e queimadura
·
Em quatros infecciosos
·
Na ocorrência de maus tratos
·
Em trabalho de parto
·
Em caso de tentativa de suicídio
·
Em crises de hipertensão
·
Em acidentes com vítimas
·
Em casos de choque elétrico
·
Em acidentes com produtos perigosos
· Na transferência de doentes de
uma unidade hospitalar para outra*Fonte: site do Ministério da Saúde
O que o Samu não faz*
·
Levar e trazer pessoas para consultas médicas
·
Atendimento domiciliar semelhante ao realizado pela Vitalmed e empresas
similares
·
Remoção de cadáveres da via pública e/ou domicilio
·
Emissão de atestado de óbito para morte de causa natural e dentro de
casa
· Atendimento de situações que
não se caracterizam como urgência ou emergência*Fonte: Coordenação Central do
Samu 192/ Salvador
Correio da Bahia, 07/11/2005
Aqui Salvador
Hipotireoidismo atinge 12%
das mulheres no Brasil
Pesquisa
coordenada por universidades do Rio de Janeiro revela incidência elevada da
doença
Por Carmen Azevêdo
O primeiro estudo epidemiológico no Brasil sobre hipotireoidismo (ou hipotiroidismo) revelou que mais de 12% das mulheres brasileiras acima de 35 anos sofrem da doença. A pesquisa, coordenada pelas Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro, analisou amostras de 1.292 mulheres e revela índices que assustam, quando comparados aos números de outros países, como EUA (9,5%), Inglaterra (7,5%), Noruega (4,8%) e Espanha (4,7%). Segundo a endocrinologista do Hospital Português, Cristina Actis de Freitas, ainda não há estatísticas sobre a doença confiáveis na Bahia, pois, para compor os números, são considerados apenas os casos de diagnóstico confirmado e muita gente ainda não sabe que é portador da doença.
"O hipotiroidismo é a falta
de hormônio tireoidiano no organismo; é a baixa produção do hormônio pela
glândula tireóide (localizada na parte anterior e inferior do pescoço). É uma
doença extremamente freqüente, mas nem sempre o diagnóstico é confirmado. Como
há poucos endocrinologistas na Bahia - aproximadamente três mil -, contra mais
de quatro mil de outras especialidades, a população fica mal servida por essa
área", justifica. Freitas informou ainda que, dos portadores da doença,
30% são mulheres acima de 35 anos. Elas têm hipotireoidite crônica e já
desenvolveram ou ainda vão desenvolver. "Não é uma doença muito freqüente
no adulto jovem ou adolescente, mas tem que se prestar atenção aos
sintomas", recomendou.
Diagnóstico simples - A médica
disse ainda que o diagnóstico do hipotireoidismo não é difícil de ser feito.
"Geralmente os sintomas são cansaço intenso, sonolência; muitas vezes o
sono chega a inviabilizar as atividades do doente". E acrescentou:
"Pode ficar também hiper sensível ao frio, ter prisão de ventre, dores
articulares. As unhas lascam, o cabelo cai. Às vezes, a pessoa dorme tanto, vai
dormindo e acaba entrando em coma. Ou desenvolve uma infecção respiratória,
acumula líquidos no pulmão, pois o que absorve, não consegue eliminar. Pode ter
também edema de mamas, de língua, de pálpebra, de face. O hipotireoidismo pode
matar", enfatizou.
É difícil contabilizar o número de
pessoas que morrem por causa da doença, devido à descrição dos atestados de
óbito de unidades de saúde. "Os médicos descrevem os sintomas: infecção
respiratória e parada cardíaca, mas não as causas. A não ser quando é um
endocrinologista", frisou. Para confirmar o diagnóstico, é necessário
fazer exames de sangue para avaliar os hormônios TSH e T4 livre. Se confirmado,
o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Será feita então a substituição
do hormônio da tireóide, que gera a energia do corpo, através de medicamentos
que atualmente só são ministrados por via oral: Euthyrox, Sintroid e Puran T4,
que são a mesma substância: levotiroxina sódica (o T4). As doses podem ser
ministradas em 25mg, 50mg, 75mg, 88mg, 100mg, 112mg, 125mg, 150mg, 175mg e
200mg e ingere-se um comprimido por dia. Nos casos em que a dose supera os
200mg, geralmente o paciente está apresentando resistência ao hormônio.
***
Crianças são grupo de risco
Os endocrinologistas recomendam
aos pais fazer o teste do pezinho quando os bebês nascerem. Através dele,
pode-se diagnosticar a doença nos recém-nascidos e dar início ao tratamento.
Caso contrário, a criança pode desenvolver retardo mental.
O endocrinologista do Hospital São
Rafael, Osmário Sales, chama a atenção das grávidas e obstetras para o tramento
da doença durante a gravidez. "Tem alguns obstetras que suspendem o
hormônio durante a gravidez como se fosse apenas mais um remédio. Mas a mãe não
deve suspender mesmo que o obestetra recomende; ela tem que procurar um
endocrinologista e pedir para incluir a dosagem do hormônio no pré-natal".
E acrescenta: "Se a doença não for controlada, a criança pode nascer com
alterações de aprendizagem. O hipotiroidismo é uma das principais causas de
retardo mental que pode ser evitada. Depois de dois anos, não tem mais
jeito", finalizou.
***
CIRURGIA
Quem apresenta hipotireoidismo
pode ter retirada a glândula tireóide por causa de câncer, por exemplo, mas
essas situações são raras. Em quase 100% dos casos, a causa é a doença
auto-imune ou tireoidite crônica, quando o organismo fabrica anticorpos para
destruir a própria tireóide. Isso acontece com quem nasce com alteração
genética ou sofre alguma alteração emocional, pois o normal é que as células
reconheçam as outras e os corpos estranhos que invadem o organismo.
A Tarde,
07/11/2005
Local
Cidade
Hospitais de Salvador não absorvem
demanda do Samu
Andreia Santana, do A Tarde On Line
Os hospitais públicos de Salvador
não têm capacidade para absorver a demanda de pacientes gerada a partir da
implantação do Samu 192. Antes de o serviço oficializar a existência do
problema, era a população que sentia na pele a dificuldade de ter acesso ao
tratamento médico.
Quando foi lançado, em julho deste
ano, o ministro da Saúde, José Saraiva Felipe, anunciou que a implantação do
serviço faria com que a população da capital baiana e região metropolitana
tivesse maior acesso à saúde pública, por meio do reforço no atendimento de
emergência.
Três meses depois, o serviço recebeu
75 mil chamadas e realizou 12 mil saídas de ambulância para prestar socorro.
Por dia, revelam as estatísticas do Samu, são cerca de mil chamadas telefônicas
e uma média de até 180 deslocamentos das unidades móveis. Os números, que a
principio parecem confirmar a previsão do ministro da Saúde, na verdade revelam
um problema que ficou escondido pelo menos durante os últimos 15 anos.
Na capital baiana só existem três
hospitais públicos com P.A (Pronto Atendimento). As três emergências ficam no
Hospital Geral do Estado (HGE), na Vasco da Gama; no Hospital Roberto Santos,
em Narandiba; e, no Hospital Ernesto Simões, no Pau Miúdo. Os três estão
saturados há muito tempo e acumulam pacientes que antes da criação do Samu,
sequer conseguiam chegar até as unidades de saúde.
Além da crise nas emergências, a
última construída na capital foi justamente a do HGE, em 1989, faltam vagas
também para internação. Ao todo, os hospitais da capital e Região
Metropolitana, entre públicos e privados, que dispõem de leitos para pacientes
do Sistema Único de Saúde (SUS), somam pouco mais de 3,5 mil vagas, revela a
última contagem da Central de Regulação de Vagas da Secretaria Estadual de
Saúde (Sesab). No entanto, a população de Salvador e da RMS somam mais de três
milhões de pessoas, sendo 2,6 milhões somente na capital.
Luta por vagas - A reportagem do A Tarde On Line
acompanhou uma manhã o plantão na central de atendimento do Samu 192, situada
no 5º Centro de Saúde (Vale dos Barris) e constatou a dimensão do drama.
Durante quatro horas e meia seguindo de perto essa rotina, a reportagem anotou
pelo menos duas tentativas dos médicos reguladores do Samu em conseguir vaga
para pacientes atendidos pelo serviço. Em um dos casos, inclusive, a vaga
surgiu porque a médica do Samu conhecia a diretora do hospital onde o leito era
pleiteado.
A equipe que atua nas ambulâncias
também reconhece a dificuldade de internar pacientes que recebem o socorro do
serviço. Muitas vezes, dizem médicos, enfermeiros e condutores, perde-se até 30
minutos com o doente dentro do veículo em busca de uma vaga em um dos hospitais
públicos da cidade.
A dificuldade fica ainda maior
quando o paciente é um doente crônico. Nos casos de risco de morte imediata,
que caracteriza a emergência médica, os hospitais mesmo sem condições não podem
recusar o paciente sob o risco de incorrerem em negligência. Mas, quando o
leito solicitado é para um doente crônico, a falta de estrutura dos hospitais
fica mais evidente.
Pessoas que deveriam estar
internadas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo, permanecem
nos pronto-atendimentos dos postos municipais de saúde à espera de uma vaga.
Segundo o médico Paulo de Tarso,
coordenador da Central de Regulação de Vagas da Sesab, somente em outubro, 12
pacientes do SUS que precisavam ir para a terapia intensiva não conseguiram
leito em Salvador. Um deles morreu, os outros receberam tratamento nos postos
municipais até melhorarem e voltarem para casa.
Doentes invisíveis - Na opinião do coordenador da
central de regulação, os pacientes que hoje superlotam os hospitais da cidade
estavam invisíveis. Muitos, quando não tinham o recurso de chamar uma
ambulância para prestar socorro imediato, morriam sem chegar à unidade de
saúde. Ele acrescenta que o Samu colocou uma lente de aumento sobre o problema,
mas antes de o serviço operar, os sintomas já apareciam.
“Há dois anos, quando a central
reguladora foi criada, surgiram os gargalos no atendimento. Naquela época, me
surpreendi com a demanda reprimida que havia na cidade. Ainda hoje, apesar do
esforço da Sesab para responder imediatamente às nossas solicitações, ainda
enfrentamos dificuldades em conseguir vagas”, diz.
As principais dificuldades, enumera
o médico Paulo de Tarso, estão nas vagas de UTI para pacientes cardíacos e para
aqueles com necessidade de avaliação neurológica seja nos casos clínicos ou
devido a traumas. “Por mês, recebemos mais de 600 solicitações de avaliação
neurológica. São cerca de 20 a 30 pedidos por dia. No entanto, só temos dois
hospitais públicos com capacidade para efetuar esse procedimento, o HGE e o
Roberto Santos”.
Por outro lado, 30% dos atendimentos
do Samu são justamente de pacientes com traumas gerados por quedas e acidentes
de todos os tipos, sendo que os de trânsito batem recorde nos finais de semana.
Em 90% dos casos, os acidentes de trânsito e seus conseqüentes traumas
relacionam-se com a perigosa combinação álcool e direção, diz a doutora Maria
de Fátima, uma das médicas reguladoras do Sam
A Sesab, garante o coordenador da
Central de Vagas, está sensível ao problema e tenta ampliar a oferta. Nos
últimos dois anos, os leitos do SUS em UTI, por exemplo, dobraram de 150 para
300 e o número de hospitais habilitados a realizar cirurgia cardíaca para
usuários do sistema público subiu de três para quatro. Além dos hospitais
Português, Santa Isabel e São Rafael, o procedimento agora também pode ser
feito no Hospital Espanhol e em breve, será realizado no Ana Néri.
Crônicos sofrem mais - A situação dos pacientes crônicos é mais
complicada. São justamente esses, doentes de longa permanência - geralmente
idosos e que tem múltiplas doenças -, que o Samu tem mais dificuldade de
encaminhar para os hospitais.
Por outro lado, os coordenadores do serviço de urgência, Antonio Pena e Ivan
Paiva reconhecem que não se trata pura e simplesmente de má vontade dos
hospitais em aceitar os doentes. “O Samu ampliou o acesso ao sistema e ao mesmo
tempo revelou que ele precisa ser ampliado”, constata Paiva.
Para Antonio Pena, a questão é que
os hospitais operam acima do limite e enquanto isso, o Samu precisa encaminhar
o paciente para algum lugar de forma imediata. “Somos um serviço de socorro,
não temos hospital próprio.”
Além dos crônicos, acrescenta o coordenador, os pacientes psiquiátricos - que
somam 18% do total de atendimentos/mês do Samu -, também encontram problemas
para serem internados.
O coordenador da central reguladora
de vagas entende a situação, pois, diariamente, passa pelo mesmo drama da busca
por leitos. Paulo de Tarso também define o paciente crônico como um problema
mais de cunho assistencial do que médico.
“Os dois hospitais com vagas para pacientes crônicos são o Santo Antonio e o
Carvalho Luz. Só que, 90% dos pacientes internados nessas unidades estão no
hospital mais por questões sociais do que de saúde”, diz.
Para o médico, essas vagas ocupadas
com doentes crônicos poderiam ter outra finalidade dentro do SUS, se o sistema
público de saúde conseguisse de fato efetivar o atendimento domiciliar no
Brasil.
“Esses idosos e demais pacientes com doenças crônicas deveriam receber tratamento
em casa, junto das famílias, mas no Brasil ainda existe muita resistência ao
atendimento domiciliar”, analisa.
Por outro lado, a superlotação de
unidades como o HGE se deve ao fato dos postos municipais ainda não conseguirem
dar conta da atenção básica à saúde, conforme prega o próprio Ministério da
Saúde, acredita Paulo de Tarso.
Atualmente, Salvador possui 120 postos administrados pela Secretaria Municipal
de Saúde, sendo que apenas nove deles possuem pronto atendimento e funcionam 24
horas.
Leitos do SUS em Salvador e RMS
· Hospitais privados – 1.196
· Hospitais públicos – 2.247
· Hospitais da RMS - 89
· Total – 3.542
A Tarde, 07/11/2005
Local
Educação
Enade é marcado por boicote
Exame que substitui antigo Provão
foi realizado em clima de protesto; muitos se atrasaram devido ao horário de
verão
GABRIEL GOMES
Os selecionados do Exame Nacional de
Desempenho dos Estudantes (Enade) que não compareceram para fazer a prova
ontem, às 13 horas (horário de Brasília), não receberão diploma até regularizar
a situação. A informação é da assessoria de imprensa do Instituto de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – autarquia
vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) – e está disponível no site www.Inep.gov.br. O exame foi marcado por
boicotes em Salvador e em vários Estados do País. Ao todo, foram selecionados
344 mil alunos de cerca de oito mil cursos em todo o Brasil – 16 mil na Bahia; 6,33 mil em Salvador. A princípio, a regularização só
poderia ser feita daqui a três anos, quando o MEC voltasse a aplicar provas
para as áreas de filosofia, física, geografia, história, letras, matemática,
pedagogia, química, arquitetura e urbanismo, biologia, ciências sociais,
computação e engenharia. A assessoria informou ainda que o MEC está avaliando a
possibilidade de criar, no próximo ano, um recurso para atender quem não fez o
exame ontem, mas não está confirmado.
Antelize Vitor dos Santos, 35, estudante de letras vernáculas da Ufba, mora em
Candeias. Ela conta que foi impedida de entrar devido a um atraso de dois
minutos. “Me atrapalhei com o horário de verão
em Brasília. Quando cheguei, vi uma aglomeração na porta do Colégio Central.
Pensei que eles estavam ainda esperando o momento de entrar. Na verdade, eram
os manifestantes do boicote. Aquilo me atrasou ainda mais”. Revoltada com a situação, Antelize disse que não se conforma pelo fato
de querer fazer a prova e ter sido impedida.
“As pessoas que fizeram o boicote apenas assinaram, não responderam à
prova e vão receber o diploma. Quanto tempo terei que esperar para ter meu
comprovante de conclusão de curso?”, questionou.
Outras pessoas telefonaram para redação de A TARDE para reclamar da mesma
situação.
A explicação dada pela assessoria de
imprensa do Inep é que não se trata de uma punição. “Fazer o exame é um dos requisitos para formatura que os selecionados
para o Enade têm de cumprir. Os estudantes deveriam dar prioridade ao exame”, disse o assessor, que não autorizou a publicação de seu nome.
Panfletagem – Na
porta dos locais de prova, manifestantes distribuíram panfletos com os “Dez motivos para boicotar o Enade”. As pessoas
que aderiram ao protesto não responderam às questões e colaram um selo preto na
folha de respostas, com a mensagem “Nota Zero para
o Enade”.
Paulo Moraes Neto, 24 anos,
estudante do curso engenharia civil da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e
diretor social do diretório acadêmico (DA) da faculdade, foi um dos que
protestaram. Para ele, o Enade foi implementado sem o devido debate com a
comunidade acadêmica. Além disso, em sua opinião, deveria haver avaliações
diferenciadas para as instituições de ensino privadas e particulares. “Do modo que está sendo feito, o Enade não pode fornecer um retrato
fidedigno da realidade. As faculdades particulares estão fazendo cursinho para
preparar os alunos para as provas. Isso é maquiagem. O ‘ranking das melhores’ só está contribuindo para a
transformação do ensino em negócio. O resultado do antigo provão ou do atual
Enade se tornou em um elemento de marketing para essas empresas”, argumentou, salientando que o exame também não é capaz de mostrar os
principais problemas das escolas públicas de nível superior: “Falta de investimentos, de verba para manutenção e até de professores”, enumerou.
A coordenadora do colegiado do Instituto
de Letras da Ufba, Risonete Batista, disse que os estudantes têm motivos para
reclamar, pois, de fato, não houve negociação entre o MEC, professores,
dirigentes das instituições de ensino e alunos. “O contato entre
o ministério e a universidade é feito basicamente por computador. Muitas vezes,
nossas solicitações nem são atendidas a tempo”, informou,
chamando atenção para a importância de uma comunicação mais eficiente. “Sou a favor de que haja um instrumento de avaliação, porém ele precisa
ser executado de forma mais clara e ser fruto do entendimento entre as partes”.
Liliane Tavares, do segundo semestre
do curso de ciências biológicas das Faculdades Jorge Amado, disse que a prova
não foi difícil, porém tinha muito assunto que ela ainda não tinha visto. “Acho errado ser uma prova igual para pessoas que estão entrando na
faculdade e para as que estão saindo. O exame deveria ser por semestre”. Até o fechamento desta edição, o Inep não havia divulgado a lista de
quem fez a prova nem o gabarito.
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